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A minha rua.

por Fernando Lopes, 29 Abr 14

Por muitas ruas que calcorreie volto sempre «à minha rua», a da infância, onde brinquei, joguei à bola, fui feliz, com aquela satisfação que só faz par com a inocência. Descia lentamente e via gente já morta naquelas casas abandonadas e emparedadas. Vi a D. Palmira, que para mim nunca foi jovem, curvada com o pequeno saco de compras, o velho Ramalhão, à janela a acenar com a boina, a viúva do proprietário dos «Grandes Armazéns do Norte», morena, pequenina e redonda, a entrar para o Rover 3.500 V8 com o auxílio do leal motorista, o velho bar «Bacalhau» com a sua decoração arrojada.

 

A casa do Ramalhão está habitada não sei por quem, a da viúva deu lugar a uma clínica de estética, o bar é um cartório, mas nunca o serão verdadeiramente, por mais pinturas e néons que lhes ponham. Na minha cabeça, ou melhor, no meu coração, tudo permanece imutável. É talvez por essa estranha razão que «a minha rua» se refere sempre à rua da nossa infância.

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2 comentários

De Ana A. a 30.04.2014 às 13:05

O Fernando tem muitas das condições para ser uma pessoa feliz e equilibrada, conforme rezam os cânones. E uma delas, é essa presença física e espiritual dos amigos e lugares da infância. Eu pelo contrário perdi, por incompetência minha, os contactos com os amigos dessa época e os lugares infelizmente não me trazem boas recordações. E, se por acaso cruzo algumas dessas ruas, o único sentimento que me invade é a melancolia.

De Fernando Lopes a 30.04.2014 às 18:59

Minha cara amiga,
Pode até ter razão no campo teórico, mas sou muito mais «choné» do que o berço faria prever. Fora de brincadeira, as pessoas e os lugares de que gosto(ava) continuam a ser referências, estão vivos e incólumes na memória e afectos. Se isto não é maluquice, não sei o que será. ;)

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