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A linguagem é um vírus.

por Fernando Lopes, 1 Out 14

Um amigo de longa data é homossexual. Tal nunca lhe deu direito a tratamento especial na caserna verbal que frequentemente criamos. Digo muitas vezes «deixa-te de paneleirices», sem que isto implique algum tipo de avaliação das suas preferências sexuais. Chamaram-me à atenção, porque a linguagem, marca, diminui, estigmatiza. Ora neste caso, a expressão surge sem carácter ofensivo, apenas com o sentido de «não sejas conas» ou «não me venhas merdas». Recuso-me terminantemente a linguajar de modo diferente apenas porque a sexualidade do meu amigo não é convencional. Se alterasse a verbalização para «não sejas conas» não o estaria a desaconselhar a uma mudança de sexo, apenas a dizer, vá lá, alinha com a malta. Exactamente o mesmo que «deixa-te de merdas» não significa que o condene a castigo de obstipação eterna. Por paradoxal que pareça, o modo igualitário de tratar este amigo, é precisamente falar como sempre fizemos, não permitindo que o libertador vernáculo seja aprisionado nas malhas do politicamente correcto.

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4 comentários

De .. a 01.10.2014 às 19:32

Não consigo ver o seu blog tenho muita pena, mas desapareceu-me do "mapa" de qualquer forma, cheguei aqui por um contador o sitemeter, porque não faço a mínima ideia, agora, de como ver os posts dos amigos, enfim... Vou passando Fernando se me autorizar e ler ( o seu) um dos melhores blogs que gostava de seguir aqui. Desapareceram-me seguidores, fiquei sem saber como, com o Conversa escondido privado, vamos ter paciência e ver se a maré amaina! Uma boa semana!

De Fernando Lopes a 01.10.2014 às 20:20

Isto é a confusão inicial das mudanças no Sapo, depois passa. Como quando trocamos de carro e nos parece tudo fora do sítio e dias depois já nem nos lembramos como era no antigo. :)

De Inês a 02.10.2014 às 15:30

Não podia concordar mais. É exactamente esse o meu caso. Um amigo homossexual que sabe perfeitamente como eu sou, e os outros é que me chamam a atenção quando, em grupo de amigos e convivas, me saem pérolas como essa. Mas que diabo! Não deveria ser o amigo a dizer-me que não gosta? Já falei com ele e respondeu-me que se eu deixasse de dizer essas coisas também deixava de ser quem sou! Para além do mais, amigos de 30 anos que somos, que sabe perfeitamente que não é no sentido literal que me saem estas coisas pela boca fora e muito menos com o fito de o atingir. SOMOS AMIGOS! PONTO. Não é necessário explicar nada.
Os "politicamente correctos" é que estão a baralhar as coisas todas.
Beijinhos
Inês

De Fernando Lopes a 02.10.2014 às 16:07

Felizmente, existem pequenas ilhas como nós, que continuam, como os irredutíveis gauleses, "a resistir, ainda e sempre, ao invasor".

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