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Analisando os elogios despropositados da minha amiga Alexandra num comentário ao post anterior, faço uma reflexão de quão diferentes são os tempos no que diz respeito ao que vulgarmente é conhecido como humildade. Quando era criança, quem tivesse melhores notas que os colegas não dizia nada, para não os embaraçar e para não ser considerado marrão. Hoje, desde o 1º ano que os miúdos são incentivados a gabar-se se o seu resultado supera os dos demais. É para os estimular, tornar mais competitivos, dizem. Quando era jovem, um tipo que se achasse mais inteligente, mais bonito, mais habilidoso que os outros era imediatamente votado ao ostracismo por quem realmente importava. Basta recuar uma década, e, na geração que me precede, gente com 45 ou menos, gabarolice é igual a auto-estima. Na vida pessoal ou no trabalho, muitos desses rapazes e raparigas têm um ego infinito, vangloriam-se de grandes e pequenas coisas. Tal não me é permitido pela minha esmerada e antiquada educação. Ainda preso à ética dos anos 70, mesmo que consiga algo façanhudo, - o que não me recordo tenha acontecido - procuro não fazer ondas. A malta mais nova tem a capacidade de fazer de um cagalhão um poema. Quem quer acreditar neles, vá em frente, para mim uma poia será sempre uma poia, mesmo quando lhe chamam trufa.

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12 comentários

De Fernando Lopes a 06.09.2018 às 13:02

Essa desconfiança é um mecanismo de defesa de que também partilho, no meu caso mais associado à insegurança que a outros factores. 

De alexandra g. a 07.09.2018 às 21:46

querido amigo,


e não estará na atura de lidares com isso?
(digo eu, ao invés de criticares uma geração que, de facto, foi francamente mal educada - ea culpa não é deles, repara - e merece outro tipo de atitude, gesto, etc., da nossa parte?)

De Fernando Lopes a 09.09.2018 às 20:56


Minha querida, sou absolutamente seguro em relação às minhas inseguranças. :-)

De alexandra g. a 10.09.2018 às 15:46

a tua sorte é que és, efectivamente, culto, inteligente, atraente e... humilde (mas jamais será a tua humildade a retirar-te o resto do meu enunciado, assertivo e esclarecedor: até com a humildade que transportamos fazemos o que queremos, é sabido).


abraço, querido Ferdinand 

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