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Vazio emocional.

por Fernando Lopes, 14 Jul 15

O ser humano não é feito para estar sozinho. Alguns habituam-se à solidão, mas falta sempre qualquer coisa, o outro. E este estar em si é cada vez mais comum. Relações e casamentos falhados, timidez, a incapacidade de abdicar do seu modo e transformá-lo num pas de deux, são algumas das causas. Na ausência de afectos que preencham os dias, procuram sublimá-los de forma diversa. Uma mulher na casa dos cinquenta, abandonada pelo marido, vista de forma utilitária pelos filhos, pintou o cabelo de cores garridas e passou a estar na linha da frente de todos os combates do BE. Trocou o amor pela política. Conheço outra que se dedicou aos animais. Adoro animais, sei que são fraco substituto de uma pessoa. Um rapaz, após dois casamentos falhados, virou-se para o teatro e poesia. São pessoas respeitáveis, algumas de quem gosto bastante, não tenho coragem de lhes dizer quão fraca é a terapia que escolheram. Porque não há ideal, carinho ou poema que substituam o amor. Certo é que amores são fonte primeira de sofrimento, mas não deve haver algo mais belo que o amor, mesmo que seja para sofrer com e por ele.

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Beija-me.

por Fernando Lopes, 22 Mai 15

kiss_me.gif

 

Os homens matam, morrem por um beijo, por aquele momento em que por entre os lábios passa um sopro de alma. Esse beijo faz-nos transpirar as mãos, tremer as pernas, acelerar o coração. Um beijo assim não é apenas vida, é amor para sempre num segundo de eternidade.

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Carrossel.

por Fernando Lopes, 26 Mar 15

tunnel_of love.jpgImagem:behance.net

 

Nada para lamentar, pouco que entristeça, algumas cicatrizes para sempre marcadas que como para um guerreiro, são motivos de orgulho não de ocultação. Não estou certo que um amor termine quando outro começa, talvez seja um carrossel em que rodamos entontecidos sem que nunca cheguemos verdadeiramente a parar. Quando te pões a reflectir sobre o que foi a tua vida afectiva, sabes que todos os grandes amores te marcaram um pouco, te entonteceram mais ainda, que de alguma forma giram continuamente no teu pequeno mundo. O amor de ontem, o de hoje, o de amanhã. Giras, giras e voltas a girar. A memória prega-te truques, torna próximo o distante, brilha aqui, apaga ali. Ensinou-me a experiência uma coisa; se não és capaz de valorizar as paixões que tiveste, as que tens e virás a ter, é porque delas não foste merecedor. Estás vivo, nunca deixes o carrossel parar.  

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Watch me date.

por Fernando Lopes, 20 Mar 15

Cada semana escolhemos duas pessoas diferentes, damos-lhe um par de Google Glasses e organizamos um encontro romântico (habitualmente há muito álcool a rolar). A filmagem começa minutos depois de se terem conhecido, e o botão de off só é desligado após se terem despedido. O resultado? Está ali com eles, nestes estranhos, frequentemente divertidos e às vezes românticos primeiros encontros.

 

 

Não sei exactamente o que pensar sobre isto. Enternece e repugna ao mesmo tempo. Que tipo de pessoa está desesperada ao ponto de aceitar um encontro pré-organizado, saber que está a filmar e ser filmada e seguir em frente? Necessidade de protagonismo? Busca desesperada para encontrar o amor? Seria eu capaz disto? Tu eras?

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Resgatar uma prostituta.

por Fernando Lopes, 25 Fev 15

 

Uma mania recorrente dos homens etilizados em despedidas de solteiro em casas de má fama, é a tentação – que passa com a sobriedade – de resgatar uma qualquer jeitosa à má vida. Conheço vagamente o caso de um salvador que transformou uma dançarina exótica em senhora respeitável, teúda e manteúda. Recordo também o caso de acompanhante que quando questionada sobre o que a levara àqueles caminhos respondeu com desarmante simplicidade: eu gosto é de foder!

 

Hoje, ao observar o multi-cromático Romeu e a plastificada e experiente Julieta, pensei para com os meus botões que Roxanne, essa bela história de amor, nunca seria a canção da insólita parelha.

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Procuramos sempre um primeiro amor.

por Fernando Lopes, 8 Fev 15

you'll always be my favorite what if.jpg

 

Apesar da minha escassez de experiência na matéria gosto de discorrer sobre amor, de desvendar o que me passa pelo pensamento. O ditado «não há amor como o primeiro», lançado ao ar com ligeireza, deixou-me a pensar sobre o tema.

 

De facto, não há. Digo-o no sentido de ser incondicional, não estar preso a valores ou normas, desinteressado, num estado de pureza que o tempo se encarrega de corromper. Quando nos apaixonamos pela primeira, ou primeiras vezes, pouco nos interessa o mundo que nos rodeia. Só existe aquela pessoa, tudo para lá dela é insignificante. Achamo-la bonita mesmo que o não seja, não importa se é inteligente ou não, não existe futuro, só o aqui e agora que o bailado do coração e hormonas nos dita.

 

É coisa animal, no sentido mais nobre que animal tem.

 

Com o tempo passamos a valorizar o intelecto, sensibilidade, desempenho profissional e outros factores que na adolescência nem sequer nos passavam pela cabeça. Sentíamos e isso era mais que suficiente. De modo pueril, confesso que procurei sempre um primeiro amor, desses que é 100% paixão e 0% de racionalidade. Dou por mim a desejar voltar a ser o rapazinho que apenas sente.

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Guia para conquistar um homem maduro.

por Fernando Lopes, 8 Dez 14

Os homens são frequentemente acusados de pensar o amor com a genitália. Incapaz de negar esta evidência, constato que alguns de nós amadurecem afectivamente. Na meia-idade, vivemos um enorme paradoxo, tornamo-nos menos desejáveis e mais exigentes.

 

Não sou hipócrita, uma carinha laroca, olhos limpos, seios firmes, rabo bem-feito, podem fazer-nos perder a cabeça e mandar a teoria às malvas. Temporariamente, apenas temporariamente.

 

Há quem valorize mais ser estimulado intelectualmente, outros procuram coração acolhedor. Embora queiramos tudo, pertenço essencialmente ao segundo tipo, sempre me foi mais simples encontrar intelecto que afectos. Mas, como disse um amigo, «nesta idade, uma mulher, antes de me foder fisicamente tem primeiro de me foder na cabeça». Uma verdade tão simples que dói. Um homem maduro conquista-se pela cabeça.

 

Nesta luta pela felicidade o belo sexo tem tendência a cometer erros capitais. As mulheres mais jovens querem pacote completo, uma família, filhos, cão e carrinha. Ora um investimento financeiro e afectivo deste calibre pode não ser a melhor abordagem a um homem já com três filhos e que se vê mensalmente em palpos de aranha para a pagar a pensão de alimentos. Às mais velhas falta muitas vezes adaptabilidade. Viver junto é um compromisso, vão existir mais desarrumação, imprevistos, e o habitual laxismo masculino. É necessário ter jogo de cintura e alguma paciência. Somos animais de hábitos, mas mais difíceis de treinar que os vossos gatos. A vossa vida sozinha, perfeita, organizada, arrumada, planeada, terminou. Se não se querem meter numa carga de trabalhos e inconveniências o melhor é desistirem rápido.

 

Ficam estas pérolas de sabedoria para as mulheres que não desistiram de se apaixonar e por alguma razão se interessaram por um tipo pós-45.

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Galinha velha ainda faz boa canja.

por Fernando Lopes, 23 Nov 14

A vida de uma mulher pode ser recordada por pequeno actos simbólicos de quebra do statu quo, como casar com um homem mais novo. Ocorre-se-me isto a propósito da morte da Duquesa de Alba, duas vezes viúva e lembrada por ter quebrado convenções ao casar com um homem vinte e tal anos mais jovem.

 

Existe uma razão orgânica para os homens se sentirem «confortáveis» junto de mulheres jovens; somos capazes de reprodução por um período mais longo que as mulheres. Se isto fazia sentido em sociedades patriarcais ou quando ter muitos filhos era o que mais se aproximava de um PPR, nos dias de hoje o preconceito subsiste porque a maioria das mulheres não são capazes de desligar a sua afectividade e sexualidade do que a sociedade convencionou como aceitável.

 

A desculpa feminina muito comum que «não estão para aturar crianças» é completamente falsa. Nós homens, somos e permanecemos crianças, independentemente da idade constante no cartão de cidadão. Uma mulher apenas pode optar por gradações do nível de infantilidade do companheiro, não se pode alhear que a mesma estará sempre presente.

 

Não tenho preconceitos em relação a mulheres mais velhas, se me apaixonasse por uma, seguiria em frente. Apaixonamo-nos por pessoas, não por idades. Cumpre pois às mulheres libertarem-se de estigmas patetas e viverem livremente, ignorando o socialmente correcto.

 

Como diz o ditado, «galinha velha ainda faz boa canja». Provem-no.

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Ocasionalmente regular.

por Fernando Lopes, 5 Nov 14

Apesar de não aspirar à beatificação devo ser excelente ouvinte, pois não há cão nem gato que não venha deixar-me no ouvido as suas maleitas. Um colega, 50 anos feitos, um divórcio, uma relação ocasionalmente regular. O paradoxo é simples de explicar: dois adultos divorciados e sem filhos mantêm uma relação que não é bem um namoro ou casamento. Livres, cada um com sua habitação, encontram-se quando lhes apetece. Podem ir jantar fora, ao cinema, passear ou fazer amor. Têm o estranho hábito de nunca ficarem em casa do outro.

 

Queixava-se que algo faltava na relação, num estranho impasse. Ouvi-o com atenção e só pude falar da minha experiência. Uma relação adulta não pode ser descontinuada, ocasional, sem que exista frustração. Amar é partilhar, embirrar por o parceiro não fechar o tubo de pasta dos dentes, mudar uma lâmpada a quatro mãos, ir ao indiano só porque o outro adora, preocupar-se com as compras do supermercado, dividir no momento uma alegria ou angústia. É ter ao lado a pessoa que nos enternece e irrita, saber lidar em comum com as minudências do dia-a-dia. Esta coisa das relações modernas é muito catita, mas amar é ter projectos comuns, sonhos, partilhas. É stressante, tem inconvenientes, mas não ama verdadeiramente quem não é capaz de deixar o outro entrar na sua intimidade.

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Melhor a bem.

por Fernando Lopes, 3 Set 14

Ninguém gosta de ser rejeitado. Um rompimento afectivo é sempre gerador de angústia, frustração, desilusão. É, no fundo, uma aposta falhada, e não gostamos de falhar. Todos estes sentimentos são compreensíveis, naturais, até expectáveis. Mas há um tempo em que se deve colocar a mágoa para trás e procurar resolver os diferendos de forma cordata, civilizada. Para bem de todos. Falavam-me de um divórcio submerso num interminável litígio, em que, o dinheiro, casa, custódia dos filhos, tudo era objecto de confronto. Um dos ex-cônjuges, despeitado, resolveu levar a picuinhice ao absurdo. Não se apercebeu que a voragem de magoar o outro o estava a consumir de modo insano. Deram-lhe uma pá, em vez de tapar, resolveu escavar até à China. Vencer as frustrações, encerrar a etapa, registando o que de bom e mau aconteceu, é o caminho. Caso contrário, celebra-se um contrato com Mefistófeles.

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  • Anónimo

    Não volta?!Vá lá...Escrever faz bem...e ler também...

  • Anónimo

    Que será feito do gerente desta coisa?Filipe em es...

  • Henedina

    Bom ano Fernando. Beijinho

  • Alice Alfazema

    Olá Fernando!Passei para te desejar um Feliz Natal...

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