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aos verdadeiros excluídos

por Fernando Lopes, 6 Fev 11

Ando a encarnar personagens estranhas. Hoje às 3:27 da manhã estou a encarnar os verdadeiros excluídos. Não os que vão a concertos ouvir hinos disparatados e depois emborcar whisky nos bares da moda. Dedico este post aos que nunca foram a Zanzibar, nem sabem o que é, ou onde é, não é camarada Louçã?
Pequeno-burgueses de merda... Dedico este post aos desempregados da indústria têxtil em Guimarães e na Covilhã. Tem mais de cinquenta anos e muitos foram-se deitar com fome. Aos que estão a dormir na rua, envoltos em cobertores e caixas de cartão. Às crianças que só comem na escola. Aos velhos abandonados nos hospitais. Às mulheres que agora estão a levar pancada dos maridos que chegaram a casa bêbados.
Quem lhes faz um hino?
Repito. Quem lhes faz um hino, gravado num iphone, postado na net?
Que me pariu, que só gosto de fazer perguntas incómodas...

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2 comentários

De Fenix a 06.02.2011 às 21:24

Fernando

Agradeço-lhe o post, pois também eu sou uma excluída da têxtil (por acaso ainda durmo debaixo de um tecto).

Mas não se esqueça que, pelo andar da carruagem, os que hoje emborcam whisky nos bares da moda, são os que irão dormir em caixas de cartão amanhã. Podemos chamar a isso, a evolução das espécies (desempregadas).

Abraço
Ana

De Fernando Lopes a 06.02.2011 às 21:54

Ana,

Este post foi escrito num momento de raiva. Mas de raiva justificada. Atendendo à situação de emergência social que vivemos os mais frágeis devem ser os primeiros. E os mais frágeis são os velhos, as crianças e os desempregados. E esses não têm quem fale por eles. Nem iphones de 600 euros, nem dinheiro para whisky. Nada me move contra a juventude, bem pelo contrário, tem todos o direito às suas legítimas reivindicações, mas também têm meios que nenhum dos outros segmentos possui.
E ler idiotices como "temos hino" ou "isto é a nova Grândola" são insultuosas para quem está verdadeiramente carente.

Abraço,
Fernando

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