Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

S.Torcato ou a peregrinação de um sem-fé

por Fernando Lopes, 10 Fev 11


Por voltas que a vida dá, eu, ateu confesso, irei brevemente à minha visita anual à igreja de S. Torcato em Guimarães. O caso é simples de explicar por este vosso herege amigo. Aquando da gravidez, a minha mulher contraiu um vírus, CMV. Este vírus inofensivo para a mãe ou para bebés já nascidos, pode ter consequências terríveis para o feto. Um amigo meu de infância, católico não praticante, mas de fortes tendências místicas, convenceu-me a visitar a igreja de S.Torcato, para que a criança nascesse incólume. Nada dado a misticismos, mas ciente da boa vontade dos amigos e sabendo que isso era importante para a minha mulher, acedi. E lá fomos quatro, os futuros papás, o meu amigo e a sua mulher à data, amiga de todas as horas e como os amigos à séria, principalmente das más.

A minha filha nasceu sem sequelas e todos os anos desde então, em Fevereiro, visito S. Torcato. Por circunstâncias da vida, aquilo que era só de quatro passou a ser de vários, incluindo crianças e adultos.
Gosto assim. Mais do que S. Torcato, penso na visita como inclusiva, uma festa de celebração dos amigos e da família. Durante este mês lá estaremos a celebrar a amizade, a família e a vida, já com um novo elemento no grupo, ainda em idade de papinhas e biberão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

4 comentários

De Fenix a 10.02.2011 às 15:37

Fernando

Muito me surpreendeu este post!

A verdade é que nós humanos, quer queiramos admitir ou não, temos uma componente espiritual, que nas horas difíceis de impotência se revela, e pelo sim pelo não (se não fizer bem, mal não faz), nos direcciona mesmo que a contragosto para determinadas práticas.

Posso dizer-lhe que tendo sido criada na religião católica, muito cedo me afastei (a partir dos 20 anos), pois nunca aceitei os seus dogmas e muito menos os seus "atentados" contra a liberdade da pessoa humana - soube à relativo pouco tempo que o Vaticano é apenas observador e não membro do Conselho da Europa, porque ainda não assinou a Convenção Europeia dos Direitos do Homem. Sempre questionei o facto de os católicos se dirigirem a Deus para pedirem benesses e milagres, pois sendo Deus um espírito perfeito seria justo e magnânimo, não sendo por isso necessário "pedir" para ser atendido.

Nos final dos anos 80, eu vivia só, ainda não tinha a m/ filha. E um dia, porque acompanhei uns amigos cujo pai era santeiro, que iam entregar uma encomenda de santos a Fátima, encontrei-me em plena celebrações de 13 de Agosto, no santuário. Eram pessoas que choravam e se arrastavam de joelhos a cumprir promessas, e eu pensei: o que leva estas pessoas a fazerem isto é o medo. Medo de perder a saúde os seus ente queridos, o seu nível de vida, etc. E eu nessa altura senti-me forte e livre, pois não tinha nenhum desses medos...

Hoje sou menos forte, mas tenho uma capacidade de aceitação das adversidades que neutraliza o medo.

Abraço
Ana

De Fernando Lopes a 10.02.2011 às 16:10

Ana,

O seu primeiro parágrafo diz tudo.

Além disso não poderia ser indelicado com os meus amigos, solidariamente preocupados, nem com a minha mulher para quem a visita era, no mínimo, reconfortante.

Para mim ficou a celebração e o (inconfessado até agora) alívio.

Abraço,
Fernando

De pedro a 10.02.2011 às 22:30

Resumindo e concluíndo o profano e o sagrado convivem sem covicções e restrições...:)

De Fernando Lopes a 11.02.2011 às 08:54

É isso mesmo, Pedro. Sagrado e profano em alegre convivência.

Abraço,
Fernando

Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

  • JOSÉ RONALDO CASSIANO DE CASTRO

    O Pretinho do Japão é citado, como profeta, em Ram...

  • Anónimo

    Quando a sorte é maniversa nada vale ao desinfeliz...

  • M Manel

    Só agora vi a mensagem anterior - note-se que quem...

  • M Manel

    Uma ajuda... Arranja aí uma base para eu poder de...