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O que interessa é não enganar a freguesia.

por Fernando Lopes, 7 Jan 14

Quem escreve num blogue acaba necessariamente por se dar a conhecer. Não de forma clara, antes as tortuosidades e o esconso. Parece que a muitos bloggers preocupa o que deles os seus leitores pensam ou imaginam. Perdoem-me o francês, “but I don’t give a fuck”. Quem me quiser imaginar um modelo em vez de um tipo anafadito com uns modestos 1,71 m, faça-o à vontade. Aqueles que vagueiam pela intimidade do escriba e por isso dele se acham próximos, desenganem-se. De feitio difícil, só a custo penetram no meu forte novas amizades. Os que pensam num tipo engraçado, saibam-me bordeline, oscilando frequentemente ente a euforia e angústia. Inteligência também não será o forte deste vosso servo que abandonou a faculdade pelo vil metal. Farto de contar tostões, em 1987 mandei a filosofia às malvas. Materialista, não só dialéctico, ganhava três vezes mais que os ex-colegas que aturavam putos ranhosos e tentavam ensinar Descartes, Sócrates ou Heidegger. Bebo demais, como demais, fumo demais. Não sou uma pessoa agradável, culta, chique ou que aprecie a sofisticação, antes um simplório, que frequenta tascas, capaz de expelir vernáculo a ritmo de samba. Disse. O que interessa é não enganar a freguesia.

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12 comentários

De Anónimo a 07.01.2014 às 21:49

Caro Fernando
- Gosto do seu francês.
- Acho-o uma pessoa culta
- Faz muito bem em expelir vernáculo (não fosse o Fernando um tripeiro de gema)
- Fez muito bem em não ter ido para professor (já viu como são achincalhados na praça pública e esbulhados nos seus vencimentos?)
- A sua escrita reflete sensibilidade.
Com tantos “defeitos” ainda consegue ter quem o suporte?
Abraço

De Fernando Lopes a 07.01.2014 às 22:00

"Às vezes me espanto, outras me envergonho". Quem lê estas barbaridades e é capaz de palavra amável, só me merece um humilde "obrigado".

De henedina a 07.01.2014 às 23:05

"Quem escreve num blogue acaba necessariamente por se dar a conhecer." "Olhe que não! Olhe que não!"
Citou F, um homem de Amares, cito um mais contemporâneo.

De Fernando Lopes a 07.01.2014 às 23:38

Conta que Sá de Miranda morreu em Amares, mas era conimbricense de nascimento. E Barreirinhas, embora respeitado, não é dos meus personagens políticos preferidos.

De henedina a 07.01.2014 às 23:56

Sim, nasceu em Coimbra. Viveu em Amares, julgo que na quinta da Tapada. Há uma escola com o nome dele em Braga. Mas gosto exactamente desta citação.

De pimentaeouro a 08.01.2014 às 21:54

Talvez algum exagero nos defeitos. Temos de tudo no e mau.
Adivinhar o personagem através do que escreve pode ser um exercício falhado.
Cumprimentos.

De Fernando Lopes a 08.01.2014 às 22:23

Meu caro, todo eu sou uma hipérbole.

Abraço.

De Carlos Azevedo a 09.01.2014 às 15:18

«Adivinhar o personagem através do que escreve pode ser um exercício falhado.»

Nem mais. E eu até acrescentaria: ou através do que quer que seja. Se fôssemos tão fáceis de adivinhar, isto não teria metade da piada (sabe Deus quão difícil é, por vezes, «adivinharmo-nos»).

De golimix a 09.01.2014 às 20:46

Talvez tenha exagerado um tudo o nada nos defeitos, não?

No que me toca não pretendo conhecer ninguém com os blogues, só e tão simplesmente trocar ideias. Mas com o que escrevemos parte de nós é exposta, sim, isso para quem se escreve e o faz com o seu ser.

Começo a achar que isto de ter um curso superior foi uma grande tanga que nos pregaram. Não diga que não é inteligente só porque a filosofia foi às malvas.

De Fernando Lopes a 09.01.2014 às 21:49

De todo. Fui até muito condescendente comigo nesta auto-avaliação. Posso fazer um post com todos os defeitos, mas tenho de o partir em vários. E já agora, Goli, imaginas a pinta que era, eu, de toga branca, a "filosofar"? Assim não passo de um "sem-curso", ou se quiseres, "cursus-interruptus".


"- Quem és tu, Fernando?"
"- Eu não sou ninguém."

De golimix a 10.01.2014 às 09:07

Todos somos alguém e todos temos importância... mesmo os parasitas da sociedade acredito que tenham a sua importância, servem para nos mostrar o que devemos evitar ser.

Ui! Isso anda muito negativo, não?
Mas já percebi que às vezes a alma se veste de negro...

De Fernando Lopes a 10.01.2014 às 18:54

Neste caso estava só a citar a peça "Frei Luís de Sousa" de Almeida Garett, adaptada. Mas certo é que frequentemente me torno sombrio.

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