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Matar-se.

por Fernando Lopes, 17 Dez 13

A forma como um homem põe termo à vida nunca é insignificante. Matar-se é uma afirmação decisiva, a mais decisiva de todas, porque não se limita a cancelar qualquer possibilidade futura, como obriga a recapitular cada gesto e decisão anteriores à luz desse acontecimento.

 

O suicídio é a expressão máxima da vontade de perdurar. Quando Rothko põe fim ao seu tempo e ao seu corpo testemunha, de forma irrefutável, que teria desejado habitar outro tempo e outro corpo.

 

Cada suicida resume assim as antinomias entre eternidade e temporalidade, espírito e matéria, necessidade e liberdade. Um homem não põe fim à vida porque o mundo ou os humanos o repugnam mas pela dor que sente ao não poder encarnar num corpo diferente daquele que lhe coube em sorte. 


“A luz é mais antiga que o amor” – Ricardo Menéndez Salmón

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5 comentários

De Fernando Lopes a 03.02.2014 às 19:15

Faz-me recordar um filme que passou há uns anos aqui em Portugal, "Amour". Se bem que diferente, a essência do drama é a mesma.
http://youtu.be/6Tuc3zjvJU8

De alexandra a 03.02.2014 às 20:13

Vi o filme. Pareceu-me muito bom.

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