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Matar-se.

por Fernando Lopes, 17 Dez 13

A forma como um homem põe termo à vida nunca é insignificante. Matar-se é uma afirmação decisiva, a mais decisiva de todas, porque não se limita a cancelar qualquer possibilidade futura, como obriga a recapitular cada gesto e decisão anteriores à luz desse acontecimento.

 

O suicídio é a expressão máxima da vontade de perdurar. Quando Rothko põe fim ao seu tempo e ao seu corpo testemunha, de forma irrefutável, que teria desejado habitar outro tempo e outro corpo.

 

Cada suicida resume assim as antinomias entre eternidade e temporalidade, espírito e matéria, necessidade e liberdade. Um homem não põe fim à vida porque o mundo ou os humanos o repugnam mas pela dor que sente ao não poder encarnar num corpo diferente daquele que lhe coube em sorte. 


“A luz é mais antiga que o amor” – Ricardo Menéndez Salmón

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5 comentários

De aurora a 17.12.2013 às 22:56

"...necessidade e LIBERDADE, Um homem não põe fim à vida apenas porque o mundo e os humanos o repugnam mas também pela dor que sente ao não poder encarnar num corpo (emocional) diferente ,,,"
Abraço

De Fernando Lopes a 17.12.2013 às 23:34

Este jovem escritor trata com grande sensibilidade sobre um tema melindroso. Matar-se, é sobretudo um acto de incapacidade de lidar com a dor.

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