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Matar-se.

por Fernando Lopes, 17 Dez 13

A forma como um homem põe termo à vida nunca é insignificante. Matar-se é uma afirmação decisiva, a mais decisiva de todas, porque não se limita a cancelar qualquer possibilidade futura, como obriga a recapitular cada gesto e decisão anteriores à luz desse acontecimento.

 

O suicídio é a expressão máxima da vontade de perdurar. Quando Rothko põe fim ao seu tempo e ao seu corpo testemunha, de forma irrefutável, que teria desejado habitar outro tempo e outro corpo.

 

Cada suicida resume assim as antinomias entre eternidade e temporalidade, espírito e matéria, necessidade e liberdade. Um homem não põe fim à vida porque o mundo ou os humanos o repugnam mas pela dor que sente ao não poder encarnar num corpo diferente daquele que lhe coube em sorte. 


“A luz é mais antiga que o amor” – Ricardo Menéndez Salmón

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5 comentários

De aurora a 17.12.2013 às 22:56

"...necessidade e LIBERDADE, Um homem não põe fim à vida apenas porque o mundo e os humanos o repugnam mas também pela dor que sente ao não poder encarnar num corpo (emocional) diferente ,,,"
Abraço

De Fernando Lopes a 17.12.2013 às 23:34

Este jovem escritor trata com grande sensibilidade sobre um tema melindroso. Matar-se, é sobretudo um acto de incapacidade de lidar com a dor.

De alexandra a 03.02.2014 às 17:44

Interessante. Mais sendo um tema realmente difícil de abordar no seu cerne. Há poucus dias, acabei de ler por segunda vez um livrinho de André Gorz "Carta a D. História de um amor". O livro é um relato precioso, que orienta com uma delicada melancolia sobre o seu posterior suicídio junto com a sua esposa na sua casa de Vosnon, em França. O livro acaba com o seguinte parágrafo:
"Recién acabas de cumplir 82 años. Y sigues siendo bella, elegante y deseable. Hace 58 que vivimos juntos y te amo más que nunca. Hace poco volví a enamorarme de ti una vez más y llevo de nuevo en mí un vacío devorador que sólo sacia tu cuerpo apretado contra el mío. Por la noche veo la silueta de un hombre que, en una carretera vacía y en un paisaje desierto, camina detrás de un coche fúnebre. Es a ti a quien lleva esa carroza. No quiero asistir a tu incineración; no quiero recibir un frasco con tus cenizas. Oigo la voz de Kathleen Ferrier que canta Die Welt ist leer, Ich will nicht leben mehr [El mundo está vacío, no quiero vivir más] y me despierto. Espío tu respiración, mi mano te acaricia. A ninguno de los dos nos gustaría tener que sobrevivir a la muerte del otro. A menudo nos hemos dicho que, en el caso de tener una segunda vida, nos gustaría pasarla juntos".

Um abraço.

De Fernando Lopes a 03.02.2014 às 19:15

Faz-me recordar um filme que passou há uns anos aqui em Portugal, "Amour". Se bem que diferente, a essência do drama é a mesma.
http://youtu.be/6Tuc3zjvJU8

De alexandra a 03.02.2014 às 20:13

Vi o filme. Pareceu-me muito bom.

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