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Festa do Pinheiro, Relatório e Contas.

por Fernando Lopes, 1 Dez 13

(Os meus amigos no "aquecimento")

 

Saímos do Porto com a certeza que vivo sitiado. Cada vez que pretendo abalar ou entrar na minha terra deparo com um trânsito absolutamente caótico. Mais uma vez aconteceu e demorámos mais tempo a sair da Invicta que a chegar a Guimarães. Um bafejo de sorte – nem tudo podia correr mal – e conseguimos estacionamento VIP, a dois minutos do Toural.

 

O início da festa é sempre um jantar em que são servidos rojões com grelos e papas de sarrabulho. Tradicionalmente deve beber-se vinho tinto, mas um estômago já velho e fígado precocemente envelhecido, tal não permitem. Fiquei-me por um branco da Lixa que sem encantar também não desiludiu. A janta foi na Cervejaria Guimarães e deliciei-me com o manjar. Por mim, podem até esquecer os rojões e passar directamente para as papas de sarrabulho. O vampiro que tenho aprisionado, delicia-se com todos os manjares com sangue nos ingredientes. Boa confecção, preço um bocadinho upa, upa, o que se compreende devido à especificidade do dia.

 

De barriga aconchegada e já mais resistente ao frio graças aos favores de Baco, os nicolinos que acompanhava ensaiaram os primeiros toques nas caixas. Os ouvidos mais sensíveis devem-se proteger com tampões, uma vez que o efeito sonoro de horas a ouvir tocar caixa e bombo equivale a um concerto rock, deixando aquele permanente feedback nas nossas cabeças.

 

(a nossa amiga e alma deste convívio e um tipo a armar ao nicolino)

 

Chegados à avenida – junto ao hospital velho – deparámos com tanta, tanta gente, que o cortejo, pura e simplesmente não andava. Os velhos nicolinos furiosos com tantos e tão maus tocadores de caixa berravam:

- Isto é para tocar a andar, senão, amanhã, ainda cá estamos!

Ao que parece participa na festa muita gente que não domina a arte, e cada vez que querem tocar, param, impedindo a fluência normal da comitiva. Ao fim de uma hora de espera e sem ver passar o pinheiro, os tocadores da minha troupe desistiram de integrar o cortejo e abalámos para o Vira-Bar. A filha já sem resistência, recolheu ao hotel acompanhada pela omnipresente mãe, que ao casar-se comigo escolheu tomar conta de duas crianças; a desejada e um puto XL, agora já com 50 anos.

 

Como nunca tinha visto o pinheiro passar, decidi que esta seria a noite. Descemos até próximo da igreja de S. Gualter e finalmente, às 04:10 da manhã, lá vinha ele, conduzidos por bois da raça Barrosã. Foi erecto junto à igreja, com foguetes a acompanhar.

 

Para escrever este post foram necessários:

 

- 16 litros de gasóleo;

- 10 euros de portagens;

- 1 litro e um poucachinho de verde branco;

- ½ dúzia de rojões e uma dose de papas;

- 4 cervejas;

- presunto;

- 3 idas à casa de banho;

- abraços a gosto;

- conversa q.b.;

- os melhores amigos do mundo.

 

Um abraço particular ao Paulo, Ricardo e Dalila pelo imenso carinho com que nos receberam. Ocupam uma área enorme deste velho coração.

 

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13 comentários

De Carla Pinto Coelho a 01.12.2013 às 22:19

Pareces um campino, pá!

De Fernando Lopes a 02.12.2013 às 00:14

É o traje nicolino. Também fazem parte do conjunto, camisa branca, calças pretas e lenço ao pescoço. Não quis usar, porque com este meu corpinho, de camisa branca justa, ia ter gigabytes de gajas atrás de mim.

De Carla Pinto Coelho a 02.12.2013 às 00:18

Ter até terias, depois podias era levar com uma sertã na cabeça - expressão de fúria de uma certa senhora. :D

De Fernando Lopes a 02.12.2013 às 00:21

Goza, goza, mas já fui galado por uma marroquina que tinha quase tantos pêlos nas pernas como eu. Um dia destes conto!

De Carla Pinto Coelho a 02.12.2013 às 00:23

Gozar? Eu? Jamais!



Só um bocadito, vá. (;

De Fernando Lopes a 02.12.2013 às 00:35

«Jamais» em francês, como o ministro Lino?

De Carla Pinto Coelho a 02.12.2013 às 00:36

Sim, senhor! :D

De Carlos Azevedo a 01.12.2013 às 22:51

Ah, foi por isso que não te vi ontem no Ateneu! Gosto muito de Guimarães. Opto quase sempre por comer na Cervejaria Martins, no Toural. Os copos, esses, são quase sempre para os lados da Oliveira.

De Fernando Lopes a 02.12.2013 às 00:16

É verdade Carlos. Com pena minha, já tinha marcado hotel em Guimarães. Baptista e Fentelhas são locais a frequentar gastronomicamente falando, embora fiquem ambos nos arredores.

De golimix a 03.12.2013 às 08:41

Gostei da lista

Só para fazer um pequeno aparte, o meu marido suspirou de alívio quando deixamos de viver no Porto por causa do trânsito. Ele passava-se sempre que queríamos ir a algum lado, e ainda se passa quando aí vamos!

De Fernando Lopes a 03.12.2013 às 19:01

Se não fosse uma medida fascizante, apoiava quem como em Londres entra de carro para o centro, paga. Infelizmente, com a miséria de transportes públicos que temos, medidas como essa são impossíveis.

De golimix a 03.12.2013 às 20:24

Eu já andei de autocarro no Porto e era um pouco confuso. Não sei se melhorou. Creio que o metro também facilitou um pouco. Mas o trânsito continua caótico

De Fernando Lopes a 03.12.2013 às 20:33

É mais nas entradas e saídas da cidade. 250.000 na cidade para 1 milhão nos arredores. As movimentações pendulares de entrada e saída é que são um drama.

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