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Desligando

por Fernando Lopes, 21 Jan 12


As notícias são sempre a subtrair. Subtracção nos direitos dos trabalhadores, nas escolas e professores, na saúde, nas garantias sociais. Encontro-me numa dicotomia entre a vontade de estar informado e a dificuldade em lidar no que o País se está a transformar. Lentamente vou abandonando jornais, TV, informação em geral. Tenho assistido a momentos de servilismo ideológico atroz, nomeadamente pelo ex-ajudante de campo de Kaúlza.

Não quero saber.

Com o espectro do downsizing sobre as cabeças dos que ainda têm emprego, vou-me refugiando nos livros e nos filmes. Tentei, de modo modesto, combater a apatia. Parece que é endémica. Também por isso, o purgatório vai-se transformando num diário cada vez mais pessoal e menos preocupado com questões de cidadania. Os amigos que por aqui passam, interrogar-se-ão se estou a ceder. Nunca. Quando for preciso lutar, estarei, como sempre, na fila da frente. Em manifestações, protestos, actos cívicos.

Sou um dos 20% que tentou que o statu quo não se perpetuasse no último acto eleitoral. Sei bem que a participação democrática não se esgota nas eleições. Mas já não sei lidar com este povo que, espoliado dos seus direitos, nada diz, nada faz. As ilusões de que poderia ter um humilde contributo na luta pelos direitos à saúde, ao ensino, à melhoria de condições dos portugueses, vão-se desvanecendo. Vou viver a minha vidinha, dia a dia, o melhor e mais solidário que for capaz. Desligando ...

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9 comentários

De Moriae a 21.01.2012 às 01:22

É cedo para desistires. Muiiiito cedo, meu amigo, já te conheço! É como se fosse muito mais velha e soubesse.
Tira uns dias. O mais distante possível de notícias e o mais perto possível dos teus/tuas :) e peço desculpa por te estar a dar conselhos!
Qdo for para desistir, saberemos. Todos nós. E não me parece que estejamos talhados para tal.
Xi-coração

De Fernando Lopes a 21.01.2012 às 10:55

Não sou do género de desistir sem luta. Mas ontem, depois das declarações de Cavaco, assisti a uma defesa de João Proença, que papageuava soundbites servidos por uma qualquer assessoria de imprensa. Chegamos ao grau 0 da política. Daí o meu intento minimizar a "intervenção" nesse campo. Quando for necessário, lá estarei. E com a aproximação dos 50 (meeeeeedo) cada vez tenho menos certezas e mais dúvidas. Todos os conselhos, são pois, bem-vindos.

Bj,

De Fenix a 21.01.2012 às 19:50

"Não te oponhas a uma grande força. Retrocede até que aquela se debilite; então, avança com resolução." - "Silo"

As debilidades já emergiram há muito e as ratazanas hão-de devorar-se...

Aguardemos pois!

Abraço Solidário

Ana

De Fernando Lopes a 21.01.2012 às 20:19

Ana,

Penso poder dizer, que tal como eu, muita gente se sente a lutar contra moinhos de vento. É romântico, inspirou Cervantes, mas acaba aí. Somos "Cavaleiros da Triste Figura", com um povo que não se agiganta, mas se aninha, como a criança que roubada se agarra ao único brinquedo que resta. Tem razão, talvez seja preciso recuar para posteriormente avançar.

Abraço,
Fernando

De bibónorte a 21.01.2012 às 21:56

Batemos no fundo é certo, mas não desista. Também vou desligando para poder sobreviver, também eu me desespero por este povo apático e conformado, mas tenho dois filhos e um neto e, por eles, não posso desistir. Força carago!

De Moriae a 21.01.2012 às 22:17

Bibónorte, peço-lhe desculpa aqui por não saber o seu e-mail. Por algumas razões, que lhe poderei explicar se quiser, fui indelicada consigo. Porque pensei que era uma determinada pessoa.

Desculpa-me Fernando ... Mas não tinha outro meio e percebi (coisa que já suspeitava ultimamente), que me enganei ... e que fui incorrecta para uma pessoa que nada mais fez do que ser solidária e companheira :/

Um abraço forte para Bibonórte, se o aceitar. Bjo para ti, Fernando. E votos de um bom restito de fim-de-semana para todos!

De Fernando Lopes a 21.01.2012 às 22:47

bibónorte,

Tenho um imenso orgulho em quem me lê. Sem os conhecer pessoalmente, noto, comentário atrás de comentário, que são pessoas integras e de fibra. Neste caso, três Senhoras, assim, com S grande, que provam através do carácter que ainda existe esperança neste rectângulo e que as mulheres são a personificação dessa esperança. Vivam as Marias da Fonte, do séc. XXI, carago!!

Abraço,
Fernando

De Fernando Lopes a 21.01.2012 às 22:51

Moriae,

Erros ou indelicadezas todos comentemos. Assumi-las é prova de coração aberto, sinceridade, frontalidade. É essa a imagem que tenho de ti. Leal e frontal. O resto são tretas. Nada mais a declarar.

Bj,
Fernando

De bibónorte a 21.01.2012 às 23:48

Tudo de bom Moriae.
Abraço.

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