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À facada.

por Fernando Lopes, 7 Nov 13

Raramente leio jornais diários e quando o faço procuro o i ou o Público. Outrora o Jornal de Notícias era o mais vendido do país e voz de toda uma região. Transformou-se num pasquim a fazer lembrar o Correio da Manhã. Pelos dois minutos que despendi nas “gordas” do JN calculo que andemos todos de faca na liga. Um garoto em Massamá esfaqueou os colegas, um outro matou a mãe a fio de lâmina por esta lhe exigir notas sempre mais altas, uma jovem com problemas de droga deu vinte e tal facadas a um sexagenário que pretendia os seus favores sexuais. Confesso que fruto da minha educação machista e atendendo ao carácter bilioso que possuo, tendo a ser ligeiramente complacente com os crimes passionais. Mea culpa, bem sei. Estes crimes são caracterizados não por um rasgo de fúria, mas por comportamentos nitidamente psicóticos. Nenhum matricida crava dez vezes a faca na mãe, mesmo que esta seja um grande estafermo. Dar vinte e tal facadas num sexagenário para quê? Mais que o crime em si, choca-me a violência furiosa, descontrolada, com que são praticados. Estarão estes surtos relacionados com a precária saúde mental dos portugueses? Dados os preços proibitivos praticados por psiquiatras é bem possível que esta tendência se agrave. Assim como assim a saúde mental sempre foi negligenciada em Portugal, é bem possível que sejamos um país de doidos furiosos à solta.

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5 comentários

De Daniel Marques a 08.11.2013 às 00:21

A saúde mental tem sido consecutivamente varrida para baixo do tapete. Imagino a quantidade de casos não diagnosticados. Mas isso também exige investimento, e parece que as notas fogem.

De Fernando Lopes a 08.11.2013 às 18:55

Recordo-me bem do teu post sobre o abandono do Hospital Psiquiátrico de Paredes de Coura, onde, mais de dez anos após o encerramento, havia fichas clínicas abandonadas. Haverá algo mais confidencial que a nossa mente?

De golimix a 09.11.2013 às 16:28

Também me recordo desse post, que Fernado fala, e de como fiquei estupefacta.

De golimix a 09.11.2013 às 16:33

Os preços proibitivos dos psiquiatras, pelos menos de um bom psiquiatra, as longas filas de espera em hospitais, a maneira como funciona a psiquiatria e como ela ainda é vista, quer por médicos quer por população em geral. Tudo isto começa a encher um copo periclitante bem à borda de um precipício

De Fernando Lopes a 09.11.2013 às 19:23

Não podia estar mais de acordo.

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