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Antes de chegar a casa ia assistindo a um grave acidente provocado pela falta de reflexos de um velhinho. Obviamente não tenho nada contra as pessoas com mais idade, eu próprio caminho a passos largos para o inverno da vida. Certo é que se a idade não é um factor inibidor, deveriam existir exames não só físicos, mas também de reflexos e perícia. Numa sociedade que caminha para o envelhecimento, o segmento mais idoso recusa-se a perder mobilidade, o que é perfeitamente aceitável. Os testes é que deveriam ser outros. Todos os dias assisto a um vizinho que anda de canadianas e se mete num carro, e não, não é um veículo adaptado. Deixou de o colocar na garagem depois de jogar às três tabelas com todos os postes de cimento que existiam no caminho. E, no entanto, circula por aí. Provavelmente deveriam existir exames periódicos de aptidão para todos, mas enquanto isso não acontece porque não proteger os utentes, velhos ou novos, fazendo testes mais rigorosos a quem tem mais idade e consequentemente menos reflexos?

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11 comentários

De Carla a 01.10.2013 às 11:41

Tinha que comentar este post. O meu pai (e outras duas pessoas) morreu num acidente de viação provocado por um homem com 82 anos, com falta de reflexos para evitar esse mesmo acidente.

Sou uma acérrima defensora de que devia haver um limite de idade para se conduzir. De que deveriam haver testes rigorosíssimos (para todos, mas ainda mais para pessoas de idade avançada).

De Fernando Lopes a 01.10.2013 às 13:01

Compreendo perfeitamente a sua angústia. Diga-se em abono da verdade que não pretendo que os idosos sejam bode expiatório da sinistralidade, até porque tal não é verdade. Mas, a começar por algum lado, seria de arrancar pelo lado de quem tem mais fragilidades.

Abraço.

De golimix a 01.10.2013 às 19:05

Tens mais do que razão.

Por acaso conheço um senhor de certa idade que entregou o seu carro e não renovou a carta porque achava que não devia conduzir mais, achava que podia por em risco a vida de alguém. A única coisa que ele fazia era tirar o carro da sua garagem e ficar no pátio de sua casa, dentro do carro, a ouvir rádio. Diz ele que é para matar saudades.
Mas comportamentos como este são muito raros. AS verdade é que lhes custa admitir que não estão bem para conduzir, e além disso perdem a liberdade.

Eu tirei as chaves do carro do meu pai há muito tempo, assim que percebi que o seu diagnóstico de demência não lhe permitiria realizar essa função em condições, mesmo que no início não aparentasse, mas havia a questão da medicação, Mas achas que alguma médico se preocupou com isso? Se não fosse eu a tomar as rédeas da situação, e tendo que ouvi-lo todos os dias a telefonar-me até para o trabalho a "chagar-me" a paciência, acho que tinha conduzido o que queria e já se tinha atirado contra alguém nos seus acessos de fúria e desvario. Isto é um exemplo bem real e pessoal.

De Fernando Lopes a 01.10.2013 às 20:17

Aconteceu o mesmo com o meu avô, que tinha problemas de coração e foi a avó que o chateou para deixar de conduzir. Andou uns dias como uma alma penada e depois vendeu-me o carro. 250 contos, pagos a 10 meses, 25 contos por mês. Quando lhe paguei a última "prestação", devolveu-me todo o dinheiro.

De golimix a 01.10.2013 às 22:12

Foi um querido!
Com o meu pai foi super complicado, até porque ele ainda estava na fase em que tinha alguns períodos em que se achava bem. Ficou furioso comigo. Mas eu tenho uma carapaça que está habituada....

De alexandra a 01.10.2013 às 19:12

Tenho observado e vivido de perto a dificuldade de pessoas idosas com problemas sérios de orientação, visão, reflexos, etc. em abandonar a ideia de conduzir . Preocupa-me o egocentrismo a que pode chegar uma pessoa idosa quando persiste além do evidente nas suas limitadas capacidades, arraste o que arraste pelo caminho ao seu redor. A degeneração humana é algo comovente de por si, não deixo de aprender dela, mas é preciso cuidar de não converter-se num perigo para as vidas circundantes à hora de meter-se ao volante duma viatura.

De Fernando Lopes a 01.10.2013 às 20:22

Como mecanismo de defesa contra o envelhecimento a nossa idade é sempre a "normal"; aos 20, 30 ou 80. Aliás adoro ouvir octogenários a dizer "um rapaz da minha idade". Esse mecanismo inibe-nos da percepção da proximidade da morte, colocando tudo numa aparente "normalidade". Provavelmente, se chegar(mos) a uma idade provecta também não vou(amos) ter essa noção de perda de capacidades.

De alexandra a 02.10.2013 às 17:41

Gosto desta tua visão inteiramente compreensiva e entendo que assim seja, pois desde as funduras humanas, provavelmente assemelharemos (de dar-se o caso) a alguns comportamentos instalados como espécie. Daí a paralela reflexão e dá-me por pensar: toma tento e medidas por se a carruagem chega àquela complicada cronicidade do "inverno da vida".

De Fernando Lopes a 02.10.2013 às 19:31

Bem lá no fundo estou certo que partilhas esta minha bonomia.:)

De momentosdisparatados a 06.10.2013 às 01:21

Se os testes forem feitos por alguns médicos de família vai dar no mesmo, ou seja os velhinhos que não deviam de conduzir continuam a conduzir. Dou um exemplo que se passou e passa sempre que o meu velhote vai ao seu medico para passar a declaração em como está apto a conduzir. Segundo ele, o medico apenas lhe pergunta "vê bem? e coloca o carimbo. Felizmente que o meu pai ainda está capaz,mas mesmo que não estivesse o medico passaria a declaração na mesma. Infelizmente assim, é muitas vezes.

De Fernando Lopes a 06.10.2013 às 12:19

Quando me refiro a testes de reflexos e perícia, queria dizer isso mesmo: andar com o carro entre mecos, estacionar e mais uma ou duas coisas simples. Não se trata de slalon , nem nada similar, uma coisa simples, só para ver a habilidade atrás da regueifa.

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