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Viver no campo.

por Fernando Lopes, 13 Ago 13

Nado na Sé e criado em Cedofeita, este vosso humilde escriba é um típico rapaz de cidade que se habituou a ter todos os bens de consumo à mão de semear. No raio de um quilómetro todas as minhas necessidades mais prementes podem ser satisfeitas. Comida, roupa e até uma panóplia de bens não-essenciais estão “ali”. Assim, resolvi elaborar um pequeno guia dos “not to do” para quem viaja para o campo. Útil a citadinos empedernidos.

 

- Não se pode andar sem dinheiro no bolso. Nós, os morcões da cidade, habituámo-nos a usar o Multibanco para tudo. Há uns anos atrás, quando uns amigos me foram visitar, quiseram pagar o almoço. Sacam de MB. O Cunha olha para eles e dispara com um sorriso trocista: não tenho MB. Podem pagar-me amanhã, ou ir à vila (7 km) levantar dinheiro.

 

- O combustível é um bem precioso que não nasce onde queremos. Este fim-de-semana tive a visita de amigos queridos. Embalado pela urbanidade, esqueci-me de lhes dizer para abastecer. Mais estúpido ainda, achei que havia uma bomba no Soajo. Não há. Aliás, não há gasolina ou gasóleo entre Arcos de Valdevez e Espanha. Acabámos por não visitar o Soajo e fazer 20 km, muito devagarinho e em pânico de panne seca. Lição: abastecer sempre antes de se armar em visitante do “Portugal profundo”.

 

- O campo tem mais bichos além das galinhas, cabras e outros animais domésticos. É normal que apareçam moscas, pequenos insectos e seus derivados dentro de casa. Nem sempre é fácil explicar aos 100% citadinos que os bichos existem, melhor é conviver com eles. Um escaravelho, uma osga, aranhas, estão lá, os humanos é que invadiram o seu habitat. Somos convidados em sua casa, por isso o melhor é habituarmo-nos e tratá-los com deferência budista.

 

- O abastecimento de gás só existe durante a semana. Se te esqueceres e deixares acabar a botija vais tomar banho de água fria.

 

- Quando a tua casa está num caminho municipal o melhor é não dares coordenadas GPS a ninguém. A maioria dos zingarelhos dir-te-ão que estás perdido ou “caminho desconhecido”.

 

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6 comentários

De Alice Alfazema a 13.08.2013 às 10:29

E é assim que nos apercebemos o quanto somos caprichosos (os citadinos)algumas vezes.

Boa estadia(que inveja)não é que eu não tenha tido encontros imediatos com osgas, durante a semana passada, mas foi em trabalho, assim, em lazer seria muito mais divertido

De Fernando Lopes a 13.08.2013 às 17:48

Fazer um trabalho sobre osgas deve ter o seu interesse. Têm a vantagem (que não é de somenos) de serem um bicho fácil de apanhar.

De Alice Alfazema a 13.08.2013 às 18:17

Não é sobre é com osgas(com gritos, com água, com calor...)elas andam por lá livremente, não teria coragem de as "apanhar", no fundo até que é divertido, principalmente para os que me observamsou um nadinha medricas(muitooooooo)em relação a estes bichinhos, epá, não me consigo controlar(os gritos histéricos, geralmente dou um e depois passa-me, porque tenho vergonha de me por ali aos gritos)no entanto tenho feito progressos e já as consigo ver(sem emitir sons estridentes) a três metros de distância

De Fernando Lopes a 13.08.2013 às 18:26

Em Arcos aprendi o que é um licranço. Um lagarto sem patas, que parece uma pequena cobra e insectívoro. Não os matos pois muita gente coloca uma chapa de zinco nas hortas. Os licranços ficam lá durante o dia para se aquecer. À noite papam os bichos que comem os vegetais. Tudo, mas tudo neste mundo tem um propósito. Só nos é difícil interpretá-lo.

De Carlos Azevedo a 14.08.2013 às 15:13

Estando a passar uns dias numa casa que os meus pais têm numa aldeia de Barcelos, devo dizer-te que não tenho nenhuma deferência budista para com os insectos -- aliás, nem eles para comigo. (Em particular, odeio melgas e elas a mim.)

De Fernando Lopes a 14.08.2013 às 16:01

Melga vs citadino, um longo combate em que sou apenas jurado, já que as gajas não me pegam. No mundo natural parece que todos os animais têm uma função. Confesso que ainda não descortinei a dos mosquitos & familiares.

Zzzzzzzzzzzzzzzzz!
:-)

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