Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Adega dos Caquinhos.

por Fernando Lopes, 7 Ago 13

(foto roubada do Público uma vez que as minhas ficaram miseráveis)

 

A Adega dos Caquinhos, na zona histórica de Guimarães é sobretudo conhecida pela verve da D. Augusta. Não por ser uma artista da língua, mas desbocada e asneirenta. Só pessoas com dificuldades cognitivas se deslocam a um estabelecimento para ouvir palavrões, nem é esse o segredo da D. Gusta. É uma tasca, tasca, sem pretensões a novo-chique. Há dois aferidores da qualidade de um restaurante: o ter ou ser conhecido por nome de gente, e a cozinha à vista. A adega reúne os dois. Guiado pelo Ricardo, um vimaranense que transporta consigo o coração da cidade e das gentes, partimos para conhecer esse ícone da região.

 

A D. Gusta distribui os palavrões só por quem gosta, por isso, se for em busca de “linguagem colorida”, o mais provável é sair com os ouvidos tão limpos como entrou. Em tempos idos, entre amigos, contam-me que eram épicos os duelos verbais entre a D. Gusta, a mãe e a tia, com o falecido marido de premeio. O que encontrei foi um restaurante onde a comida é elaborada à nossa frente, com sabedoria e carinho. Comemos um honestíssimo bacalhau com batata frita, cebolada e um molho que suponho de colorau ou pimento vermelho, acompanhado de um branco que, sem deslumbrar, não envergonha.

 

Encantou-me o lado familiar do estabelecimento. A proprietária, após o almoço, distribuiu conselhos e filosofia de vida com a mesma sabedoria com que confecciona o bacalhau, embora de forma um pouco mais colorida. A empatia que estabelece com os clientes que, como nós, estávamos acompanhados de um “filho da casa” acaba por se tornar prato forte. A comida é boa e a proprietária uma personagem que nos enche e acarinha muito para lá da liberdade de linguagem. Obrigado Gusta, e até breve.


Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

5 comentários

De Daniel Marques a 07.08.2013 às 08:25

Sem que o Fernando dê por isso, as suas recomendações estão a ser guardadas religiosamente para futuras experiências, sem no entanto, querer que se saia com um talher espetado no cu, como alguns parecem gostar de andar.

De Fernando Lopes a 07.08.2013 às 12:08

Meu caro,

Não sou nenhum José Quitério, e como já reparou, gosto mais de pessoas e das suas estórias do que de comida, mas certamente que sairá com o estômago confortavelmente aconchegado e uma ou outra coisa para contar.

Abraço.

De Daniel Marques a 07.08.2013 às 12:13

As estórias e a comida andam a par e ajudam-se a digerir mutuamente. Eu pelo menos gosto mais assim.
Sempre me ensinaram que à mesa é para comer e não para falar. Pois eu venho a contrariar esta máxima desde que me lembro.

De alexandra a 25.09.2013 às 19:20

Bem-haja, Fernando!
Aqui volto a respirar estórias , conforme se pode...pelo de agora saltou-me à vista a Adega dos Caquinhos , por ser um lugar que "fichei" com gosto e recomendo às amizades que visitam Guimarães.
Um abraço e até breve.

De Fernando Lopes a 25.09.2013 às 19:58

Tenho imensos amigos em Guimarães, é quase a minha segunda terra. Tenho muito gosto em ter-te de volta ao estaminé, sobretudo quando consigo sair airosamente, sem levar uma banhada em literatura. ;)

Grande abraço.

Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

  • JOSÉ RONALDO CASSIANO DE CASTRO

    O Pretinho do Japão é citado, como profeta, em Ram...

  • Anónimo

    Quando a sorte é maniversa nada vale ao desinfeliz...

  • M Manel

    Só agora vi a mensagem anterior - note-se que quem...

  • M Manel

    Uma ajuda... Arranja aí uma base para eu poder de...