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Estória do pré 25 de Abril.

por Fernando Lopes, 24 Abr 13

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O pai, por afazeres profissionais, passava a vida entre o Porto e Londres. Como secretário da Câmara do Comércio Luso-Britânica acompanhava e intermediava missões comerciais entre a ilha e o continente. Era um apaixonado por livros e pintura. As suas horas vagas eram passadas no escritório entre livros, máquina de escrever e pincéis. Numa das suas viagens a Londres comprou um livro em inglês sobre a pintura russa no séc. XX.

 

Era um homem de esquerda, não alinhado, e adivinho que a aquisição se deveu mais ao interesse em arte que em política. No entanto, o simples facto de trazer um livro sobre pintores russos foi o suficiente para ficar detido no aeroporto e uma breve passagem pela PIDE.

 

Serve este episódio menor apenas para recordar o quão estúpido era o regime a que alguns ousam tecer póstumos elogios. Se algum palhaço me disser que era preciso outro Salazar, palavra de honra que lhe prego dois tabefes. 

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7 comentários

De Carlos Azevedo a 24.04.2013 às 01:46

E com força, para o palhaço não os esquecer tão depressa.

De Fernando Lopes a 24.04.2013 às 08:08

O prometido é devido.

De Ana A. a 24.04.2013 às 11:08

E esta estória pré lembrou-me umas pós:

- a invasão em avalanche da literatura clássica russa da livraria Civilização que eu comprei (a prestações), e,

- a invasão em abundância de queijo flamengo, que para dar vazão à elevada súbita procura, vinha sem a completa maturação, e que às vezes era intragável,

e já agora: a enorme felicidade em saber que a guerra colonial já não ia levar o meu boyfriend, que foi para fuzileiro da marinha, porque gostava da farda com calças boca de sino (grandes convicções!!).

Abraço

(já que o presente é tão negro, ao menos que se recorde aquele tempo de ingénua esperança.)

De Fernando Lopes a 24.04.2013 às 12:09

Este episódio ficou-me na memória pelo medo que tive, e à posteriori pelo ridículo da situação. A simples menção da palavra “russo” transformava qualquer cidadão em suspeito.

Abraço.

De golimix a 24.04.2013 às 19:42

Vivências diferentes das minhas. Mas o tal espertinho que fale do Salazarismo necessário que conte com mais dois estalos. Que é para não voltar a repetir a graça! ;)

De Fernando Lopes a 24.04.2013 às 19:56

Com um jeitinho ainda somos acusados de intolerância ideológica.

De golimix a 24.04.2013 às 20:07

Olhe que se calhar nem é preciso tanto jeito assim...

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