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A história é simples e autoexplicativa. O meu avô paterno, embora nascido em Entre-os-Rios, fez toda a escola e vida profissional no Porto. Desde os seis anos que acompanhava o pai entre a aldeia de Rio de Moinhos e o Porto. Estudava durante o dia e ajudava o meu bisavô, mestre carpinteiro, no tempo livre.

 

Como regressavam de fim-de-semana à aldeia, apaixonou-se por uma gaiata que viria a ser minha avó. Ele com 20 anos e a avó com 19, casaram e instalaram-se definitivamente na invicta. Ligavam-nos ténues laços à aldeia, e visitávamos os parentes ocasionalmente.

 

Sendo o menino da cidade, era tratado como um pequeno lorde, coberto de mimos por gente de quem já nem o nome recordo. Uma das vezes, para celebrar tão ilustres visitantes, resolveram fazer um arroz de cabidela, especialidade da tia Isaura, irmã da avó. A tia levou-me a um terreno onde as galinhas eram livres, cacarejavam, punham ovos e esgravatavam buracos, rebolando-se depois neles, para "matar o piolho", como então se dizia.

 

Aponta um dos galináceos e diz: vamos comer aquela! Escusado será dizer que, com pena do bicho, fui incapaz de lhe ferrar o dente, perante a estranheza dos restantes convivas. Desde então nunca mais fui capaz de comer nenhum animal que tivesse visto vivo. Já me puseram perante um aquário para escolher lagosta. Obviamente, declinei. Nunca, mas nunca mais, fui capaz de deixar a gula intrometer-se entre mim e um animal vivo.

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6 comentários

De O Abominável Careca a 31.01.2013 às 22:33

Boas Noites,

"Too make a long story short" , és e sempre serás um homem da cidade que nunca compreenderá as mais elementares necessidades básicas do homem, ou seja, alimentar-se sem ter relações afectivas com o animal que irá consumir...
Mas se te serve de consolo também não és o único, pessoalmente se assistisse a uma matança de um animal muito dificilmente o conseguiria ingerir. Somos seres com uma certa sensibilidade que só conseguimos consumir animais pré-embalados!

Um abraço e boas degustações...

De Fernando Lopes a 31.01.2013 às 22:43

Tens razão, quem foi criado no campo, tem uma visão mais utilitária e menos romântica dos animais. Mas eu não me fiz, fizeram-me! :)

De Anónimo a 01.02.2013 às 10:54

Sabes aquela historia do menino a quem a professora pediu para desejar uma galinha?
Pois ele desenhou e fê-lo como toda a vida viu os frangos. Embalados em vácuo...
Pobre menino da cidade...
bj e bom fim de semana
mm

De Fernando Lopes a 01.02.2013 às 11:19

A avó Conceição tinha um galinheiro em que as galinhas morriam de velhas, porque, tal como eu, era incapaz de as matar. Lembro-me de galinhas com 15 anos, sem penas, senis, uma espécie de espectro galináceo. :)
Acho que herdei isso.

Beijo grande!

De Anónimo a 01.02.2013 às 15:46

E eu conhecia um cão que comia galinhas inteiras, penas, bico, tudo... e depois ficava doente, a morrer de enfartamento
mm

De Fernando Lopes a 01.02.2013 às 16:22

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