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Quinta de formigas.

por Fernando Lopes, 30 Jan 13

Todos os dias, no jardim que delimita o interior da rotunda da Boavista, vejo uma mulher correr. Terá cerca de 40 anos, usa um fato de treino discreto. Desconheço o objectivo da senhora, mas o esforço é bem visível no rosto. Um círculo infindável. Não deixo de fazer uma analogia com a minha vida. Corro para levar a miúda à escola, para chegar a tempo ao trabalho, para almoçar, para recolher a cria, para jantar.

 

Se a nossa vida fosse observada do céu, por certo pareceríamos uma enorme colónia de formigas, laboriosas, movendo-se rapidamente de um sítio para o outro, sem sentido aparente. Um bailado patético destinado a assegurar necessidades básicas como abrigo e comida.

 

Corremos, como se pudéssemos fugir ao fado. E, no entanto, ele está lá, atento, rindo dos movimentos que fazemos para assegurar pouco mais que a sobrevivência e perpetuação da espécie. Como numa quinta de formigas.

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2 comentários

De Cláudia Neto a 31.01.2013 às 23:42

Curioso, pois ainda ontem me referi a isto mesmo, ao conjunto das correrias que fazemos, ao que nos move para tal…sem ilusões, pinturas ilustradas e corações cor-de-rosa : DINHEIRO!

De Fernando Lopes a 01.02.2013 às 00:11

Não é só o dinheiro, é também a preservação do clã e a preocupação com os filhos. No meio de tanta modernidade, procuramos o amor e um futuro para as crias. O dinheiro é só um meio para atingir um fim, acho eu...

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