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25.

por Fernando Lopes, 12 Jan 13

Imaginem um decágono com um círculo no centro. Cada um dos lados dava entrada para uma minúscula cabine, dentro da qual existia uma ranhura para moedas. Quando se introduzia a moeda levantava-se uma cortina metálica que permitia ver uma mulher nua ou seminua a dançar em poses lânguidas sobre um círculo que rodava hipnoticamente, exibindo ora o peito ora as nádegas e outras partes da "stripper". Tudo acompanhado por um DJ que passava música melosa e anunciava a troca de modelo. Era assim o peep show da minha juventude, no cimo da rua 31 de Janeiro. Era o 25 porque aquele mundo mágico de erecções instantâneas e exibição de carne era despoletado pela introdução de uma moeda de 25 escudos.

 

No início dos anos 80, para rapazes de classe média, não era fácil o acesso aos prazeres da carne. As possíveis vítimas preservavam a virgindade o mais possível, era difícil levar alguma para além dos beijos e apalpões. Eu, como a maioria dos meus amigos, iniciamos a vida sexual já tardiamente, 17, 18 ou mesmo 19 anos, com namoradas estáveis de meses ou anos, que, uma vez vencida a barreira da desconfiança, finalmente se entregavam. Quando o desejo de ver uma mulher nua para além do papel ou celulóide oprimia, havia sempre alguém que propunha uma passagem pelo 25.

 

Foi casa de vídeo jogos, discoteca, loja de instrumentos musicais. Sempre que por lá passo, entre uma nuvem espessa, surge a recordação do 25. Com um sorriso matreiro, carregado de melancolia.

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