Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Amour. O amor pode matar.

por Fernando Lopes, 10 Dez 12


[este post é um spoiler. Se pretende ver o filme, ignore-o.]

 

Um casal de octogenários, ex-professores de música, pessoas cultas e educadas, vivem uma tranquila existência parisiense, entre a música e os livros. São respeitados, e alguns dos seus alunos tornam-se executantes prestigiados de música clássica. Têm uma filha e um genro também profissionalmente ligados à música. Anne sofre um ataque que a deixa paralisada do lado esquerdo. Ao regressar a casa obriga o marido Georges, a prometer que nunca a irá hospitalizar ou colocar num lar de terceira idade. Este, cumpre-a, mas a saúde de Anne degrada-se novamente, ficando num estado semi-demencial, aprisionada a uma cama. Georges mantêm-se fiel ao seu amor, mas num momento de desespero, sufoca-a com a almofada. Veste-a, rodeia-a de flores com uma deusa e parte para não mais ser encontrado. Presume-se que se terá suicidado, ou simplesmente deixado morrer.

 

Um filme num ritmo lento, rodeado de pequenas cenas da vida doméstica, que nos deixa uma questão clássica: é legítimo que, por amor, desespero, egoísmo, ou uma combinação dos três, possamos terminar com a vida de alguém que nos é querido e perdeu a capacidade de decidir? É um acto de amor ou de egoísmo? Devemos prolongar a agonia de quem amamos pelo prazer egoísta de o(a) termos junto de nós por mais algum tempo? Responda quem souber. Eu não sou capaz.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

4 comentários

De Uma Rapariga Simples a 10.12.2012 às 11:05

Eu também não. A combinação amor/morte, em primeira ou terceira pessoa, continua a confundir-me e a tirar-me o sono. Não sei se há coragem ou cobardia.

De Fernando Lopes a 10.12.2012 às 11:59

Não sei avaliar, mas penso que estará muito relacionado com uma perspectiva religiosa da vida como valor sagrado sob quaisquer circunstâncias. Uma mente sã aprisionada num corpo que não tem nenhum tipo de autonomia deve ser a maior angústia que um ser humano pode suportar.

De O Abominável Careca a 10.12.2012 às 21:06

Boas Noites,

De facto é um tema mais do que pertinente e actual. Com o envelhecimento generalizado da população surgem problemas que versam sobre a dignidade humana e as dúvidas sobre o que é ou não razoável é amplamente discutível e pernicioso! É deste tipo de "fim" que eu tenho verdadeiro medo! E Como o próximo fim de semana irá ser dedicado à sétima arte, agradeço a sugestão!

Um abraço e continuação de boa semana...

De Fernando Lopes a 10.12.2012 às 22:03

Já te estraguei o filme, mas não foi por falta de aviso. É triste, lento, dramático como a velhice que retrata. E lembra-te "always watch good moves!".

Abraço.

Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback