Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cabelos longos.

por Fernando Lopes, 8 Dez 12

Olho-me ao espelho. Aprecio os cabelos longos, brilhantes. Lavo-os todos os dias, uso amaciador, secador. Quase uma hora por dia é dedicada a esse ritual. Por causa deles já me chamaram paneleiro, drogado, freak, maltrataram a minha mãezinha, andei à pancada. Nada disso interessa, adoro tê-los longos, principalmente em dias de vento. São uma extensão da personalidade, do coração, da alma. Um símbolo de rebeldia e liberdade. A avó ofereceu-me 5.000$00 para os cortar, uma pipa de massa. Recusei. As dificuldades que a família atravessa obrigam-me a ir a uma entrevista de emprego, sei que não posso aparecer com cabelos que não são cortados há um ano e meio. Não seria bem aceite, estávamos em 1987. Não disse nada à avó, fui cortar o cabelo. Aceitaram-me para o emprego, passei a ter um ar respeitável, mas nunca mais senti a liberdade algo selvagem que uns cabelos longos agitados pelo vento proporcionam.

Autoria e outros dados (tags, etc)

4 comentários

De Ana A. a 09.12.2012 às 22:08


Adivinho o seu sofrimento nessa altura, pois além da privação do cabelo, foi um passo (talvez o 1º), para a sua "integração/rendição" ao sistema.

Abraço

De Fernando Lopes a 09.12.2012 às 22:43

Tem toda a razão. Foi uma espécie de rendição a uma tribo na qual, ainda hoje, não me integro. Mas também tenho culpas no cartório, pois deixe-me seduzir pelo vil metal em vez de lutar pelos meus sonhos.

Abraço.

De Uma Rapariga Simples a 10.12.2012 às 11:08

Que o facto de ser mulher me acrescente alguma felicidade, como a de poder ter os cabelos quase pela cintura e ninguém implicar com isso. :)

O meu irmão mais velho passou por experiências semelhantes, houve até avós que proibiram os netos de se dar com ele porque de certeza andava na droga, para mais tinha uma mota e usava camisas de flanela aos quadrados.

O que é certo é que ele tinha um cabelo lindo, lindo, que eu lamentava não ter igual.

De Fernando Lopes a 10.12.2012 às 13:03

Agora imagine o impacto há quase 30 anos. Era uma espécie de Coverdale de trazer por casa. Ainda hoje me sinto uma espécie de prostituta! ;)

Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback