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À tua volta pululam novéis licenciados à bolonhesa. Recordas o tempo em que entrastes para a faculdade pública com a honrosa média de 14,6. Escolheste Filosofia porque sim, era cool, o Daniel e o Zé Alas também andavam por lá. Vem-te à memória tempos felizes, despreocupados, em que lias ficção científica à noite, ias às aulas de manhã, namoravas à tarde. Eras magro, de olhos castanhos esverdeados e longos cabelos que tratavas com cuidado. Lembras-te que a ocupação da tarde era esperar a namorada, então escriturária, na paragem de autocarros do Bolhão. Está-te presente como hoje o dia em que o teu pai se despediu, com o orgulho ferido. Como morreu por dentro. O momento em que, revoltado com o mundo, te disse que não valias nada porque não ganhavas dinheiro. O emprego que a tua mãe te arranjou, os estudos pendurados por duas cadeiras. Mas sorris. Não ganhavas o dobro dos teus colegas que iam parar direitinhos à máquina trituradora do ensino? Não bebeste mais, amaste mais, viveste mais? Coloca as coisas em perspectiva. Antes um boémio feliz ontem que um dr. triste hoje.

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8 comentários

De Ana A. a 06.12.2012 às 13:39

Fernando

Fez com que me viessem as lágrimas aos olhos!

(Todos nós temos feridas que nunca cicatrizaram)

Mas ainda bem, que o final do texto me fez sorrir.

Abraço

De Fernando Lopes a 06.12.2012 às 14:21

Querida Ana,

Obrigado pelas suas palavras. Nem sempre é possível, mas tento não ficar ressentido com a vida.

Abraço.

De Uma Rapariga Simples a 10.12.2012 às 11:19

As nossas vidas não podem ser comparáveis entre si, porque não podem mesmo. É o equilíbrio entre os ganhos e as perdas que nos fará entender se ela valeu ou não a pena, porque todas as decisões nos farão felizes e infelizes.

Mais do que ser doutor, mais do que ser visto como bem sucedido, é sentir-se bem sucedido, é saber que contas feitas valeu a pena.

Diz-lhe isto quem ouviu da boca do pai que tinha escolhido um curso da caca (com outras palavras) e que às vezes ouve umas bocas da avo porque ainda não atingi o topo daquilo que ela considera certo e por isso me remeteu à caixa dos fracassos de que não vale a pena falar.

Um dia hei de chegar lá, hei de ter muito dinheiro e um grande carro, em vez de um clio em 3ª mão a precisar de descanso eterno, e ela há de poder gabar-se para as velhotas todas. Ou então não, mas hei de ter certamente coisas a que ela não dará valor e são fundamentais para mim.

Entretanto, a minha cozinha caminha a passos de bebé para uma coisinha melhor e os meus canudos estão fechados dentro de um armário, para não apanharem pó. :)

De Fernando Lopes a 10.12.2012 às 13:09

Diria que se o sucesso é dormir descansado, com o sentido de dever cumprido e o certeza de sermos boas pessoas, então somos casos de sucesso, no matter what.

De raquel a 24.12.2012 às 12:02

acho que vou tornar o seu espaço um dos meus blogues preferidos.

De Fernando Lopes a 24.12.2012 às 12:17

Apareça sempre e seja impiedosamente crítica. E bom Natal!

De raquel a 24.12.2012 às 16:11

Tentarei, mas é difícil ser crítica quando se gosta muito. Boas Festas :)

De Fernando Lopes a 24.12.2012 às 17:04

Ó pra mim a rebentar de vaidade. Boas festas!

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