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déjà vu

por Fernando Lopes, 30 Jan 11

"Só porque agora as coisas vão visível e temporariamente menos mal do que antes, criou-se o mito de que Portugal vai bem. Mas na realidade não vai. Pouco importa se olhamos de fora ou de dentro para realizarmos que o suposto bem-estar actual é um bem-estar de pechisbeque. Com consequências muito desagradáveis para as gerações futuras, a quem será apresentada a factura.

E não se podem ajuizar as condições de vida de um povo medindo-as pela quantidade de jipes dos novos-ricos e dos quase-pobres. Para isso o ridículo de alguns actos governamentais, a corrupção impune, os mendigos nas ruas e as filas de espera nos hospitais, são um índice mais seguro.

Portugal, sabem-no em demasia os políticos e os economistas, é um país endividado, a viver de créditos e que, produzindo pouco e significando pouco, se regozija de num ou noutro ano ser menos pobre do que a Grécia.


É um país que não investe na educação, mas nos todo-o-terreno, e onde os bancos e os ricos conseguem o milagre de pagar uma percentagem de impostos inferior à do operário."



Estas palavras, que magoam de actualidade, foram ditas em 2001, pelo inevitável J. Rentes de Carvalho. Duvido que o Mestre possua uma varinha de condão, ou dons divinatórios concedidos por uma qualquer pitonisa. Mas a combinação de uma inteligência aguda, espírito crítico, capacidade de análise e experiência de vida podem fazer com que se veja muito à frente do seu tempo.

Não lhe invejo a sorte, pois se ás vezes lhe leio enfadado e angústia, compreendo agora o porquê.

Tudo lhe deve parecer um enorme "déjà vu". Escritos seus como "Portugal, a Flor e a Foice", permanecerão nas gavetas, por demais incómodos para serem publicados.
Mas temos de amar este homem singular e respeitar a sua obra. São um património que inevitavelmente acabará reconhecido por todos.

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4 comentários

De Fenix a 30.01.2011 às 13:57

"Mas a combinação de uma inteligência aguda, espírito crítico, capacidade de análise e experiência de vida podem fazer com que se veja muito à frente do seu tempo."

Uma pergunta que me faço, há muito:
Porque será que nos lugares-chave, que decidem os destinos dos povos, estas qualidades não estão presentes?! Serão elas incompatíveis com os cargos ou existindo acabam por ser sufocadas, pelos sistemas?

Se assim for, estaremos condenados a lutar sistematicamente contra o poder (ou a subjugarmo-nos)...

Abraço
Ana

De Fernando Lopes a 30.01.2011 às 14:18

Ana,

Na minha humilde opinião os sistemas ocidentais, e o nosso em particular são dominados pelo que se poderia designar por partidocracia.
Ora como a Ana bem sabe, espírito crítico, pensamento independente, distancimento da corrente dominante, são qualidades malditas nos partidos.
Interessa é o look, as fidelidades, as conspirações de esquina.
Obviamente nenhum ser pensante, com um mínimo de amor próprio se digna a participar nestes jogos florais.
Daí que ache que os partidos afastam os nossos melhores, e potenciam o servilismo, a escroqueria e o carneirismo.

Basicamente, a verdadeira elite, não quer fazer parte desta imensa pocilga que são os partidos.

Estamos condenados a ser governados por telegénicos medíocres, vide PP Coelho e Sócrates.
Abraço,
Fernando

De pedro a 30.01.2011 às 18:22

Há dias o Ricardo da Dalila publicou no FB um "pensamento" q eu tmb partilhei e dizia +/- isto: Nunca contes a ninguém os teus problemas prq 20% nem querem saber e os restantes 80% até ficam satisfeitos por tu os teres. Posto isto, este é infelizmente é o q nos toca nas preocupações em relação aos outros, somos e contuinaremos a ser um povo q se está a borrifar pr o seu semelhante e claro está a ter os olhos mais virados pr o seu próprio umbigo...

De Fernando Lopes a 30.01.2011 às 20:57

Pedro,

Isso é instinto básico. Compete-nos ver mas além.
Este senhor é um grande escritor e um homem com uma capacidade de análise invulgar.

Abraço,
Fernando

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