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Cemitério de elefantes.

por Fernando Lopes, 29 Out 12

O mito do cemitério de elefantes não é totalmente falso. Os animais mais velhos não conseguem acompanhar o ritmo da manada e vão ficando para trás. Por outro lado, a vegetação que faz parte da sua dieta habitual é demasiado dura, causando dificuldades extra aos animais seniores, com as presas e dentição muito desgastadas. Assim, debilitados, buscam locais com vegetação baixa e tenra, onde o tempo corre inexorável. Morrem muitos, muito velhos, em áreas relativamente restritas.

 

Vieram-me estes factos à memória porque Portugal arrisca-se em muito pouco tempo a transformar-se num gigantesco cemitério de elefantes. Ontem, num jantar de amigos, muito consideravam a hipótese de emigrar. Uns para o norte da Europa, outros para o Brasil. Não estou a falar de jovens recém-licenciados, o que seria certamente grave, mas de profissionais prestigiados, alguns a ocupar lugares de chefia. A falta de perspectivas, os baixos salários, a perseguição política, levam gente de reconhecido mérito e talento a colocar seriamente a hipótese de abandonar a sua terra natal.

 

Ficaremos por cá meia dúzia. Uns porque romanticamente preferem combater antes de desistir, outros, como eu, demasiado velhos para iniciar uma nova vida.

 

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11 comentários

De Ana A. a 29.10.2012 às 00:17

Com esta imagem do cemitério dos elefantes ocorre-me fazer um paralelismo com o que foi os primórdios da humanidade, na sua fase recolectora: ou seja, no nosso próprio país ou fora dele, desejamos "colher" para viver, depois de tudo colhido partiremos em busca de novos "pastos! Até quando?!

Abraço

De Fernando Lopes a 29.10.2012 às 09:16

Sou intransigente na defesa dos meus amigos, e asseguro-lhe que não é o caso. Trata-se provavelmente de uma segunda vaga de emigração de pessoas entre os 30 e 40, altamente qualificada e com carreiras bloqueadas pelas mais variadas razões.

Abraço.

De luís carlos esteves peixoto a 17.08.2014 às 16:42

Estamos no fim duma ordem mundial. Por instinto, que não por informação colhida de forma científica, até porque não me movimento em ambientes académicos ou elevadamente intelectuais e porque sou um indivíduo que vive a sua existência em plena solidão, atitude tomada em função dos diálogos tidos com os meus semelhantes se terem tornado tediosamente repetitivos, preconceituosos e defensores de soluções na continuidade, concluo que: Toda a dinâmica Universal é cíclica e repetitiva. Na verdade, tudo são vibrações com as suas ascendências e decadências que as caracterizam . Esta fase da nossa existência é o começo dum processo iniciado a alguns anos e que vai levar-nos à catástrofe. Depois, um novo dealbar. Um novo período de estabilidade e algum tempo decorrido, uma nova crise, um novo estado patológico consubstanciado na ganância que será igual à que agora grassa. Assim será através dos tempos, até que a raça humana, falaciosa maravilha da Natureza se extinga...

De Fernando Lopes a 17.08.2014 às 20:12

Também não possuo conhecimentos especiais ou dons divinatórios. Preferiria progresso humano em vez de solavancos, ascensão e queda.

De luís carlos esteves peixoto a 17.08.2014 às 23:10

Caro Fernando Lopes. Para lhe responder à réplica dirigida meu comentário, vejo-me na necessidade de entrar nalgumas considerações de carácter filosófico: Certamente conhece a corrente ''Determinista'' que advoga o conceito que a Humanidade não está capacitada para exercer o chamado livre arbítrio, pela simples razão que todas as nossas atitudes são inexoravelmente condicionadas por toda a vivência anterior. Simplificando, cada efeito é originário duma causa. Toda esta divagação tem por finalidade demonstrar-lhe - segundo as minhas convicções - que as nossas preferências não passam duma ilusão. Uma PREFERÊNCIA faz subentender uma escolha Nunca escolhemos: Somos levados a pensar e a actuar de acordo com os condicionalismos interiorizados pela vivência passada !... Resumindo, toda a dinâmica Universal, qual ''Moto Contínuo'' processa-se de forma inalterável e eterna. Nós ou seja: ''O Homem'' não passa de um breve estado da matéria, detentor duns imperfeitíssimos e limitados cinco sentidos, através dos quais nos julgamos detentores da verdade quando na realidade temos a consciência preenchida por uma cadeia de inverdades e inconsistentes convicções. Resumindo e simplificando, não somos mais do que ínfimas peças condicionadas a existir de forma não actuante mas condicionada. A partir daqui impunha-se a fantasiosa ideia de deus, mas isso pode ficar para outra conversa. 

De Fernando Lopes a 17.08.2014 às 23:43

O comentário não pretendia ser uma réplica, antes um desejo. A utopia de um ser humano intrinsecamente bom, à maneira de Rosseau, já a não tenho. Mas gosto de pensar que para além de todos os condicionalismos, culturais, económicos e sociais, o homem tem a noção de bem e de mal, algo único, e que a soma das partes da humanidade é mais grandiosa que o seu todo. Saber que nos superamos pela ética é o suficiente para me permitir uma centelha de esperança na humanidade, caro discípulo de Schopenhauer. ;)

De luís carlos esteves peixoto a 18.08.2014 às 22:41

Caro Fernando Lopes. Antes de tudo, quero explicar-me relativamente à questão que me levou a considerar a sua opinião uma réplica: Usei tal termo pela diversidade da sua opinião em comparação com a minha, acerca do percurso do Homem no seu contexto social. Fiquei com a sensação que da sua parte o termo foi considerado como uma atitude de arrogância da minha parte, o que o levaria a julgar que eu me estaria a colocar numa posição sobranceira em relação à sua opinião. Se tal aconteceu, para além do meu pedido de desculpas, faço votos para que fique ciente que quando troco pontos de vista de carácter sociológico, antropológico ou mesmo filosófico, parto sempre do princípio que as opiniões não passam de puras especulações. Como apologista de teoria ''Determinista'' - situação que já explicitei num comentário anterior - todo o feedback recebido sempre me merece a maior consideração, pois é inevitavelmente o eco da opinião do meu interlocutor. E a dita opinião recebo-a sempre com a máxima atenção, pois ela é consubstanciada numa vivência diversa da minha, logo uma lição de vida para o conhecimento que vou recolhendo ao longo da existência acerca das experiências existenciais do meu semelhante. Partindo deste princípio, não há boas ou más opiniões; coesistem sim pontos de vista diferentes. E isso é que contribui para a riqueza da comunicação entre os homens. Agora, voltando à questão da esperança duma sociedade melhor, arrisco-me a considera-lo um optimista. Eu, como já me rotulou acerca das minhas convicções e disciplina filosófica, andou lá perto. No entanto, informo-o que hoje já é tarde demais para ficar por Schopenhauer. Sou um pouco mais radical e desiludido com a Humanidade, com os seus instíntos e com o seu despresível destino. Hoje, estou mais de acordo com Nietzsche, com os Sofistas e acima de tudo com Albert Camus. Na verdade, sou um pessimista. No entantanto, quero recordar-lhe que todo o pessimista começou por ser um optimista...


(http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=3&cad=rja&uact=8&ved=0CDcQFjAC&url=http%3A%2F%2Fwww.citador.pt%2Ffrases%2Fcitacoes%2Fa%2Ffriedrich-wilhelm-nietzsche&ei=MWjyU_XxN4Wc0QWy84DICA&usg=AFQjCNEAkT-wSeXG_5vH2aqq3Zrb2vv1cg&sig2=mDLYDuZrLB-wDVIzvsj8CQ&bvm=bv.73231344,d.d2k)

  

De luís carlos esteves peixoto a 29.08.2014 às 00:04

A solução foi simples. O criador do sisdema limitou-se a adaptar  as velhas linhas rotativas que rodavam - já no século XIX - as locomotivas a carvão que eram sujeitas às revisões periódicas nas respectivas oficinas ferroviárias. A genialidade encontra-se na associação duma técnica bastante antiga a outra contenporânia.

De luís carlos esteves peixoto a 29.08.2014 às 00:16

Como é evidente, este assunto nada tem a ver com todos os textos precedentes. Daí o meu pedido de desculpas.

De Fernando Lopes a 29.08.2014 às 01:00

Confesso que me pareceu descontextualizado. Não tem que se desculpar, enganar-se é a mais humana das actividades.

De luís carlos esteves peixoto a 29.08.2014 às 02:48

Caro Fernando Lopes. Na verdade, a descontextualização é fruto duma gafe que aconteceu porque estava a comentar uma imagem no Facebook. Na realidade, sou um homem não velho, mas antigo: Tenho 72 anos, e como é natural, encontro-me no  estádio inexorável da degradação - talves mais física que mental - o que me limita varias capacidades ligadas aos sentidos sendo o mais afetado a visão, o que me obriga a utilizar uma lupa para enchergar o que vai acontecendo no monitor e às vezes acontecem asneiras deste e doutros géneros. Pelo ridículo da questão, mais uma vez me penitencio pelo acontecido. Aceite os meus cumprimentos. Luís Carlos 

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