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Os novos ciclistas

por Fernando Lopes, 6 Set 12

No tempo em que os animais falavam, os ciclistas eram essencialmente trabalhadores da construção civil. Tinham umas enormes bicicletas pretas com um ar que agora se designaria por vintage. Circulavam calma e cuidadosamente, tinham luz atrás e à frente, uma matrícula amarela que indicava uma licença da câmara municipal e conhecimentos básicos do código da estrada. Não tenho saudades desse indicador de pobreza, mas uma coisa é certa: este utentes da estrada eram, de forma geral, extremamente cuidadosos.

 

Estão a surgir nas cidades uma nova espécie de utilizadores da bicicleta: o ecociclista "estou-me a marimbar para os automobilistas". Caracterizam-se por preocupações pelo meio ambiente e não por dificuldades económicas. Passeiam-se em bicicletas de largas centenas de euros. Como são, na sua esmagadora maioria, ex-automobilistas armados ao cágado, comportam-se como se fossem ao volante de um carro. Andam nas faixas dos automóveis, ocasionalmente a grandes velocidades e são particularmente temerários, uma vez que na sua cabeça vazia ainda estão rodeados de chapa, airbags, ABS, DSC e dispositivos similares.

 

Ainda ontem, uma destas aves raras subia no sentido Praça da Galiza-Rotunda, a rua Júlio Dinis. Para quem não conheçe trata-se de uma subida acentuada. O caramelo circulava na faixa dos automóveis (a da direita é faixa de BUS), mantendo atrás de si uma fila de seis ou sete automóveis em 1ª. Fica claro que o que este marmelo poupou em emissões de CO2, foi consumido pelos carros, civilizadamente e sem buzinar, atrás da eminência parda. Resultado da pegada ecológica nulo. Sem referir o perigo que esta opção encerra nas grandes cidades e vias saturadas de trânsito.

 

Depois, uma docente da Universidade do Minho de apelido Pereira, completamente alheia à morfologia das nossas cidades, recomenda o uso de bicicleta para crianças a partir dos 6 anos. Ou é inconsciente, sócia de Ana Pereira, proprietária da Cenas a Pedal, ou tem muito pouco amor aos filhos. Isto não é a Holanda minha senhora.

 

Já agora, será o erário público a contribuir para estes estudos brilhantes, ou é só trabalho nas horas vagas?

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2 comentários

De bibónorte a 06.09.2012 às 23:11

Essa senhora vive na estratosfera, só pode! :)

De Fernando Lopes a 07.09.2012 às 00:05

Nada contra as bicicletas tudo contra a ecologia como moda. Li algures que a percentagem de poluição causada pelos automóveis pouco ultrapassa os 2% do total. A produção de gado para consumo humano é muito mais poluente que os carros. Coma-se menos carne e mais vegetais e estaremos aí sim a ser ecológicos.

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