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Escribo en una lengua extraña

por Fernando Lopes, 13 Ago 12

Escribo en una lengua extraña. Sus verbos,
la estructura de sus oraciones de relativo,
las palabras con que designa las cosas antiguas
-los ríos, las plantas, los pájaros-
no tienen hermanas en ningún otro lugar de la Tierra.
Casa se dice etxe; abeja erle; muerte heriotz.
El sol de los largos inviernos, eguzki o eki:
el sol de las suaves y lluviosas primaveras,
también eguzki o eki, como es natural;
Es una lengua extraña, pero no tanto.

Nacida, dicen, en la época de los megalitos
sobrevivió, lengua terca, retirándose,
ocultándose como un erizo en este lugar
que ahora, gracias precisamente a ella,
muchos llamamos País Vasco o Euskal Herria.
Sin embargo, su aislamiento no fue absoluto:
gato es katu; pipa es pipa; lógica es logika.
Como concluiría el príncipe de los detectives,
el erizo, querido Watson, salió de su madriguera
y visitó muchos lugares, y sobre todo Roma.

Lengua de una nación diminuta,
lengua de un país que no se ve en el mapa,
nunca pisó los jardines de la Corte
ni el mármol de los edificios de gobierno;
no produjo, en cuatro siglos, más que un centenar de libros:
el primero en 1545; el más importante en 1643;
el Nuevo Testamento, calvinista, en 1571;
La Biblia completa, católica, allá por 1860.
El sueño fue largo, la biblioteca breve;
Pero, en el siglo veinte, el erizo despertó.

 

(Bernardo Atxaga, Nueva Etiopía, El Europeo, 1996)

 

Despertou-me uma enorme curiosidade este escritor basco, que insiste em escrever na sua estranha língua pátria. Apenas encontrei uma das suas obras traduzidas para o português "Memórias de uma Vaca", e mesmo assim, esgotado. Descobri na Amazon espanhola o livro "Obabakoak". Vou pela primeira vez ler na língua de Cervantes. A ver como me saio na experiência.

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5 comentários

De tia altisidora a 24.08.2012 às 09:24

Dicho francés: "Hablar francés como una vaca española".......

De Fernando Lopes a 24.08.2012 às 18:32

É profundamente estranho que uma língua tão antiga tenha tão pouca obra escrita. Porque será?

De alexandra a 13.12.2012 às 11:43

Olá, Fernando!

Não sei como seria a experiência com "Obabakoak ". Casualmente vi o filme duas vezes na televisão e gostei.
Tenho vários livros de Atxaga em casa. Obras como "El hijo del acordeonista" o "El hombre solo", têm a sua valia no contexto histórico da sociedade vasca.
Outra obra preciosa que gostei imenso de ler foi "No soy de aqui" de Joseba Sarrionandia (foi um acertado presente de aniversário).
A propósito também de escritores vascos , estes dias leio "Piel Roja" de Juan Gracia Armendáriz . Deste autor é o primeiro livro que leio. É um leccionador percurso no mundo da doença.
Boas leituras e Bem-Haja.

De Fernando Lopes a 13.12.2012 às 13:49

Uau! Confesso-me esmagado. Nem sequer sabia que o livro tinha dado origem a um filme. Devo confessar que sou um leitor mediano e fraco conhecedor de literatura. O que me deslumbra são as estórias, sou absolutamente fascinado por elas. Ainda não comecei o livro porque entretanto já meti Don DeLillo, J. Rentes de Carvalho e Paul Auster pelo meio. Na minha insignificância (sei que não foi propositado, mas colocou-me no lugar), agradeço os seus conselhos. Haverá muito por desbravar no que diz respeito à literatura vasca. Muito, muito obrigado pela partilha. Incluído está um enorme abraço.

De alexandra a 13.12.2012 às 14:17

Fico eu agradecida com o intercâmbio. Tenho uma -digamos- assinatura pendente com J. Rentes de Carvalho. O tempo não me dá para muito, mas já vai sendo hora de arranjá-lo para conhecer um pedacinho das suas obras.

Esse abraço.

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