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E que tal entaipar Rui Rio?

por Fernando Lopes, 20 Jun 12

 

Quando miúdo passava os fins de semana na Constituição. O jardim do Marquês era o espaço verde por excelência daquela zona densamente urbanizada. Lá existia uma biblioteca. Pouco mais que um quadrado, uma pequena sala, a abarrotar de livros. À época os mais procurados eram os álbuns de banda desenhada. Entre uma futebolada e outra, passei ali bons momentos. Uma biblioteca infantil, num jardim. Devo confessar que há anos não passo pelo local, mas guardo boas memórias desses tempos em que líamos o Astérix e o Lucky Luke num local público. Activistas quiseram reactivar o espaço, entretanto abandonado. Rui Rio não quer que as crianças leiam. Podem ter ideias. Imaginar. Sonhar. Recorre-se ao expediente do costume. Tal como na Fontinha, tudo pode estar abandonado até que um qualquer grupo tenha uma ideia para o espaço. Aí, o palhaço, mandar entaipar. Antes abandonado do que utilizado. Quem exerce a cidadania são criaturas muito perigosas.

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16 comentários

De alexandra a 22.06.2012 às 12:18

Quantas mentalidades governativas a vetar oportunidades de espaços culturais construtivos para a juventude e por outro lado, fazendo uma ponte, olhe-se como há quem ocupe praças e ruas para reforçar a transmissão nas crianças de ideias preconcebidas de índole racista, para que os miúdos joguem a matar ciganos, em lugar de dedicar-se a actividades culturais mais elevadas.

http:/ www.lavozdegalicia.es /noticia galicia /2012/06/21 policia-vigo-recrea-robo-ladron-acento-gitano /0003_201206G21P11991.htm

http:/ www.lavozdegalicia.es /noticia galicia /2012/06/22 gitanos-ven-desafortunada-recreacion-robo-vigo /0003_201206G22P7991.htm

O Fernando desculpe-me estas pontes mentais, mas como os desígnios formativos duma criança parecem tão manipulados pelo sistema que, quando menos, causa tristeza ver estes espectáculos. Em suma, trata-se de entaipar escolas, bibliotecas e ainda pior, mentes infantis. Mil crianças a "aprender" sobre delinquência....
Cumprimentos e toda a boa sorte.

De Fernando Lopes a 22.06.2012 às 13:54

Alexandra,

Retirar autonomia, raciocínio, livre arbítrio e liberdade criativa às crianças, faz parte do processo em curso. Os adultos são amestrados através do medo, com os infantes o processo começa nos bancos de escola. Cabe-nos, enquanto educadores resistir à moda do pensamento único e transmitir esses valores às nossas crianças. Eu tento.

Abraço

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