Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Olé!

por Fernando Lopes, 15 Mai 12

 

A questão da proibição das touradas, divide-me. Como português, fui habituado a vê-las desde a infância. Existe crueldade e encantamento neste espectáculo. Nem sempre é possível a vitória do toureiro. Além do mais, detesto proibicionismos. Principalmente bacocos. A tourada é rejeitada como forma de arte ou fazendo parte da cultura de um povo. No entanto após uma manifestação em frente a uma praça de touros, a maioria dos exaltados protestantes não se coíbe em comer uma bifana ou uma perna de frango.

E um crime maior que as touradas é a produção industrial de animais. Os porcos são, na maioria das vezes criados em espaços exíguos, onde logo após o nascimento, são retirados às mães os leitões. A razão é simples. As reprodutoras encontram-se sobre tal stress que, se não forem rapidamente afastados, os filhos serão mortos pela mãe. A crueldade no transporte de gado é assustadora. Mas essa não se vê na TV. Quem se manifesta contra as lides taurinas segue, na sua maioria, a teoria do longe da vista, longe do coração. Aceito esta posição quando integrada num modo de vida vegan, não aceito moralismos quando não faz parte de um todo coerente.

 

Não comi carne durante dois anos. Por opção. Porque vi e revi documentários que mostram que a maior violência sobre os animais não é exercida na arena, mas nos estábulos, pocilgas e aviários. Afinal um touro bravo é criado livre, sofre durante uma hora. Um animal dos que comemos sofre durante toda a sua curta vida. Se reencarnasse, podem crer que preferia ser touro.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

2 comentários

De Margarida Alegria a 17.05.2012 às 20:01

Não podia estar mais de acordo com este post (chiiiu! nem devia dizer, pois é politicamente incorrecto e coisa e tal, LOL).
Respeito os animais e as associações defensoras dos mesmos. Mas aquelas que os recolhem e tratam deles e lhes arranjam dono , não aquelas que apenas querem libertar alguns animais sabe-se lá por que selvas. como as que querem acabar com os animais de circo porque é indigno, em vez de vigiar se têm condições de vida, mas que não se indignam contra a caça desenfreada de tigres ou rinocerontes para lhes extrair uns dentes e ossos para mezinhas chinesas. Estas anti-touradas também são só mais uma moda, como outra qualquer...
Foi até ridículo e muito comveniente para o nosso Primeiro-M. que, num país tão cheio de problemas, o movimento que ganhou direito a entrevista com PPC ter sido o... Movimento Anti-Tourada! sintomático da loucura do país.
Não aprecio muito as touradas e sou firmemente contra as touradas de morte, que acirram a sede de sangue da populaça, mas acho interessante alguma da tourada à portuguesa: a elegância dos cavalos lusitanos, bem treinados como tudo e sobretudo os forcados!
Aí não podem dizer que não há respeito pelo touro nem igualdade, com meia dúzia de loucos a enfrentar a "fera" de meia tonelada... de mãos vazias, corpo a corpo.
Claro que não os gosto de ver a sangrar, aos touros e acho que aquelas farpas poderiam ser substituídas por algo mais simbólico (tinta? Ventosas? eheh!), mas sabendo o que se sabe sobre as mortes em metadouros e como as galinhas poedeiras e outras são massacradas em abafados aviários (toda a vida, como dizes!) enquanto os touros são criados livremente em lezírias, não percebo por qual dignidade clamam esses movimentos.
Com o tempo, passei a encarar as touradas à portuguesa como um possível resquício, quem sabe, pois não sei o seu historial, da matança do "boi" melhor e mais gordo por uma comunidade: primeiro vêm os campinos amansar o touro na arena, depois, chega o senhor das terras, no seu cavalo branco, com direito a dar as estocadas primeiras, para que o touro possa depois ser dominado. Finalmente chegam os aldeãos, personificados nos forcados, que dominam o touro à mão, para depois o matar e distribuir a carne da época por toda a comunidade que a criou. Assim como a matança do porco, com outro ritual.
Dizem que acabar com as touradas acabaria com os touros como raça e talvez os criadores tenham razão.
Já gostei mais da carne do que gosto, por vezes enjoa-me, evito, mas não é com campanhas dessas que se defende os animais.
Pior são as lutas de cães , enraivecidos e treinados para a violência e para apostas horríveis, e não vejo esses movimentos manifestarem-se contra elas. São ilegais, as touradas legais, mas mesmo assim a luta deveria ser maior para proteger os cães do que para proteger esses touros, que me parecem sempre bem saudáveis, apesar de tudo.
Bem, já escrevi de mais e mais haveria a dizer. Considero, em suma, que essas pessoas tão solidárias deveriam sobretudo manifestar-se contra a vergonhosa existência, ainda, de crianças a morrer de fome e a viver sem condições em todo o Mundo, mas claro que isso deveria mexer com muita consciência de quem fecha os olhos a tanta guerra e ganância, a tanto ditador maior ou menor. Obrigava muitos a gastar menos e ser um pouco mais frugais(não só em comida mas no geral), a querer outro mundo, melhor, e...não apenas a aderir a certo folclore mais mediático e confortável!
Abraço!

De Fernando Lopes a 17.05.2012 às 20:22

Margarida,

Eu gosto muito de animais e respeito-os. Mas sou cúmplice com atrocidades quando os como, e estou bem consciente disso. E há ainda os testes a químicos e outros também com os nossos irmãos do mundo natural. É mais importante defender a dignidade dos animais do que ser contra a tourada. Ou então caímos em coisas ridículas como a PETA, que compra lagostas aos mariscadores para as libertar. O maior respeito que lhes podemos mostrar é exigir boas condições na sua criação e tratamento. Minoraria muito sofrimento desnecessário.

Abraço,
Fernando

Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

  • Fernando Lopes

    Sempre a considerá-lo sr. dr. soliplass. Digamos q...

  • soliplass

    Ora bem vindo seja às lides blogosmáticas, que sau...

  • Fernando Lopes

    Nunca nada é linear, então no amor é melhor nem fa...

  • Fernando Lopes

    Sempre certeira, Gaffe. Por essas e outras é que t...