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Abril em Maio

por Fernando Lopes, 1 Mai 12

 

Recordo-me bem do 1º de Maio de 1974. Suponho que terá sido a manifestação mais participada de sempre. Nesse dia os portugueses materializaram um conceito até então abstracto, a liberdade. Perderam o medo. Participei com o pai, a mãe e a avó Guta, uma democrata que tinha permanecido em silêncio durante uma eternidade. Apesar dos 11 anos, fiquei marcado pela imensa mole de gente, as palavras de ordem. Uma caminhada interminável, os rostos alegres como de menino com um presente novo. Nunca mais vi tamanha demonstração de alegria do povo português, irmanado pela descoberta da democracia e da participação cívica.

Num tempo em estes valores foram esquecidos, em que um desempregado é detido por distribuir panfletos à porta de um centro de emprego, em que uma qualquer Carla Duarte acha que quatro pessoas já são uma manifestação é obrigatório lembrar o que é a liberdade de expressão e associação e lutar por elas. Porque nem o poder, nem os seu cães de fila me atemorizam. Pelo contrário, dão-me redobradas forças para combater pela defesa dos valores de Abril.

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2 comentários

De Ana A. a 01.05.2012 às 17:00

Fernando,

Nem me quero lembrar do 1º de Maio de 74, pois parece que entretanto já morri e voltei de novo a um lugar que desconheço e não desejo...

Recordo também os tempos em que nas acções de rua do Movimento Humanista queria "mudar o mundo"... e realmente desde aquele tempo mudou e muito, mas para pior!

Como se pode ver as ferramentas democráticas que temos são muito frágeis e imperfeitas, pois trouxeram-nos até aqui: 4 pessoas uma manifestação ?!!, acho que só no tempo do salazar!

Abraço
Ana

De Fernando Lopes a 01.05.2012 às 17:42

De facto, parece que caminhamos numa dimensão paralela, não de participação mas de mansidão. Só que estas acções da polícia, serventuários do regime, zelotas , provam que vivemos um momento de pré-explosão, caso contrário não haveria este receio da participação democrática.

É de facto, uma prova de fragilidade da cultura democrática. Mas de um país tomado pelos boys partidários, não haveria muito a esperar.

Abraço,
Fernando

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