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O embrionário IV Reich

por Fernando Lopes, 27 Fev 12

Desde tenra idade sofro de germanofobia. Talvez por ter assistido a demasiados filmes de guerra enquanto adolescente, incapacidade em entender a língua, influência paterna. Os mais velhos, ainda com memórias vagas da segunda guerra mundial, não foram propriamente entusiastas da reunificação alemã. Temiam que, uma vez unidos, não resistissem às tentações hegemónicas que se crê impressas no código genético dos teutões.

 

Este texto, pleno de preconceito, é mostra da memória colectiva dos povos da Europa. Quem, com mais de 35 anos, disser que as primeiras palavras que lhe vêm à memória quando se fala da Germânia, não são Heil Hitler, é mentiroso. Por razões históricas e pela força que esta recordação tem na Europa, deveriam os representantes políticos alemães, tratar a questão grega com pinças, sem mostrar pingo de ambição totalitária.

 

Infelizmente, e como já vem sendo hábito, é o inverso que acontece, o que tornas as declarações do ministro alemão do interior incompreensíveis. Há muito que sabemos que os líderes deste país perderam a vergonha na cara. Multiplicam-se em afirmações que oscilam entre o paternalismo e o racismo. Posta a Grécia perante um programa que todos assumem não ser exequível , não lhes falta a desfaçatez para mostrar os verdadeiros intentos. Para mal dos portugueses, o mais africano dos candidatos a primeiro-ministro é de uma subserviência assustadora face ao embrionário IV Reich. Eu, por mim, prefiro os ditadores assumidos, sem falinhas mansas. Esses, pelo menos, mostram claramente os seus intentos.

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4 comentários

De Ana A. a 27.02.2012 às 19:38

Fernando,

"Fora da União monetária, as hipóteses de a Grécia se regenerar e se tornar competitiva serão seguramente maiores do que se ficar na zona euro”- diz o ministro alemão.

A ser verdade esta afirmação, poderemos deduzir que quem não é competitivo não deve estar na zona euro?!
Então se calhar era bom, os senhores que mandam na zona euro, fazerem o inventário dos países não competitivos, convidá-los a sair e depois verificar se afinal a zona euro ainda faz sentido e para que serve?!

Isto digo eu que não percebo nada de economia (só da doméstica)!

Abraço
Ana

De Fernando Lopes a 27.02.2012 às 19:58

Ana,

Independentemente das especificidades gregas, que são inegáveis, não é o ministro alemão do Interior que decide quem fica o sai do euro. Como já escrevi noutro post, este "acordo" apenas visa proteger os credores, que na sua esmagadora maioria já se livraram o mais possível dos activos tóxicos gregos.

Estamos no reino do disparate puro e duro, em que a ideologia dominante, através da finança, esmaga a economia. Hoje, Krugman disse que os portugueses tinham de ter o seu salário desvalorizado 30% relativamente aos alemães.

http://economico.sapo.pt/noticias/krugman-insiste-que-portugal-tem-de-reduzir-salarios_139070.html

A estupidez já chegou a tal, que um prémio Nobel desconhece que os nossos salários já são 30% inferiores relativamente à zona euro! Estou farto de ouvir patetas!

Abraço,
Fernando

De bibónorte a 27.02.2012 às 23:00

Mundo cão mesmo!
Faaaaaaaartiiiiiiiiiiinha desta gente!

De Fernando Lopes a 27.02.2012 às 23:12

Fartos e, dramaticamente, sem solução à vista.

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