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Analisando os elogios despropositados da minha amiga Alexandra num comentário ao post anterior, faço uma reflexão de quão diferentes são os tempos no que diz respeito ao que vulgarmente é conhecido como humildade. Quando era criança, quem tivesse melhores notas que os colegas não dizia nada, para não os embaraçar e para não ser considerado marrão. Hoje, desde o 1º ano que os miúdos são incentivados a gabar-se se o seu resultado supera os dos demais. É para os estimular, tornar mais competitivos, dizem. Quando era jovem, um tipo que se achasse mais inteligente, mais bonito, mais habilidoso que os outros era imediatamente votado ao ostracismo por quem realmente importava. Basta recuar uma década, e, na geração que me precede, gente com 45 ou menos, gabarolice é igual a auto-estima. Na vida pessoal ou no trabalho, muitos desses rapazes e raparigas têm um ego infinito, vangloriam-se de grandes e pequenas coisas. Tal não me é permitido pela minha esmerada e antiquada educação. Ainda preso à ética dos anos 70, mesmo que consiga algo façanhudo, - o que não me recordo tenha acontecido - procuro não fazer ondas. A malta mais nova tem a capacidade de fazer de um cagalhão um poema. Quem quer acreditar neles, vá em frente, para mim uma poia será sempre uma poia, mesmo quando lhe chamam trufa.

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Porque gosto de comédias românticas.

por Fernando Lopes, 30 Ago 18

Nestes dias de modorra , só uma pausa até regressar à dolorosa rotina do pós-férias, dou comigo a parar no AXN White e a ficar especado a assistir a (mais) uma comédia romântica. Fiquei a reflectir no porquê: não te obriga a pensar, é uma espécie de fast food cinematográfico, em que, antes de trincar, já sabes qual vai ser o sabor. Nada de entusiasmante, nada que desiluda demasiado. Neste género as raparigas são sempre giras, os machos, mesmo com as suas idiossincrasias, bem parecidos, de coração bondoso e romântico. Os protagonistas do género são quase sempre tão bonitinhos e bondosos e é fácil identificar-mo-nos com eles, é assim que – quase – todos gostaríamos de de ser. Ao contrário da vida real, aqueles amores nunca correm mal, os pares românticos acabam sempre por serem resistentes às adversidades, e têm o que todos desejamos, são felizes para sempre. É a vida não como ela é, mas como idealizamos que deveria ser. É por isso que gosto de comédias românticas, naqueles minutos a vida é simples, fico apatetado, a achar que o mundo poderia ser perfeito sem ter de recorrer a substâncias ilícitas ou que fazem mal ao fígado.

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Em Abu Dhabi, sê Abu Dhabi.

por Fernando Lopes, 17 Ago 18

mesquita.jpg

Mesquita Sheikh Zayed, Abu Dhabi

 

Chegado aos Emirados Árabes Unidos, e após um dia de descanso, fomos a Abu Dhabi. Contrariamente ao mega-moderno e cosmopolitano Dubai, Abu Dhabi fez-me lembrar aqueles ricos de enésima geração, discretos, tranquilos, que gozam o luxo com discrição, sem exibicionismos e kitsch. Para qualquer leigo, o melhor hotel dos Emirados, a coqueluche do luxo, é o Burj Al Arab. Nada disso. É um hotel com um design peculiar, para se assemelhar com a vela de um dhow, uma embarcação local. A sua construção custou apenas 650 milhões de dólares, uma ninharia quando comparado com o Emirates Palace e o custo de mais de 3.000 milhões de dólares. É de uma arquitectura tradicional ainda e – se isso é possível – mais luxuoso que o seu irmão do Dubai. A plebe como eu, normalmente vê-o de fora, mas como se tratava de uma simples família proletária, o guia conseguiu entrássemos. Não sei como são os quartos, mas um lobby com mais de 2.000 m2, mármore de Carrara por todo o lado, relógios de parede da marca Rolex, revestidos a ouro. Muito luxo para um parolo como eu.

 

Para visitar a mesquita Sheikh Zayed, as meninas tiveram de se vestir conforme a tradição local. Abro aqui um parêntesis para referir que não senti que as mulheres dos emirados entendessem o uso da abaya como restritivo. Uma vez que quem a usa são as mulheres emirati, é, além de uma indumentária de acordo com a tradição islâmica, um sinal de classe, de casta. Mulheres muçulmanas pobres não usam abaya, ficam-se por roupas discretas e um lenço a cobrir a cabeça. A abaya diz: sou emirati, sou dos 20% da classe alta, dos que têm cidadania dos emirados.

 

O respeito pelos costumes, pela individualidade, é muito bonito, mas causou-me grande transtorno ver os pais a brincar na piscina com as crianças, e as mulheres todas encafuadas de preto a assistir à diversão dos outros. Num hotel repleto de estrangeiros, não entendi porque razão os árabes não deixavam a «arabice» à porta e diziam à patroa: - Ó filha, veste um biquíni e anda dar um mergulho que aqui ninguém nos conhece e água está fresquinha.

 

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