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Gestor de Carreira

por Fernando Lopes, 24 Fev 12

Tem-se falado muito no desemprego jovem. Deixar à sua (falta) de sorte, jovens qualificados, com vontade e sangue na guelra é um enorme desperdício. Depois, quando surgem oportunidades de trabalho, muitas perdem-se na teia burocrática, como bem exemplifica o Miguel neste post. No entanto, socialmente, é muito mais arrasador o desemprego na meia-idade. Tenho amigos que estão a passar situações complicadas. E a falta de trabalho perto dos 50 é completamente diferente das dos jovens de 20 ou 30. Talvez mais dramática. Porque têm filhos a cargo, despesas fixas com habitação, são muitas vezes o apoio de pais idosos. Ficar desempregado aos 50 é, com raras excepções, o fim da carreira laboral. Promete-nos agora o governo um gestor de carreira. Qual carreira? A grande parte das pessoas da minha geração não completou o ensino superior, são para os centros de emprego semi-qualificados ou não qualificados. Como já tinha reflectido aqui, o objectivo último deste governo e desta política é tornar a precariedade transgeracional. Pressionar os mais velhos, uma vez que existem dezenas de jovens dispostos a trabalhar por metade do  nosso salário. Não pode existir uma guerra de gerações, secreta ambição dos Relvas deste mundo. É com a união, luta comum e apoio mútuo que os mais novos e os "não tão novos" conseguirão enfrentar esse monstro que se chama desemprego. Com ou sem "gestor de carreira".

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5 comentários

De Ana A. a 24.02.2012 às 19:28

E será que os desempregados se podem candidatar a gestores de carreira?! Ou os 150 dirigentes que vão assumir as funções de técnicos suprem as necessidades?!

Eu gostava muito de saber se já houve alguém, que se tenha dado ao trabalho de reunir dados estatísticos sobre o seguinte:

- Quantas empresas existem a operar em Portugal, em todos os sectores económicos: empresas familiares, pme's , grandes empresas e multinacionais?

- Quantas pessoas existem em Portugal em idade activa e qual a sua formação?

- Se distribuíssemos, aleatoriamente, sem olhar às qualificações dos trabalhadores, todas as pessoas no activo empregadas e desempregadas, pelas empresas existentes, quantas pessoas ficariam sem colocação? E quantas empresas seriam necessárias criar para que todos tivessem trabalho?

Pois!!

Para mim o emprego é uma "dança das cadeiras", onde: ora agora trabalhas tu, ora agora trabalho eu, porque NUNCA dará para trabalharmos Tu + Eu.

É preciso acabarmos com a hipocrisia e metermos mãos ao "trabalho" de construirmos novos caminhos, para todos vivermos livres e em pleno gozo da dignidade da pessoa humana! Mas quem se interessa, não pode!! E quem pode...

Abraço
Ana

De Fernando Lopes a 24.02.2012 às 20:33

Ana,

O emprego é também baseado no consumo. Trabalhamos para criar produtos, para outros consumirem e por aí fora.
Confesso que não sei onde termina o racional deste ciclo, se é que este ciclo produtor-consumidor não está já gasto e estafado.

A questão passa mais pela distribuição equitativa dos rendimentos do trabalho como se prova (se fosse preciso) pelo relatório de hoje da OCDE.

Não sei se há trabalho em "full-time " para todos, tenho a certeza que há rendimento para todos terem uma vida digna. O capitalismo é autofágico e estamos a chegar a um tempo em que essa autofagia é demonstrada todos os dias.

Abraço,
Fernando

De Ricardo a 25.02.2012 às 00:08

e pior ainda é um filho de 21 anos desempregado e um pai de 51 anos também recente desempregado!

De Fernando Lopes a 25.02.2012 às 00:12

Ricardo,

Sinceramente, não sei o que lhe dizer. Poderia ir com o "força" e outras banalidades. Não vale nada, é paleio da treta perante um drama desse calibre. Apenas um enorme abraço solidário.

Fernando

De bibónorte a 25.02.2012 às 22:10

Um abraço para o Ricardo. Também eu estou a braços com um filho de 29 anos desempregado. Há dias em o azul do céu se torna muito cinzento.

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