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Rivalidade feminina.

por Fernando Lopes, 5 Jun 15

Hora de almoço no centro comercial. Mãe e filha entram no restaurante. A progenitora terá cerca de 50 anos, a cria não mais de 19. Veste uns calções diminutos que revelam as longuíssimas e bem torneadas pernas, um rabo pequeno e bem-feito, seios firmes, rosto fresco e olhos claros. Todos os olhares masculinos se concentram na mais nova, ignorando totalmente a ainda bem composta senhora. A jovem, ciente do impacto causado, faz uma série de movimentos cuidadosamente coreografados, desde o cruzar de perna, ao levantar-se e deambular pela sala com ar displicente.

 

No olhar da mãe não há admiração ou carinho pelo rebento, antes um desmedido desconforto. Não é causado pelo impacto da filha entre os machos, mas pela pura rivalidade de quem foi ultrapassado pelo tempo. Ter-lhe-ão passado pela cabeça momentos não muito distantes em que o estrelato era seu, existe agora nítida frustração pelo papel de actriz secundária.

 

Vem-me à memória uma frase que ouvi algures: «Não tenho medo da morte, tenho medo do tempo».

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Restos de Colecção & 2ºs Saldos.

por Fernando Lopes, 4 Jun 15

No edifício onde estou colocado a maioria dos trabalhadores são pessoas de meia-idade, sendo raro ver-se alguém abaixo dos 40. Ao sair para almoço encontro um velho colega de liceu, funcionário da mesma empresa. Detém-se a apreciar discretamente umas colegas que passam.

 

- Fernando, as nossas colegas são simpáticas, mas não há mulheraças, é tudo Restos de Colecção.

 

Depois alisa a fronte ampla, arranja a gravata e diz com ar meditabundo:

 

- É melhor não dizer nada, porque nós, na melhor das hipóteses seremos 2ºs Saldos.

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Desencontros.

por Fernando Lopes, 3 Jun 15

Ter um blogue gera sempre algumas confusões e desencontros. Porque te interpretam mal, porque julgam que és outrem, aprendemos a expensas próprias que as palavras, uma vez publicadas, deixam de ser nossas e passam a ter tantos significados quantos os leitores. Primeiro mete medo, depois habituámo-nos. Já me aconteceram alguns desentendimentos, mas não resisto a contar o mais divertido de todos. Há tempos fui abordado por email. Uma senhora manifestava o desejo em ser guionista de cinema e anexava uma história dramatizada, com indicação de planos, fade-outs e mais linguagem técnica da 7ª arte que desconhecia. Pensava ela que enviava um email a Fernando Lopes, o realizador de cinema, e não a este vosso servo. Respondi-lhe que tinha todo o gosto em ler o guião, mas talvez fosse melhor ir vendo os jornais e acompanhando o meio cinematográfico, uma vez que o Fernando Lopes, notável do cinema, tinha falecido há mais de um ano. Fernando, se aí de onde estás me lês, tens sugestão de nova história para filmar.

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Talvez.

por Fernando Lopes, 2 Jun 15

Talvez a solução para os problemas do mundo esteja no fundo de uma garrafa, numa linha de coca, num caldo de cavalo cortado com aspirina. Ou talvez não. Talvez seja a literatura, essa fraca imitação da vida, onde os heróis, após um apuro ou outro, vencida tragédia ou obstáculo, sobrevivem quase sempre, emergem purificados e vigorosos. Talvez a poesia, jogo lúdico de palavras, onde cada leitor encontra sempre algo de seu e uma mão cheia de nada. Talvez como o pintor a única forma de sobreviver à dor seja mutilar-se para sentir uma dor maior ainda. Talvez seja o amor o redentor, o de Cristo ou que encontras quando encostas a cabeça no colo de uma mulher. Talvez a dor seja o que nos move, a droga, o álcool, a literatura, a poesia, o amor, o que nos apazigua. Talvez não haja solução para os problemas do mundo. Do meu, do teu, de todos os mundos. Talvez.

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De saltos altos.

por Fernando Lopes, 1 Jun 15

saltos_altos.JPG

 

Não, não virei «traveca», não estou a pensar participar na campanha da Máxima em que latagões apareciam usando requintados sapatos femininos. Hoje, enquanto ia à Conservatória em busca da minha identidade perdida – o BI tinha caducado – notei que nem todas as mulheres sabem andar de salto alto.

 

Em primeiro lugar, às mulheres longilíneas e magras, o salto alto não favorece, fazendo com que fiquem demasiado magras e com um rabiosque diminuto. As pequeninas ou de perna curta beneficiam se usarem tacão alto, mas é imprescindível saber andar na coisa.

 

Duas raparigas entre os 30 e 40 faziam triste figura: uma andava com as pernas abertas, como se tivesse feito chichi por si abaixo; a outra pensava duas vezes antes de estender a gâmbia e pousá-la com extremo cuidado. Pensei que tinha pisado uma poia ou estava a caminhar sobre um campo de minas. Era mesmo só falta de jeito.

 

Seria desculpável se se tratasse de uma jovem adolescente que estivesse a usufruir do calçado materno. Dada a idade das senhoras, não era o caso. Assim, embora seja uma nulidade em moda, sugiro desde já que as meninas se calcem de modo prático, preparadas para uma caminhada. Se insistem em seguir os ditames da moda, por favor treinem antes de vir para a rua fazer tão triste figura.

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    Só agora vi a mensagem anterior - note-se que quem...

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    Não volta?!Vá lá...Escrever faz bem...e ler também...

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    Que será feito do gerente desta coisa?Filipe em es...

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