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2015

por Fernando Lopes, 31 Dez 14

Os ocidentais comemoram hoje a o último dia do ano ou o início do novo, não sei bem. Há quem se entusiasme e veja no mover dos ponteiros do relógio uma oportunidade de renovação. Estes, movem-se inexoravelmente, ignorando sonhos, derrotas, tragédias, vida e morte. Cumprem a sua função e simplesmente avançam. O tempo ensina-nos a moderar promessas e entusiasmos. 2014 não foi um ano bom ou mau, apenas mais um no calendário das nossas vidas. Na meia-noite não estarei particularmente melancólico ou eufórico, apenas observarei o tempo passar. Suponho que será comum a muitos entusiasmarem-se cada vez menos com celebrações com dia e hora marcada. Celebrar a vida, o tempo, o novo ano, pode ser simplesmente apreciar um dia de sol, um mergulho na praia, o cantar de um pássaro, um livro, um beijo apaixonado, café da manhã e pão com manteiga, um abraço amigo. Escravo do tempo não sou. Vou estar refastelado a vê-lo passar, sem pressas ou angústias, deixando-o fluir e apreciando os pequenos e grandes prazeres que a vida nos dá. Para os que ainda vivem o sonho ingénuo de que tudo pode ser diferente, abraço-os e que todos os seus desejos se concretizem.

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20 comentários

De golimix a 31.12.2014 às 11:04

Ó como concordo contigo e te acompanho. 
Que 2015 nos crie bons momentos...

De Fernando Lopes a 31.12.2014 às 18:52

Que o tempo nos seja suave.

De golimix a 03.01.2015 às 11:41

Por falar em tempo. Apanhei -6ºC no outro dia às 8:00 da manhã!!!
Que ganas me causaram no "Homem que mordeu o cão" quando estavam a queixar-se do imenso frio de 2º em Lisboa... Mariquinhas!!Image

De Fernando Lopes a 04.01.2015 às 20:01

Diz o ditado que em Trás-os-Montes são seis meses de Inverno e seis de Inferno.

De golimix a 06.01.2015 às 08:28

Eu diria que é inferno o ano todo. Gelo numa fase e calor na outra. Irra! Porque não são os meus pais do Alentejo?

De Alice Alfazema a 31.12.2014 às 18:56

Feliz 2015! Beberei algo alcoólico por ti e pela Goli, espero que 2015 nos seja suavíssimo. :)
Beijos Image 

De Fernando Lopes a 31.12.2014 às 19:18

Bebe um copo por mim, e 2015 será uma brisa primaveril nas nossas vidas.


Beijo e saúde!
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De golimix a 06.01.2015 às 08:29

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De soliplass a 01.01.2015 às 14:57

Bom 2015, e que não nos sejam adversos os alambiques!

De Fernando Lopes a 01.01.2015 às 16:02

Ainda rameloso de uma noite longa até ao nascer do dia, envio-te um abraço sentido e o desejo sentido que os nossos caminhos se voltem a cruzar. 


P.S. - Ando às voltas com o último Nesbo, um presente de Natal. É provavelmente o melhor de todos. 

De Fernando Lopes a 01.01.2015 às 16:06

É muito sentimento numa resposta só, por certo perdoarás a este teu pobre amigo ainda ressacado. 

De redonda a 02.01.2015 às 01:18

Um Bom Ano!
um beijinho
Gábi

De Fernando Lopes a 02.01.2015 às 07:54

Um 2015 cheio de amor, livros e experiências gastronómicas. ;)


Beijo.

De Luís Coelho a 03.01.2015 às 11:00

"O tempo que passa não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que passou". (Vergílio Ferreira).
Bom Ano!

De Fernando Lopes a 04.01.2015 às 20:00

Grande verdade, Luís.
Feliz 2015.

De Carlos Azevedo a 04.01.2015 às 23:47

E viva a ingenuidade!
Uma vez mais, votos de um excelente 2015.
Grande abraço.

De Fernando Lopes a 05.01.2015 às 19:04

Grande abraço, seu ingénuo! :)

De Carlos Azevedo a 05.01.2015 às 22:59

Mais a sério, chame-se-lhe ingenuidade, esperança ou qualquer outro nome, é o que me dá forças para a caminhada. Ainda não estou pronto para atirar a toalha ao chão. :-) (E nada define tão bem o que sinto como o verso de Sophia de Mello Breyner que transcrevo aqui: http://thecatscats.blogspot.co.uk/2014/10/the-cat-scats-10-aniversario.html)
Grande abraço.

De Fernando Lopes a 05.01.2015 às 23:21

São belas as palavras de Sophia. Ela, como poeta - não gosto de poetisa - chama-lhe «sonhos», eu com o meu jeito prosaico, chamo-lhe simplesmente, viver. E embora às vezes me apeteça que a vida desista de mim ainda não desisti dela.


Abraço.

De Carlos Azevedo a 05.01.2015 às 23:47

A caminhada por ser dura, mas é para isso que estamos aqui. E não estamos sós.


Se me permites, deixo-te um texto que me tem acompanhado ao longo dos anos (desde que o li pela primeira vez, ainda no século passado): 


Mudar a Vida!


De todos os lados nos vem o convite à estabilidade, à segurança, ao já conhecido, aos terrenos firmes, ao ideal entrevisto. Por todos os meios nos atrai e nos paralisa o mito do eterno retorno. Transformações à nossa volta? Sem dúvida, desde que elas nos conduzam ao eu ideal que imaginamos, à imagem de nós próprios que, ao longo dos anos, cuidadosamente formamos.
Deixamos assim de longe a única via pela qual horizontes novos se podem rasgar: aquela em que escolhemos percorrer o próprio trilho da mudança. E quando digo que escolhemos percorrer esse trilho, não estou a imaginar um caminho linearmente percorrido sem perigos nem desvios. Pelo contrário, no caminho da mudança, seremos ossos encharcados debaixo da chuva, seremos gestos descontrolados nas areias movediças, seremos passos indecisos a contornar rochas de granito.
Quantas vezes falamos de mudança de estruturas e de instituições, opondo essa mudança, numa espécie de antinomia inevitável, à mudança de mentalidades que queríamos ter visto operar, pela obra mágica do nosso verbo e das nossas incitações, para concluirmos (pacificante conforto!) que nada se podia fazer sem que se mudassem as estruturas. Quando finalmente as estruturas nos vieram parar às mãos verificamos que não éramos senão aprendizes de feiticeiro: não as soubemos desmantelar porque não conhecíamos as engrenagens escondidas; não as pudemos reorganizar porque não tínhamos alternativa viável a opor à sua gigantesca irracionalidade; não as pudemos deixar cair como mero anacronismo da história, porque não tínhamos delineado o projecto das estruturas novas que as substituiriam, superando-as e anulando-as. E quando reconhecemos que o aparelho institucional se agitou, tremeu, mas permaneceu inalterável nos seus vícios, na sua burocracia e na sua inutilidade, dissemos então que o que importa é mudar as mentalidades!Passageiras são as estruturas, plasmáveis as mentalidades. Por entre o feito mecanicista de umas nas outras (mentalidades obscurecidas por estruturas aniquilosadas; estruturas inoperantes por mentalidades embrutecidas) brota a esperança duma outra relação, que não é senão o dinamismo da própria vida.
Por isso, a grande empresa não é o plano pensado e repensado, a estrutura gigantesca que, com os seus tentáculos, tudo vai abafar, nem a mentalidade renovada, adaptada, ajustada, conformada. A grande empresa é mudar a vida!
Maria de Lourdes Pintasilgo, Editorial do Boletim do Graal n.º1, 1978

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