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Nada.

por Fernando Lopes, 14 Jan 13

Gostava de ser nada. Estou cansado de ser cidadão, contribuinte, eleitor, trabalhador, pai, marido, colega, amigo, leitor, ouvinte, condutor, cliente, irmão, filho, e todos esses papéis ridículos que nos obrigam a assumir neste romance de má qualidade que é vida. Quero ser um zigoto, feliz, quente, ignorante e ignorado, num qualquer ventre materno. Quero olvidar obrigações, deferências e responsabilidades. Sentir nada, a nada ser obrigado. Abstrair-me de emoções, angústias e dúvidas. Nada excepto silêncio e tranquilidade.

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