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É difícil ser ateu

por Fernando Lopes, 14 Fev 12

Tenho orgulho em ser ateu de segunda geração. Há 48 anos anos atrás o meu pai tomou a então difícil decisão de não se casar pela igreja e de não baptizar os filhos. Posso imaginar o significado desta atitude em termos de confronto social e familiar. Mesmo pessoas sem nenhuma convicção religiosa cedem ao peso das convenções.

 

Hoje em dia o estigma permanece e tive de fazer finca pé para não incluir a minha filha nas estatísticas que nos tornam um país de católicos. A seu tempo ela decidirá o caminho, livre e com apoio incondicional do pai, independentemente da opção que tomar. O catolicismo, forte no interior e entre as pessoas mais velhas, tornou-se hoje, nas grandes cidades, pouco mais do que "a religião tradicional". Cumpre-se o baptismo, em alguns casos a comunhão, apenas porque "é hábito".

 

Conheço pouquíssimos católicos activos e que sigam os preceitos tradicionais. A fé, ou a falta dela, o acreditar na vida para além da morte ou nalguma forma mística que não nos confronte com a vacuidade e inutilidade da nossa existência é terreno pantanoso. Compreendo a esperança na eternidade embora tenha dificuldade em aceitá-la. Vou deixar a minha filha encontrar o seu caminho. Cá estarei, se necessário, para amparar a queda.

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7 comentários

De Margarida Az a 14.02.2012 às 19:24

Muitos parabéns pelo novo visual e por este belo texto.
Corajoso, meu amigo! Digno de grande admiração.
Bjinho para ti e filha que só pode ser uma garota muito feliz, a ver pelos pais que tem.

De Fernando Lopes a 14.02.2012 às 19:30

O mérito do visual não é meu, mas agradeço de qualquer forma. Não tenho nada contra as pessoas que optam por uma religião (a minha mulher é católica e vivemos sem problemas nesse particular). O que me incomoda é atribuir uma religião (por baptismo) sem que a criança tenha opção.

Bj

De Margarida Az a 14.02.2012 às 19:34

:)

De divagares a 14.02.2012 às 19:25

Eu fiz exactamente o mesmo com os meus filhos, que por sua vez o fizeram com os filhos deles. Quanto à esperança na eternidade, por mim, não tenho dificuldade nenhuma em excluir a hipótese.

De Fernando Lopes a 14.02.2012 às 19:36

Nessa altura era um acto de firmeza, mas também de confronto aos "valores instituídos". Tem a minha admiração. A nossa finitude causa alguma angústia. A minha maneira de combater essa angústia é pensar na morte como um sono de que não se acorda. Sem esperanças mas também sem dramas.
De qualquer forma alguém disse "Só morremos verdadeiramente quando pronunciam o nosso nome pela última vez". Acho que é uma grande verdade.

Abraço,

De Ana a 14.02.2012 às 20:17

Fernando,

De entre as muitas coisas que eu gosto no Purgatório saliento a versatilidade dos temas e o tom confessional do autor. ;)

Também eu não baptizei a minha filha e muito menos a liguei ao catolicismo pelas tradicionais catequeses e afins. Tento transmitir-lhe os princípios humanistas, o que já não está muito mal para começar. As crenças, a fé e quejandas não devem ser impostas de fora para dentro. Cada um deve apaziguar (ou não) as suas angústias através de uma busca interior.

Abraço

De Fernando Lopes a 14.02.2012 às 20:34

Ana,

Como já se apercebeu, não sou bom a criar personagens, daí o tom confessional. ;)

Estou consigo. A resposta à pergunta suprema só pode ser obtida pelo próprio. O resto são valores, humanistas, que deviam ser intrínsecos à nossa natureza e educação, independentemente de se ter uma religião ou não.

Abraço,
Fernando

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