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1 departamento, 29 trabalhadores, 1 grevista

por Fernando Lopes, 24 Nov 11


Ao ser o único, entre os 29 do meu departamento a aderir à greve, arrisco bastante. Arrisco-me a ser o primeiro numa série de cortes e despedimentos previstos. Diga-se o que se disser, no sector privado aderir à greve é mais difícil do que no público. Todos têm medo. Dos cortes salariais e dos despedimentos. Provavelmente haveria uma potencial meia-dúzia de pessoas com vontade de fazer greve. Mas, como sempre, acobardar-se-ão. É compreensível. Todos temos a vida por um fio. Mas, é nestas alturas que se distinguem os princípios das conveniências. Por isso, faço greve.

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16 comentários

De Fenix a 24.11.2011 às 11:36

Fernando,

A verticalidade do Homem manifesta-se quando somos fiéis aos princípios que defendemos. E a evolução da humanidade faz-se com esses e não com os que moralmente andam de quatro.


Abraço
Ana

De Fernando Lopes a 24.11.2011 às 12:13

Ana,

Não há aqui superioridade moral. Como eles tenho medo. A minha família depende dos nossos salários. Mas é preciso combater o medo, caso contrário esmagar-nos-ão cada vez mais.

Abraço,
Fernando

De Moriae a 24.11.2011 às 21:44

Aprecio a verticalidade, no ser humano. E concordo com a Fenix : )

Força e boa sorte para todos nós.

De Fernando Lopes a 24.11.2011 às 22:18

Moriae,

Amanhã a ovelha negra apresenta-se ao serviço. "Com toda a tranquilidade", como o do Zbording ...

De Moriae a 24.11.2011 às 22:26

E vai tudo correr bem! : )
Abraço, amigo!

De Anónimo a 25.11.2011 às 00:15

"A verticalidade do Homem manifesta-se quando somos fiéis aos princípios que defendemos (...)"

Como disse, e muito bem, devemos pautar a nossa conduta de acordo com os princípios que defendemos.

Não posso, no entanto, concordar com a crítica implícita em relação a quem não defende, entre outros, o princípio (será princípio?) da "greve". Quem não defende esse "princípio", sem, contudo, negar ou desrespeitar esse direito, não pode ser acusado de "infidelidade". Pelo contrário, está (também) a agir de acordo com os seus princípios.

Um bom princípio será respeitar quem pensa de forma diferente.

Cumprimentos

Horizontalidade Vertical (.|.)

De Nuno a 26.11.2011 às 00:20

Foi um acto de consciência e de luta sua, que envolveu, claramente, coragem. Como bem diz, o direito à greve no sector privado quase só existe na Constituição, a qual nem o próprio governo respeita...
Obviamente, não foi fácil, mas são atitudes individuais como a que tomou que tentam que depois, no conjunto, a actual situação possa mudar, seja do medo de fazer greve e da melhoria das condições de trabalho em geral.

De Fernando Lopes a 26.11.2011 às 00:35

Nuno,

Na minha empresa em 10.000 funcionários houve pouco mais de 40 adesões à greve. Mesmo sabendo que o dinheiro faz falta a muita gente, não acredito que apenas 0,4% dos trabalhadores sejam contra estas medidas ou este governo. É uma amostra significativa do medo que grassa no sector privado.

De Moriae a 26.11.2011 às 00:45

É dramático! E esse medo tb já existe no público desde há anos! Connosco, professores, foi a partir de ameaças muito directas no governo do PS. E a partir daí ... Foi um retrocesso. Direitos adquiridos, por água abaixo. Penso que foi em 2005, por causa de uma greve a exames, pela idade da reforma. Lembro-me tão bem ... toda a gente na escola ia fazer greve mas houve uma ameaça, do governo. Uma tonteria mas que teve como resultado, nessa escola, ninguém, excepto eu e uma sindicalista, fazermos greve. Enfim, o medo alastra.

De Moriae a 26.11.2011 às 00:48

E depois disso, com estes modelos torpes de avaliação e perseguição, não há quem queira perder uma aulinha ... coisas mesmo parvas ... não mudam de escalão, estão congelados há anos mas vingam-se em coisas obsessivas como horas de aulas e parvoíces assim. E os alunos? Estão cada vez mais mal formados. Não é ao minuto e à grelha que se produz educação.
Pronto, é melhor não desabafar mais! : )

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