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Mortinho para sair de casa

por Fernando Lopes, 9 Fev 11

Psycho de Alfred Hitchcock

As notícias de idosos encontrados mortos em sua casa começam a ser preocupantes. Os idosos não são parte do sistema produtivo, que tudo devora, tornando-se peças descartáveis. Quanto mais longe melhor. Assim afastamos da vista a nossa futura impotência, velhice e senilidade. Neste caso também sou culpado. Não falo com os meus vizinhos, exceptuando o inevitável bom dia ou boa noite no elevador. Os nossos apartamentos são casulos, onde temos o nosso microcosmos, quem nos é próximo e as nossas necessidades satisfeitas. Se precisar de um livro ou de comida, basta-me ligar o computador e o livro ou a pizza vêm à minha porta. Tagarelice entre vizinhos, daquela que presenciava encantado entre a minha avó e a nossa vizinha D.Gisela, há muito que desapareceu das nossas urbes. Os casos de idosos encontrados meses ou anos após a sua morte nos seus apartamentos não são novos. Há não muito tempo deu-se um caso idêntico em França, com um emigrante português que já se encontrava mumificado, sem que o tenham apelidado de santo. Recebia a sua pensão e tinha os seus pagamentos automáticos. O dinheiro continuou a fluir. Não tinha dívidas nem contas em atraso. No fundo um cidadão e vizinho exemplar, que não incomodava ninguém.
Esta indiferença, culpa de todos nós terá de ser combatida. Um apoio domiciliário aos idosos que vivem sozinhos terá de ser implementado. Independentemente dos custos. Para estabelecer ligações, proximidades, por muito frágeis ou provocadas que sejam. Mas não podemos deixar os nossos seniores morrer ao abandono. Disso, estou certo.

Notícia aqui.

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4 comentários

De Fenix a 09.02.2011 às 18:55

Fernando

Estamos a tornar-mo-nos uns monstros.

O apoio domiciliário que diz, está a ser implementado por novas empresas que se dedicam a isso, mas tem os seus custos. E não me parece que o Estado estenda os seus apoios a todos os que deles necessitam, pois o que se passa é que os velhos estão a ser assassinados, pelas pensões miseráveis que têm que ser repartidas pelos alimentos e os medicamentos. Na conjuntura actual, acho que esse repto teria que ser lançado à Igreja, cobrir as necessidades dos velhos carenciados das suas paróquias, pois deve ser esse o seu papel nas sociedades: repartir amor e o dinheiro dos cofres do Vaticano.

Abraço
Ana

De Fernando Lopes a 09.02.2011 às 19:43

Ana,

Não sei quem, nem como, mas alguém tem de dar apoio aos nossos idosos que vivem sozinhos. Nem que seja para uma visita diária de verificação. Esta omissão é imperdoável para todos nós como sociedade.
Câmaras, Juntas, Governo, Igreja, particulares, não interessa, mas tem de haver um acompanhamento de proximidade, para que situações destas não se repitam.
Aqui também pode existir negligência familiar. Tive uma avó (Conceição) que viveu autónoma e na sua casa até aos 90 anos, mas todos os dias havia uma visita ou um telefonema.

Abraço,
Fernando

De pedro a 09.02.2011 às 21:57

Só tenho um comentário a fazer: O q será de nós qnd a velhice chegar? Que assistência prestarão os n/filhos em caso de necessidade extrema? Façamos um pé de meia pr as eventualidades e com sorte morreremos antes de chegar á idade de "Ouro"!!!

De Fernando Lopes a 09.02.2011 às 22:17

Pedro,

É preciso viver em extrema solidão para estar morto durante nove anos sem que ninguém se preocupe.
Não sei o que dizer.

Abraço,
Fernando

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