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Na Grécia luta-se, aqui ficamos deitados ...

por Fernando Lopes, 15 Jun 11


Tenho consciência de que as minhas posições sobre o dever de resistênciade um povo são partilhadas por poucos. Mas, na minha modesta opinião, a resistência dos gregos a novas medidas de austeridade é perfeitamente legítima. As medidas do FMI provaram que em vez da recuperação os gregos vêem o seu poder de compra e a sua autonomia cada vez mais limitados. Para combater o fogo, é muitas vezes necessário atear um contra-fogo. Lá luta-se, cá o povo deita-se.

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6 comentários

De Anónimo a 16.06.2011 às 12:39

Alô!
Não há dúvida que se exige luta.
Contudo, ao lutar temos que atingir os culpados e não que deitar água na fervura (desinteressadamente ou não)
O FMI, quer para Grécia quem para Portugal é como o médico que vai aplicar quimio ou radioterapia no paciente - é óbvio que ganha dinheiro com o tratamento, nem que seja um salário.

Vou pôr a situação desta forma:
* imaginemos que o país é o corpo - o governo é a cabeça;
* a cabeça (cujo cérebro foi sendo substituído, por eleição do próprio corpo) foi sujeitando o dito corpo a toda extravagãncia,má dieta e mau trato possível em termos de saúde
* os sucessivos cérebros foram rejeitando o evidente excesso exercido, como qualquer alienado

Agora o corpo está miserável, como a estória do homem que aos trinta e cinco anos aparentava oitenta, com as noitadas, bebedeiras, raves, droga e toda a parafernália afim.

Embora ainda não seja percetível para muitos, nomeadamente a quem trabalha em grandes empresas, as metáteses do cancro que atinge as economias estão quase do ponto de não retorno e o país está prestes a ficar pré-moribundo.

Se existem tribunais de crimes de guerra, porque não se responsabiliza quem levou a situação a este estado?
Porquê os gestores nacionais e de empresas públicas não são julgados por crimes contra o Estado?

Parece-me que a n/ revolta deve ser contra eles. No caso português todos os governantes vivos deviam responder pelos seus atos, como qualquer criminoso de guerra.

É contra esta injustiça que eu quero lutar e se tiver que bater em alguém para trazer os responsáveis a julgamento, chamem--me que eu vou alegremente.

E certo é que estarei em pé, não a fingir de morta!

Bj

De M Manel a 16.06.2011 às 12:40

Claro que mais uma vez o "anónimo" quer se passar por mim!

De Fernando Lopes a 16.06.2011 às 15:43

Querida Manel,

A "legitimidade" da violência, revolucionária ou não é questão ainda hoje controversa. A violência gratuita, é, por si, condenável. Como forma de resistência é "uma energia", que eu definiria sobre certas circunstâncias como positiva. Por isso linkei o post ao grande Herbert Marcuse.
A possibilidade de julgar responsáveis políticos, esbarra com o conceito de dolo ou má-fé. Será legítimo condenar alguém que agiu estupidamente mas não de má-fé?
Onde começa e termina a capacidade de julgar actos de gestão que posteriormente se revelaram desastrosos? Mas compreendo a tua perspectiva.

Já a questão do FMI como médico, parece-me questionável. Um mau médico, com os olhos no lucro e que receita os mesmo medicamento, independentemente do tipo e particularidades da doença. Não esquecer que ao contrário do que era comum pensar (só o PCP o dizia) a destruição das pescas, agricultura e indústria teve o alto patrocínio do eixo franco-alemão e Cavaco como primeiro executor. Mas isso são contas de outro rosário ...

"... estarei de pé, não a fingir de morta!" é a conduta que esperaria de ti, como cidadã digna, que respeito e admiro. E esse parágrafo final diz tudo. De preferência pacificamente, de pé!


Um beijo,
Fernando

De M Manel a 16.06.2011 às 20:22

Alô de novo!
Obrigada por me julgares uma digna cidadã! De facto, a honra e a dignidade são vetores fundamentais na minha vida.

Mas quanto à inexistência de dolo ou má fé, permite-me discordar.

Assim como nos podem levar a tribunal por não, p.ex, chamar os bombeiros se virmos um carro ou uma casa a arder e não fizermos nada (somos pelo Código Civil a ter uma conduta responsável, mesmo pela propriedade alheia), o que dizer do compradio, do favorecimento dos amigos, do pagamento de salários "do petróleo" e prémios de gestão a quadros de empresas tecnicamente falidas, de prejuízos milionários?
Se estas empresas não se bastam a elas próprias é dos impostos e da dívida que sai o dinheiro.

Se a gestão do e no Estado se pauta por valores que só melhoram a vida do próprio e parceiros em detrimento do povo pagante de impostos em geral, é uma atitude arquitetada e consciente.

E a negligência por si mesma já é suscetível de condenação, logo não há perdão possível, quer tenham sido influenciados ou não. Quem assume a função governativa não pode assumir o papel do indigente, quando sai.


Simplesmente não aceito esta benevolência.

Bj

De M Manel a 16.06.2011 às 20:23

Compadrio, obviamente...

De Fernando Lopes a 16.06.2011 às 23:06

Manel,

Por uma questão de princípio concordo contigo em casos de má gestão premeditada como referes. Mas, achas isso exequível? É só um questão que deixo a pairar para (nossa) reflexão.
E repara que poderemos meter nessa panela uma parte substancial dos governantes pós 25 de Abril.
Isto não é a Islândia, e só em casos muito particulares uma situação desse tipo poderia avançar.
Achas que os parlamentares iriam criar uma lei que penaliza os seus pares e eles próprios num futuro não muito longínquo?

Duvido.

Beijo,

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