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125 ou a juventude perdida.

por Fernando Lopes, 2 Out 16

Desde muito pequeno sempre adorei carros, e principalmente motas. A avó contava que ainda andava a maior parte do tempo ao colo e já sabia a marca de imensos carros. Como não sabia falar bem – teria talvez dois anos e pouco – chamava aos Volkswagen, vógebaga, aos Renault, rónau, etc. Parece que a senhora gostava de exibir às outras donas de casa os conhecimentos automobilísticos do neto. O pai vivia bem, prometeu-me que quando entrasse na faculdade me dava uma mota. Ainda hoje estou à espera dela, deve estar perdida nalgum imenso armazém dos CTT. Pode parecer estranho estar a dizer mal de um tipo que morreu há mais de 20 anos, mais o meu querido pai tinha uma preocupação na vida: ele, mais ele, sempre ele. Não foi por falta de dinheiro, apenas porque a massa lhe daria mais gozo se gasta consigo mesmo. Depois comecei a trabalhar, comprei um carro, e nunca mais voltei a pensar nisso. Recentemente, aproveitando a facilidade de se poder guiar uma 125 com carta de carro, vários conhecidos concretizaram esse sonho. Estou meio perdido, porque prática de mota mais não tenho que uma dúzia de voltas em motas de amigos, há mais de 30 anos. Não sei se seja indulgente comigo mesmo e me ofereça uma 125 usada, não sem antes tirar umas aulitas. Talvez esteja demasiado velho, talvez não tenha jeito, tenho por certo alguma insegurança. Para a primavera, pode ser que concretize esse sonho de infância e juventude. A ver vamos, como dizia o cego.

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12 comentários

De Fernando Lopes a 03.10.2016 às 12:27

Não queremos um motoqueiro louco, a passar por cima de carros e peões. :)


Beijo.

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