Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Uma puta como as outras.

por Fernando Lopes, 28 Dez 16

musico_cedofeita.jpg O homem, a guitarra, a liberdade. Ainda e sempre em Cedofeita.

 

Sais de casa no eu primeiro dia de férias de ano novo. No cruzamento de Oliveira Monteiro com Nossa Senhora de Fátima, na esplanada da velha confeitaria, um homem toca clarinete para ninguém, só pelo prazer de tocar. Em Cedofeita páras para conversar com outro músico de rua já teu velho conhecido. Na rua da Fábrica um asiático tira sons melodiosos de uma espécie de xilofone. Invejas-lhes a liberdade. Depois reflectes e vês como te tornaste prisioneiro do teu modo de vida: salário confortável, apartamento em zona nobre da cidade, casa de campo, férias em destinos «exóticos», popó de quase 200 cavalos. Não escolheste este ou outro caminho, o destino simplesmente empurrou-te. És uma puta, uma puta como as outras, talvez mais venal. Essas só transaccionam o corpo, tu, meu merdas, vendes diariamente a tua liberdade. Consolas-te com o fraco pensamento que a tua cabeça é inexpugnável, nela reside o teu espaço último de independência.

Autoria e outros dados (tags, etc)

23 comentários

De Anónimo a 28.12.2016 às 17:13

No próximo sábado vais levar com tantos beijos e abraços de uma parelha apaixonada que até...
Fiipe apadrinhado

De Fernando Lopes a 28.12.2016 às 18:55

Obrigado a vocês. Preciso de todos os mimos, tenho a síndrome de «filho enjeitado».

De Ana A. a 28.12.2016 às 18:11

"Putas vendidas ao sistema" somos todos! Com maiores ou menores cedências, mas somos. 

De Fernando Lopes a 28.12.2016 às 18:56

Sei que tem razão, no entanto, às vezes, essa consciência faz-me sentir muito mal.

De alexandra g. a 28.12.2016 às 20:14

mas olha lá, Ferdinand, tu porventura tens noção do gajo decente, crítico, culto, inteligente e, obviamente, charmoso, que és?

ah!

e da capacidade de leitura - até na modalidade olímpica de entrelinhas - de quem se detém à cet endroit de alto gabarito?

ai.

De Fernando Lopes a 28.12.2016 às 20:33

Repara que sou o mais feroz crítico de mim mesmo, e é assim que deve ser. Obviamente que procuro ser boa pessoa, qualidade escassa nos dias que correm, mas é tão pouco. Abdico diariamente de muitas coisas que deveria dizer, fazer, falar, por causa deste conforto pequeno-burguês a que me acomodei. E isso, minha querida, é um facto que me custa a engolir, dia-a-dia, todos os dias.

De lucilia a 28.12.2016 às 21:51

Rais parta -mesmo! O medo tolheu-nos, aos cinquenta começamos a pensar...

De Fernando Lopes a 28.12.2016 às 22:07

Começamos a questionar o caminho quando ele já não tem retorno. O simples facto de colocar a questão já não é mau, há muita gente que nunca «se pensa». 

De alexandra g. a 28.12.2016 às 23:11

apaga lá essa merda do "já não tem retorno", will ya?

no último Verão conheci uma senhora nos seus 92 anos com um namorado nos oitentas, brasileiros, de passagem para Espanha, para uma maratona.

eu & Cª Lda., tudo o que sentimos e admirámos, foi a frescura dos repolhos polla manhã, late at night,

___________
p.s. - vírgula :)

De Fernando Lopes a 28.12.2016 às 23:27

Tu & Cª Lda, assentaram praça na secção do frescos. De tal maneira, que vêem verde onde só há amarelecido.


_______________________________
E isso é um mérito, ajuda-me a sacudir o pessimismo que insiste em andar atrás de mim como uma sombra. 

De alexandra g. a 28.12.2016 às 23:32

não tenhas disso dúvida alguma, querido Ferdinand, ainda que seja necessário atirar-te ao Rio Douro Cor De Prata para irmos atrás :)

De Anónimo a 29.12.2016 às 10:38

Este meu gaijo está tremendamente necessitado de coisas que eu cá sei...
Filipe das paredes, do pladur e do caralho a 4. 

De Fernando Lopes a 29.12.2016 às 11:43

Folgo em saber que a alexandra tem um gajo capaz de conceber e implementar o design da secção de frescos. É um fresco ele mesmo. ;)

De Sandra F. a 29.12.2016 às 11:16

Ui que isto do final de ano tem que se lhe diga... Ainda há pouquinho veio aqui um colega "meter nojo" porque vai começar 2017 na reforma (assim que recebeu a notícia, nem foi à mulher que contou primeiro!!). E chegámos todos à mesma conclusão: rai's parta a mania que temos dos bens materiais...
Somos todos, Fernando, somos todos...

De Fernando Lopes a 29.12.2016 às 11:46

Tenho a noção que é comum Sandra, infelizmente não apazigua por aí além o mal que às vezes sentimos.

De Sandra F. a 29.12.2016 às 14:01

Não, não apazigua. Eu não aprendo a viver em paz com a escolha que fiz, mesmo que empurrada pelo destino...

De Anónimo a 29.12.2016 às 18:43

Comentário apagado.

De Fernando Lopes a 29.12.2016 às 18:46

Fico feliz por ter gostado, «genial» é obviamente excessivo.
Bom Ano!

De Anónimo a 29.12.2016 às 19:03

Comentário apagado.

De alexandra g. a 29.12.2016 às 20:10

Viste, Ferdinand, viste?
Tanta gente dizendo de ti o que, de facto, há que dizer e é preciso que saibas... :)

_____
p.s. - obrigada pelas palavras sobre o meu designer, pois, não fora a tua existência e a desta casa, não o teria conhecido e não estaria de malas aviadas e a família (já) avisada :D

p.p.s. - abraço obeso, tu mereces.

De Fernando Lopes a 29.12.2016 às 20:19

Já viste como o inesperado surge nas nossas vidas? E o designer, não desfazendo, é uma jóia de moço. 


______________________________________________
Aqui estando, podes sempre aderir ao almoço das couves e subsequente concurso de flato.

De alexandra g. a 29.12.2016 às 20:29

Couves: forever.
Flato: jamais.

Eu sou uma senhora, isto é: mais couves e copos :)

De Fernando Lopes a 29.12.2016 às 20:16

O maior elogio que me podem fazer é «já tinha pensado nisso», «estive para escrever sobre o mesmo tema». Assim sendo, e uma vez que tal acontece, louvor aceite.
Image

De redonda a 01.01.2017 às 20:48

Acho que na sexta-feira passei pelo asiático a tocar a espécie de xilofone.

De Fernando Lopes a 01.01.2017 às 21:06

Quando o vi estava na Rua da Fábrica, perto da Porto Editora. Suponho que os músicos tenham lugares preferidos ou mais inspiradores. :)

Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback