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Um armário cheio de coisas extraordinárias.

por Fernando Lopes, 1 Fev 17

Lá fora anunciam tempestade, pelas persianas o vento faz notar a sua intensidade uivando como só ele sabe. Escolhi um livro, e, na introdução, dou com a frase de Degas: «A arte é um vício. Não se desposa legitimamente, viola-se.». Penso como adaptaria o pensamento não à arte, mas à vida em geral. Viver, viver mesmo, é um vício. Sinto grandes angústias por minudências, choro com ridicularias, tenho fúrias com – e por causa – de gente que as não merece, vivo num permanente desconforto que é a essência da vida. Fiz tudo e nada fiz. Amei, revoltei-me, ensandeci, trabalhei, sonhei, bebi, tive medo, fugi, pensei. Mentiria se dissesse que faria tudo da mesma forma. Não. Fiz erros de que me arrependo, fui nobre algumas vezes, mesquinho outras tantas. Aprendi. Vivi. A minha vida é um armário cheio de coisas extraordinárias, pessoas extraordinárias, momentos extraordinários. Um armário infinito, onde espero continuar a armazenar tudo o que aprendi com ela. Com essa mesmo, a vida.

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2 comentários

De pimentaeouro a 01.02.2017 às 23:27

E um post emocionante. Nem todos se podem gabar de terem vivido intensamente, eu sou um deles.
Parabens. 

De Fernando Lopes a 02.02.2017 às 06:41

O armário de coisas extraordinárias enche-se com pequenas coisas: um dia de sol, um abraço de um amigo, um beijo de um filho, um pontapé numa bola, um mergulho no mar. Se pensar bem, João, verá que o seu está cheio destes pequenos-grandes nadas.

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  • redonda

    Talvez ajude ir com alguém muito próximo, com quem...

  • Fernando Lopes

    Olhar fixamente pode ser intimidante, mas não é is...

  • Anónimo

    Mas olhar directamente pode ser muito intimidante ...

  • Fernando Lopes

    Agradeço o abraço e retribuo ainda com mais vigor....