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Shitbrain.

por Fernando Lopes, 12 Jan 18

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Os Estados Unidos são um país historicamente recente, quase imberbe se comparado com os padrões europeus. Convivi diariamente com americanos durante uma década, não os acho genericamente estúpidos. A impressão que me ficou – e vale o que vale – é que são ingénuos, infantis, e um bocado ignorantes. Como qualidades, são extremamente capazes socialmente, simpáticos, e muito bons nas áreas em que se especializam. Saindo da sua área de estudos e trabalho para o que chamamos interesses e cultura geral, o panorama que se me deparava era o de um deserto. Uma impressão individual que mais não é que isso mesmo – uma impressão. O americano médio é criado na ideia que que pouco mais existe para além dos Estados Unidos, que a Europa é uma espécie de museu vivo, e que os países em vias de desenvolvimento ou subdesenvolvidos são mesmo shitholes.

 

Trump é suficientemente estúpido para escrever publicamente o que o americano médio diz à boca pequena. Provou ao que vinha quando em plena campanha eleitoral enfatizou a ideia de criar um muro com o México. A América de Trump é branca, supremacista, racista e intolerante. Mas a América de Trump é a de muitos milhões de americanos, não só de rednecks e Tea Party, um princípio etnocentrico atravessa muitas daquelas almas.

 

Contrariando a anteriormente generosa política de acolhimento, a tendência para julgar inferior, expulsar, atribuir aos estrangeiros os males dos EUA, é cada vez mais frequente. Existe a séria hipótese de 800 mil seres humanos criados desde a infância nos EUA, que serviram o exército dos EUA, que mais não recordam que o país que os acolheu, serem expulsos porque nasceram em shitholes.

 

Aquando da eleição de Trump, em conversa privada, o jornalista Ricardo Alexandre, que me dá o privilégio de ser meu amigo, salientava que o que mais o assustava era a insensibilidade de Trump, ele que tinha feito a cobertura das eleições americanas. Palavras a que na altura não atribui a importância devida e hoje se revelam quase proféticas.

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Not My People.

por Fernando Lopes, 10 Nov 16

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Li e reli várias análises sobre a vitória de Trump. Por alguns dados estatísticos fica claro que quem elegeu o milionário foram os eleitores mais idosos e menos informados, minorias com a atitude «eu já cá estou, os outros que lixem», pessoas excluídas desta nova revolução, já não industrial, mas tecnológica, que vivemos. Entristece-me que saiam à rua gritando «Not My President». Quem participa numa brincadeira dessas pode ter mestrados e doutoramentos, mas percebe muito pouco sobre a essência da democracia. Não valoriza a opinião de quem trabalhou para lhe possibilitar esses estudos. Desceu ao nível do homem de estranho escalpe, apenas em sentido contrário.  Não gosto de Trump, mas assim é a democracia. Nada nos impede de combater ideias com ideias, de lutar pelo que achamos justo, pelo bem comum. Nada disso pode começar se a primeira batalha se inicia menorizando o eleitorado de Trump porque é mais velho ou ignorante.

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