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Vítima da «escrita inteligente».

por Fernando Lopes, 5 Ago 16

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Maleitas do tempo, começo a ver mal ao perto. Para escrever, ler, trabalhar, tenho de usar óculos. Na rua, em outras tarefas, recuso-me pela simples razão que me dão mau-jeito. No telemóvel uso a escrita inteligente. Às vezes dá bronca. Como no exemplo acima:

 

- Queria escrever as usual, respondi Urso.

 

- Queria escrever Free e o Paulo escrevi Frete e o Paulo.

 

Só de pensar que fiquei todo melindrado quando o meu amigo Ricardo Alexandre, esse sim, um caixa de óculos encartado, me escreveu uma mensagem que começava assim: «Meu obeso amigo…».

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Faladora(s) incontrolável(eis).

por Fernando Lopes, 13 Abr 15

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A relação entre a maioria das mulheres e o telemóvel roça o obsessivo. Vejo imensas a falar, falar, falar, até esgotarem os pacotes de milhares de minutos agora em voga. É um modo que me perturba mas que me habituei a aceitar. Tinha dificuldades em entender como é que se esgotam 7.000 minutos, 4,8 dias num mês a falar ininterruptamente. Um observador atento contou-me a seguinte «estória»:

 

Tia desloca-se do Porto para o Algarve em trabalho. Como a sobrinha está de férias da faculdade, tia liga «para não se sentir sozinha». Desliga já depois de Santarém, com um breve pausa para reabastecer corpo e viatura. Após não mais de 30 minutos, liga de novo e fala até chegar ao destino. A andar depressa são quase 4 horas, à velocidade máxima permitida mais de 5.

 

Qual é a mulher que consegue fazer um Porto-Algarve quase sem se calar? Esta gente existe mesmo?

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Pacotes de milhares de milhões de minutos.

por Fernando Lopes, 11 Mar 15

Os portugueses são conversadores por natureza. Homens e mulheres, de uma maneira geral falam que se desunham. Utilizam todavia  método diferente: enquanto os homens preferem conversar sentados a uma mesa, com comida e bebida pela frente, para as mulheres qualquer momento e circunstância é adequado a uma boa converseta.

 

O exemplo cá de casa é significativo. Enquanto cozinha, trabalha no portátil, cuida da filha ou organiza o lar, é capaz de passar horas ao telefone. Inclina a cabeça para o ombro esquerdo, prendendo o aparelho entre a face e a espádua, e aí vai ela. Torna-se imparável, naquela singular posição não há nada que a detenha. É preciso responder a um email? Feito. Mexe-se na Bimby? De caras. Carrega-se uma máquina de roupa? Tarefa de crianças.

 

Observo-as em todo o lado em posição semelhante, fazendo de tudo, das coisas simples às complexas, com a cara tombada e o telemóvel entalado. Um homem, mono-tarefa, não consegue ter tal desenvoltura, nem fazer conversa consequente. A pensar nas portuguesas, as operadoras móveis comercializaram tarifários que têm 7.000 minutos. Na prática significa 4,8 dias de conversação ininterrupta. Pensa o leitor que é inesgotável. Nada disso, já ouvi um ou dois lamentos relativamente ao plafond esgotado. A cunhada de uma colega, deslocando-se  a trabalho para Lisboa, conseguiu falar ininterruptamente durante os 300 kms de percurso com uma sobrinha, para «não se sentir sozinha». Abriu-se uma caixa de Pandora. Temo pelo momento em que levadas pela guerra comercial, as empresas ofereçam minutos ilimitados. Nunca mais se conseguirá conversar cá por casa…a não ser por telemóvel.

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Os parvos dos telemóveis.

por Fernando Lopes, 19 Ago 14

Fotografia: Kc Alfred/Reuters

 

O tema não é novo, mas particularmente irritante. A boa juventude assiste a concertos através do telemóvel. Num dos últimos, aturei um bacano de rastas e ar de parvo que comentava que «tinha comprado um cartão de 8 gigas para gravar o concerto». Não tenho nada contra quem tira meia-dúzia de fotografias de um espectáculo, eu próprio o faço, mas dois ou três bonecos são mais que suficiente. Esta malta não vê os músicos a não ser através do ecrã, não se concentra na música, apenas está preocupada em registar para a posteridade não se sabe bem o quê. O primeiro concerto a que assisti, há mais de 35 anos, foi de Lene Lovich, no saudoso pavilhão do Infante de Sagres, ali junto à Marechal. Recordo-me de imensos pormenores porque estava lá para curtir a música, o som, as luzes, não armado em Spielberg.

 

Leio no The Guardian que Kate Bush pede aos fãs para não usarem telemóveis ou tablets no seu show de regresso: «Tenho um pedido a fazer a todos os que estarão presentes nos próximos shows. Propositadamente escolhemos um pequeno teatro em vez de uma grande sala ou estádio. Seria muito importante se evitassem tirar fotos ou filmar».

 

Talvez explicar aos espectadores que as mais belas imagens e recordações não ficam gravadas no Youtube, iCloud ou similares, mas na nossa memória. É para isso que temos um cérebro em vez de um dispositivo electrónico.

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Bigger is better.

por Fernando Lopes, 12 Ago 14

Numa viagem de metro dediquei-me a observar os telemóveis dos jovens que comigo seguiam. Parece que «bigger is better», pois quase todos falavam ou navegavam em tijolos imensos. O primeiro telemóvel que tive, talvez há cerca de 20 anos, foi um Mimo, que custou a bonita quantia de 50 contos (250 euros). Um Alcatel grande e pesado em que a bateria apenas durava um dia. Depois os telemóveis ficaram mais e mais pequenos, até que os últimos modelos que serviam apenas para telefonar e enviar mensagens se perdiam na imensidão das carteiras femininas ou nos bolso de um casaco. Foi a fase «onde está a porra do telemóvel?».

 

Com o surgimento dos smartphones os écrans foram crescendo e crescendo até tomarem as medidas de um pequeno tablet. Navego na net, envio emails, mas não estou disponível para andar com uma coisa que não caiba no bolso traseiro de uns jeans. Essa é a minha medida, 5 polegadas, o tamanho do iPhone 5. O vindouro iPhone 6 em vez de definir o padrão, seguirá a concorrência, aumentando o tamanho. Rapaziada das telecomunicações, podem inventar o que quiserem, seguir as tendências da moda, não contem comigo para esta crescente mania das grandezas.  

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O dia dos telemóveis.

por Fernando Lopes, 27 Abr 13

Só sabemos quanto estamos dependentes destes aparelhos quando se avariam ou os perdemos. Hoje foi dia dos ditos. O botão de Home do meu iPhone deu o berro. Sem aquele botão mágico a coisa funciona de um modo muito deficitário. Pesquisei em várias lojas e o mais barato que consegui para substituir a membrana do botão foram 60 aéreos. Puta que pariu! Preço da peça 5 cêntimos, preço da “mão-de-obra”, 59,95. Já estava a deitar fogo pelas ventas com tanto dinheiro tão mal gasto, mas parte da minha vida está naquela maquineta.

 

Ainda a coisa mal tinha começado. Após o jantar, a mãe, solícita, foi sacudir a toalha de mesa. Com elevada probabilidade levava lá dentro o telemóvel da minha mulher. Como mora num 9º andar a coisa deveria ter-se esfrangalhado na queda. Nem uma pequena peça se encontrava no chão. Procurámos em casa, no jardim, no chão, nos arbustos… e nada. A chefe da casa de lagrimeta no canto do olho e o pessoal de rabo para o ar. Certo é que a coisa desapareceu e quando se liga vai directo para o voice mail. Onde está? Desfez-se com o tombo? Mistério. Como é que vivemos uma eternidade sem telefone de bolso, e agora não podemos passar sem o estafermo do zingarelho? 

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