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Fomos comprar óculos à Zara.

por Fernando Lopes, 22 Mai 17

zara.jpg e eu estou a posar com um magníficos óculos rosa.

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O meu bebé.

por Fernando Lopes, 4 Abr 17

Aquela conversa que os filhos são sempre crianças para os pais, infelizmente, aplica-se-me. Doze anos recém feitos, apercebo-me do seu crescimento quando nela tento pegar ao colo. E nas conversas. As conversas senhor, de quando em vez parecem um salto epistemológico. Surpreendo-me com o vocabulário, com a maturidade aqui e ali. O meu bebé cresce a olhos vistos. Demonstra sensibilidade, bom carácter, capacidade empática. Falávamos de homossexualidade e a sua atitude livre de preconceitos, pronta a aceitar o outro como é, não se importando com a norma, melhor ainda, negando a sua existência, tranquilizou-me. Nós, a escola, a sociedade, estamos a fazer um bom trabalho com as novas gerações.

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Bem-Feita.

por Fernando Lopes, 29 Nov 16

Sou pai, adoro sê-lo, a minha cria é uma espécie de farol que me ilumina sempre, mesmo quando o nevoeiro tudo torna difuso. Tenho apenas um irmão, e este lidar com o desenvolvimento no feminino é novo para mim. Começa a miúda a esgadanhar a adolescência, eu a transformar-me num pai preocupado. Consigo lidar com isso. Tal não me impede de recordar deliciosas estórias de infância de uma ingenuidade que, lentamente, desparecerá.

 

Quando andava no infantário a Matilde era muito amiga do Afonso, mas pegavam-se por tudo e por nada. Uma espécie de cão e gato, que primeiro se chateavam para logo a seguir fazerem as pazes.

 

- Pai, tropecei, caí e chorei.

 

- Não faz mal.

 

- Faz, faz, o Afonso riu-se e chamou-me bem-feita. Eu não quero ser bem-feita.

 

- Isso dizes agora, estou certo que daqui a uns anos mudarás de opinião.

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Maquilhador por um dia.

por Fernando Lopes, 9 Ago 16

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Quem me conhece sabe que sou um bocado old school. Produtos de beleza para homem sempre me pareceram desnecessários. Lâmina da barba, um after-shave, desodorizante com fartura, um toque de perfume, é mais que suficiente. Cá em casa, a pele das madames é impecavelmente tratada com cremes da melhor qualidade. Nota-se, duas carinhas larocas, é dinheiro bem gasto. A filha, onze anos, começa a ter as preocupações femininas habituais. Estava com um borbulhas e queria colocar um esfoliante – fui à net confirmar se este era o nome correcto.

 

- Ó paiiiiiiiiiii, anda-me ajudar a pôr a máscara na cara!

 

- Não seria melhor falares com a tua mãe? Não percebo nada disso.

 

- Já sabes que a mãe está sempre a trabalhar. Não te importas de ajudar?

 

Não tive alternativa. Ajudei-a a colocar uma argila verde, arenosa, que deve arranhar imenso. Ficamos dez minutos à espera que o «barro» secasse, depois ajudei-a, lavando muito lentamente. Devo confessar que fiquei convencido, uma parte substancial das espinhas tinha desaparecido. A criança continuou o resto do «tratamento» com um hidratante qualquer. Quando ela era muito mais pequena, costumava dar-lhe banho, escovar e secar o cabelo. Mimetizava um anúncio, dizia que era o Frank Provost. Agora dei em «maquilhador», «tratador de pele», ou lá como é que se chama a profissão. Em verdade vos digo, não há quase nada que um pai não faça por uma filha.

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Não há pai para esta filha.

por Fernando Lopes, 18 Abr 16

Como sabem os fregueses regulares do blogue sou ateu convicto, fiz questão de não passar valores religiosos à minha filha. Adopta-los-á se assim o entender. Fez hoje um ano que faleceu um familiar próximo e fiz questão de estar presente por respeito ao que partiu, dever de solidariedade aos vivos. Além da homenagem aos falecidos, naquela cerimónia também se celebrava um centenário. Chegado o momento da colecta lá depositamos as habituais moedas.

 

- Pai, também se podem dar cheques? É que aquela senhora deixou um envelope.

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O escolhido.

por Fernando Lopes, 12 Abr 16

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Esta fotografia já foi publicada no Instagram e Facebook, mas é um resumo de uma relação que me é mais preciosa que todo o ouro do mundo. Partilho a «estória» por detrás da mesma. A minha mulher tinha um jantar, foi dada a hipóteses à cria de escolher com qual dos progenitores queria passar a noite. Mesmo com outras crianças no evento concorrente fui o escolhido. Combinámos jantar na pizzaria favorita da miúda, na Praça Carlos Alberto. Sempre tive espírito boémio, a Matilde sempre foi boa companheira de farra. Partilho com ela as tabernas, bares e restaurantes que me são mais queridos. Se forem com ela à ribeira aconselhará a esplanada da D.Deolinda, dir-vos-á onde é a «Badalhoca da Baixa» e como gostas das sandes de panado, referenciará as tostas mistas do «Aduela» e uns copos de sumo no «Candelabro». Já comemos iscas oleosas num tasco, mesmo tasco, da Sé, dançamos até às 4 no S.João frente ao «Rádio». Não faço questão que ela me siga as noites perdidas entre cervejas e conversa, mas é meu dever como pai mostrar esse lado risonho da vida. Assim não será uma pateta deslumbrada quando chegar a sua vez de sair à noite.

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Estupor da gaiata!

por Fernando Lopes, 27 Jan 16

No aniversário recente de um amigo, jornalista de méritos reconhecidos e acima de tudo uma excelente pessoa, tive o prazer de travar conhecimento com o Gonçalo Cadilhe. Para um turista com ambições a viajante é o mesmo que um muçulmano dar de caras com o profeta. O Gonçalo é um tipo discreto, com uma voz baixa, todo ele calma e suavidade. O meu oposto, já se percebeu.

 

Tendo-o ali à mão de semear, bombardeei-o com uma série de perguntas parvas a que já deve ter respondido um milhão de vezes. Em vez de me mandar bugiar foi extraordinariamente simpático e respondeu a todas as dúvidas. Já era admirador do viajante, fiquei também a sê-lo do homem.

 

Descobri nas redes sociais que será o guia de uma viagem à Namíbia. Parafraseando o saudoso Carlos Pinto Coelho, África- mãe, mãe-ventre, ventre-sonho, sonho-África. Por algo inconsciente, o meu fascínio por este continente parece interminável.

 

Cheguei à sala triunfante:

 

- Se o pai ganhar o euromilhões vai à Namíbia com o Gonçalo Cadilhe. Expliquei que era uma viagem de sonho, iria sozinho durante esses 15 dias.

 

- E tu aguentavas lá quinze dias sem ver a tua filha, ripostou a fedelha.

 

Sei que temos uma relação fortíssima, muitas vezes me senti um pinguim imperador, mas aquela autoconfiança excessiva caiu mal. Cortar um sonho ao pai? Achar que não sobreviveria sem ela uma quinzena? A Matilde é minha filha numa certa fragilidade e insegurança que partilhamos, raras vezes a vi tão afirmativa e segura do seu nariz.

 

Dei por mim a pensar que provavelmente estou a fazer um trabalho bom demais ao incutir-lhe autoestima, tanta que acha que não posso viver distante por um curto período.

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Momento do dia.

por Fernando Lopes, 12 Jan 16

- Sabes quem é a pessoa de que o pai gosta mais no mundo?

- De mim.

- Já te tinha dito?

- Já, muitas vezes, mas podes continuar a dizer.

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Fui eu mesmo que fiz.

por Fernando Lopes, 18 Nov 15

Ter sido pai aos 42 é gerador de equívocos. Embora a maternidade e paternidade tardia se tornem cada vez mais frequentes, tenho de aceitar que um tipo grisalho – para dizer a verdade com mais brancas que outra coisa – passear-se com uma criança pequena pela mão não é vulgar. Por mais que uma vez me tomaram por avô da minha filha. Não lhes levo a mal, o normal entre os meus amigos é terem filhos na faculdade.

 

Uma vez, numa confeitaria, sentamo-nos, pedi um café e um croissant para mim e interroguei a cria. O empregado era um jovem, nos seus vinte e poucos. A filha apenas quis húngaros.

 

-  A sua neta não vai querer beber nada?

 

- Fui eu mesmo que fiz, não é neta, é filha.

 

Valeu pela prontidão da resposta e por ver o rapaz ruborescer e desfazer-se em desculpas o tempo todo.

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As máquinas de resultados.

por Fernando Lopes, 8 Nov 15

Passamos a competitividade feroz do mundo do trabalho para o ambiente escolar, transformando as nossas crianças em máquinas de resultados. Nunca a minha filha teve más notas, bem pelo contrário, tirando sempre entre 4 e 5, com um ocasional suficiente a matemática.

 

Para o mundo de hoje não basta. Não sendo suficiente a sobrecarga horária a que está sujeita, é brindada com páginas e páginas de trabalhos de casa, pelo que o fim-de-semana se transforma em longos momentos de estudo intercalados por lazer. Os miúdos não descansam, não brincam, não são crianças. Tem tido notas bastante razoáveis, mas acusa a necessidade de querer ser ainda melhor, por pressão da escola e afirmação entre os colegas.

 

Hoje queria sair do vólei porque não tinha tempo suficiente para estudar e ser das melhores. Ao matriculá-la num estabelecimento privado tinha perfeita noção que o grau de exigência seria maior. Apesar de tudo não penso que o ensino público seja muito mais benevolente com os alunos. A minha sobrinha anda pressionadíssima com as notas para poder entrar na faculdade, o mais pequeno teve de fazer um teste para ser admitido num determinado liceu público.

 

Estamos a criar futuros adultos saudáveis, com multiplicidade de interesses e vivências ou crianças e jovens com fracas capacidades sociais, apenas orientados para uma ideia falsa de sucesso? Algo está mal, muito mal com o nosso ensino, e como pai sinto imensa preocupação e dúvidas sobre se não estaremos a sonegar à infância e juventude, a despreocupação e alegria que os nossos filhos deveriam ter.

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    Talvez ajude ir com alguém muito próximo, com quem...

  • Fernando Lopes

    Olhar fixamente pode ser intimidante, mas não é is...

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    Mas olhar directamente pode ser muito intimidante ...

  • Fernando Lopes

    Agradeço o abraço e retribuo ainda com mais vigor....

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