Quinta-feira, 21.03.13

"PREGO" IN THE PLATE.

(clique para aumentar)


 

O "Carioca" já não existe. Era um café-restaurante tradicional, frente à entrada principal do Mercado do Bolhão. Foi substituído por um enorme talho, igual a tantos outros. Era local de vendedeiras matinais, bêbados noctívagos, travestis em fim de turno, "Super Dragões" profissionais, lixeiros e toda a fauna tradicional na grande cidade.  

 

Como estava frente a um local turístico, tinha um menu em inglês. Quer dizer, mais ao menos em inglês. Nele podemos encontrar:

 

Codfish "In Carioca’s way", Codfish in "Braga’s Way", Boiled Codfish "Com Todos", Golden Pescada, Prego "In the Plate" e outras tantas especialidades. Imagine um local onde os empregados não falam uma palavra de inglês e a perplexidade dos visitantes face à sofisticação do menu.

 

VAT included.


Fernando Lopes às 19:18 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 16.07.12

Para que queres tu Rio, mais receita, sendo um fuinha?

(imagem do arquivo de Pacheco Pereira)

 

Rio é venerado, em particular pelo grupo designado de sulistas, elitistas e liberais. É um bom exemplo do autarca mão de vaca, espécie rara, mas muito apreciada pelas elites da capital. Como munícipe que paga bons impostos, permitam que pergunte: Como é que este gajo não há-de ter um superávit se não gasta a ponta de um corno, excepção feita às corridas de carrinhos na Avenida da Boavista? Assim imediatamente só me lembro de duas obras de Rio: a reorganização da Rotunda da Boavista (boa) e a destruição da Avenida à mão de Siza e discípulos (má). É o gajo que não faz ondas, com tiques autoritários e que se borra de medo de descer à capital e reivindicar algo para a sua cidade. Tivesse ele a voz trémula e julgá-lo-ia o filho dilecto do de Santa Comba.

Vem esta prosa a propósito do aumento das tarifas de estacionamento para residente de 10 para 207 euros anuais. Todos sabemos a pressão que existe no estacionamento no centro das cidades. O Porto, pela sua estrutura granítica, torna a construção de parques de estacionamento uma tarefa extremamente onerosa e financeiramente inviável excepto com tarifas muita altas. O bom do Rui, preocupado com a reabilitação da baixa, dá mais um belo exemplo do que não se deve fazer. Tornar a vida dos habitantes do centro uma tarefa insuportável, até para estacionar. É que é de residentes que estamos a falar, porra!

Fernando Lopes às 01:29 | link do post | comentar
Quarta-feira, 20.06.12

E que tal entaipar Rui Rio?

 

Quando miúdo passava os fins de semana na Constituição. O jardim do Marquês era o espaço verde por excelência daquela zona densamente urbanizada. Lá existia uma biblioteca. Pouco mais que um quadrado, uma pequena sala, a abarrotar de livros. À época os mais procurados eram os álbuns de banda desenhada. Entre uma futebolada e outra, passei ali bons momentos. Uma biblioteca infantil, num jardim. Devo confessar que há anos não passo pelo local, mas guardo boas memórias desses tempos em que líamos o Astérix e o Lucky Luke num local público. Activistas quiseram reactivar o espaço, entretanto abandonado. Rui Rio não quer que as crianças leiam. Podem ter ideias. Imaginar. Sonhar. Recorre-se ao expediente do costume. Tal como na Fontinha, tudo pode estar abandonado até que um qualquer grupo tenha uma ideia para o espaço. Aí, o palhaço, mandar entaipar. Antes abandonado do que utilizado. Quem exerce a cidadania são criaturas muito perigosas.

Fernando Lopes às 18:45 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Segunda-feira, 18.06.12

Nós é mais corridas de carros

 

Na minha cidade está encerrado o Solar do Vinho do Porto. Um local onde a plebe podia usufruir de algum requinte a preços razoáveis. Onde os turistas desfrutavam de um porto e de uma vista magnífica, num ambiente de enorme tranquilidade. O edifício era antigo, mas não se encontrava degradado. Muitas vezes antecedemos jantares de amigos, bebendo vinho e paisagem em simultâneo. Parece que o solar necessita de obras no valor de 300.000 euros. A câmara,  proprietária do edifício, e o Instituto dos Vinhos e do Douro e Porto, que explora o espaço, não se articularam, e desde janeiro, nada foi feito para reactivar este ex-libris da cidade. Como diria Rio, o F da P, nós é mais corridas de carros.  

Fernando Lopes às 00:03 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 27.05.12

Was it good for you, too?

A minha cidade está invadida. No bom sentido, claro. Por razões que desconheço, mas que os historiadores e interessados na urbe conhecerão, o Porto dividiu-se em dois pólos. O tradicional, comercial e turístico, que se centra na baixa, e uma área de negócios, escritórios e serviços, na zona da Boavista. Porque resido nas proximidades da Av.ª de França, passo largos meses sem visitar o centro histórico e a baixa. Hoje, a propósito da apresentação de um livro do meu amigo João Nuno, sobre o meu F.C. do Porto e os 25 anos de celebração da conquista da Taça dos Campeões Europeus, assentei poiso no café Guarany.

Como ia com a filha e as crianças estão sempre com fome, ainda antes do fim da sessão, tivemos de descer à esplanada para um reabastecimento estratégico. Às 7:00 da tarde, a suecada já estava a jantar. Hábitos das gentes do norte, que os indigentes do sul estranham. A fauna que se deslocava este domingo na baixa era inglesa, alemã, brasileira, francesa, num multiculturalismo de sons e aspectos que me agrada sobremaneira. Como bom português, amigo de receber, gosto de os ver deslumbrados com a melancolia cinzenta da cidade e a lamber os beiços com as nossas iguarias.

A nosso lado, duas jovens de vinte e poucos, alheadas do mundo e imersas nos smartphones. Passados minutos, dois rapazes juntam-se às jovens. Após uma breve conversa apercebo-me que são tripeiros, que faziam as honras de proporcionar um tour completo, sexo incluído. Um deles não conseguiu deixar escapar um "Was it good for you, too?". Sorri e tranquilizei-me. A nova geração continua a fazer as honras da casa às turistas que nos demandam. Numa versão mais sofisticada do "Gostastes? Gostei", do Telmo e da Célia, as visitantes levam algo mais do que fotografias para recordar. Nem tudo está perdido nas nossas relações com os povos do norte da Europa.

Fernando Lopes às 21:19 | link do post | comentar
Domingo, 08.04.12

Café Luso

Ontem, após jantar com um velho amigo, dei connosco no Café Luso, agora pindericamente rebaptizado de Caffé Luso. As minhas memórias deste estabelecimento são difusas, mas relembro um ambiente ecléctico, que unia sob o mesmo tecto a puta e o juiz, o estudante e o bêbado profissional. Como acontece com quase todas esta remodelações, o local perdeu toda a sua graça. É um local anódino, sem carisma, onde falta a tipicidade de uma fauna ou o cosmopolitismo que a remodelação faria antever. Assim uma coisa que não é carne nem peixe, onde não existem os republicanos dos finais dos anos 50 nem o ambiente deliciosamente decadente de inícios de 80. O velho Luso do discurso do General Humberto Delgado ou onde na minha juventude se atirava serrim ao chão para absorver a humidade e condensação em dias de chuva. Honestamente, uma remodelação de merda que extirpou a um café o que é mais importante, o ambiente e a pluralidade.


Outro expoente desses cafés alienígenas era o café Mouzinho. Em pleno caminho entre a ribeira e a baixa, era o local da última cerveja da noite, entre personagens sinistros, aparentemente tele-transportados de um filme de Tarantino, jovens estudantes a gastar os últimos tostões e velhos alheios a  tudo lendo o jornal, numa mescla de cheiro a suor, pito mal lavado, bagaço e haxixe. Sítio impróprio pois para narinas sensíveis. Tenho de (re)visitar o Mouzinho para verificar in loco se já aderiu à amaricada moda das duas letras ou se permanece um local de e para duros.

Fernando Lopes às 01:19 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Domingo, 15.01.12

O País apagado


Moro na zona da rotunda da Boavista, no Porto. Hoje tive de sair para fazer compras, durante o futebol, tempo particularmente tranquilo em centros comerciais e afins. A rua de Júlio Dinis já foi artéria de forte comércio. Hoje é fantasma escurecido, mostra do que Portugal se está a transformar. Fechou a sapataria Charles, a Bertrand, a Singer dos electrodomésticos a prestações. Subsistem duas ou três boas sapatarias e lojas de roupa low-cost.

Mas, o que mais me impressionou, é a escuridão que se abateu sobre as montras. Todos nos lembramos do velho hábito de "ver montras" em que percorríamos as artérias das cidades, procurando pechinchas ou simplesmente passeando e vendo a moda da estação.

Hoje, provavelmente devido ao aumento do preço da electricidade, os já debilitados comerciantes optaram, na sua esmagadora maioria, por apagar a luz. O "window shopping" da minha juventude morreu com a desertificação do centro da cidade e o o aumento das tarifas para pagar a Catrogas, Cardonas e outros cadastrados. Resta um ar lúgubre, de um país, também ele, prestes a ser apagado.

Fernando Lopes às 00:29 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Domingo, 13.11.11

Varredores

Varredores de Rua, Carlos da Silva Prado, Museu de Arte de São Paulo

Caminham pela alameda, cada um no seu passeio. Como carris de comboio, paralelos sem nunca se encontrarem. Trazem uma vassoura rude mas resistente, e um carro cilíndrico. Num dos carros, um velho rádio pendurado, emite uma música fanhosa. Varrem com firmeza os milhares de folhas que as velhas árvores deixam tombar. Acumulam pequenos montes, posteriormente esmagados e compactados no carrinho. Sentam-se na beira do passeio para comer uma bucha. Passados minutos reiniciam o processo. Varrer, amontoar, compactar. Centenas, milhares de folhas, todas as noites. Nunca olham para trás, ignorando ostensivamente a natureza, que escarnece do seu trabalho e lentamente recomeça a cobrir com um novo manto, o chão à minutos imaculado.
Fernando Lopes às 02:39 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 17.08.11

estranha forma de vida


Na zona onde habito e trabalho, a Boavista, na cidade do Porto, os sem-abrigo têm crescido a olhos vistos. De uma meia-dúzia a coisa generalizou-se e está a tomar proporções alarmantes. Distribuem-se pelos jardins, portas de estabelecimentos comerciais, nichos entre prédios. Não sou dado à caridadezinha nem gosto de dizer aos outros como devem viver. Cada uma destas pessoas encerra a sua história. Uns serão sem-abrigo por opção (sim, a opção existe e há quem opte por esta "estranha forma de vida"), outros sê-lo-ão por força das circunstâncias. Há quem já tenha montado residência semi-permanente, como a foto acima ilustra. Foi tirada junto ao terminal de autocarros do Bom Sucesso. Impossível ignorar o aumento exponencial de pessoas sem um local digno para dormir. Enquanto não se criam condições para saírem deste ciclo através de apoio, formação e integração, urge fazer alguma coisa. A CMP tem a obrigação de criar uma moderna alternativa aos antigos albergues para minimizar este problema. E sempre é melhor dar comida, abrigo e higiene a quem os solicitar do que ver carrinhos de corrida às voltas na Avenida.
Fernando Lopes às 19:06 | link do post | comentar
Domingo, 31.07.11

Más tripas ou maus fígados?


Do alto dos meus 48 anos de portuense, posso assegurar que nunca esta cidade teve um Presidente da Câmara tão medíocre. As qualidades que os meus concidadãos lhe reconhecem são para mim um mistério. Sempre o vi como uma figura provinciana, poupadinho, sem obra ou visão de futuro para a cidade. Com uma mentalidade tacanha, privilegiando os seus ódios sobre os interesses do colectivo, é um personagem tão desprezível que quase nunca me apetece escrever sobre este Salazar de pacotilha. Lembro o episódio pífio do fogo de artifício que não rebentou, o virar de costas ao maior clube da cidade, passando pela completa ignorância dos movimentos culturais e artísticos que se geraram na cidade sempre à sua revelia. Agora mostra uma vez mais a menoridade da sua dimensão com o triste episódio das tripas. Incapaz de se articular com quem não segue cegamente a sua cartilha, este homúnculo, dá o dito por não dito e não apoia as tripas como candidato às 7 maravilhas gastronómicas de Portugal. Episódio insignificante e um concurso um bocado ridículo, é certo. Mas como autarca da segunda cidade do país cumprir-lhe-ia apoiar o nosso prato mais antigo e tradicional. Mesmo a contragosto, que há muitos tripeiros que não gostam de tripas. Mas, uma vez mais provando a sua menoridade e incapacidade de estabelecer pontes ou consensos, gasta dinheiros públicos para verberar contra o seu rival Menezes. Como cidadão que paga os seus impostos municipais custa-me sobremaneira que o meu dinheiro seja gasto  para alimentar egos desproporcionalmente inflados ou rivalidades provincianas.

Publicado no aventar na rubrica "aventar - Faça-o você mesmo". Os meus  profundos agradecimentos aos aventadores. É uma honra imerecida.

Fernando Lopes às 21:48 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 06.07.11

das qualidades do metro ...

 

Por circunstâncias especiais, sou obrigado a andar de carro todos os dias. Tudo se passa num pequeno circuito que, fechado, não terá mais de 4 kms. Quando trabalhava na baixa e não era obrigado a transportar todos os dias a minha filha para o infantário, fazia-o de metro.

Hoje, por necessidades profissionais, repeti o percurso feito inúmeras vezes. A comodidade e rapidez deste transporte público é melhor do que há três anos atrás. Temos carruagens com uma ar condicionado decente, uma regularidade mais do que aceitável e até pequenos televisores para aligeirar o percurso. Fiquei fascinado por na estação da Avenida de França disponibilizarem painéis de horários idênticos aos de aeroportos ou grandes estações ferroviárias.

Dito isto, só lamento não ser possível utilizar mais este magnífico e moderno meio de transporte que nos foi posto à disposição. Andar de carro no centro do Porto é irracional. Só para não expor uma criança de 6 anos a uma caminhada de 15 minutos sob as condições dos elementos o faço. O lado de pai-galinha a vir ao de cima.
Fernando Lopes às 00:21 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sábado, 28.05.11

Porto em festa


Este fim-de-semana a minha cidade está em festa. Em Serralves, 40 horas nonstop de música, dança, teatro e circo. Quem for à baixa tem a Feira do Livro do Porto. Como alimentar o espírito não basta, na Alfândega está o Porto.come com chefes famosos onde por preços mais do que razoáveis se poderá saborear arte comestível. Além disso hoje é o último dia do Restaurante Week do Porto e por 20 € pode-se frequentar alguns dos mais requintados "comedouros" da cidade.
Proponho um final de noite pelos bares da baixa do Porto. A Tendinha é o meu favorito. A minha cidade é única. Este fim-de-semana alia cultura, gastronomia e diversão em doses alucinantes. É aproveitar senhores, que a crise está já ali ao virar da esquina. Mais informação aqui.

Fernando Lopes às 11:03 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Sábado, 21.05.11

Mercado do Bom Sucesso




Todos os dias passo pelo mercado do Bom Sucesso. Porque penso que deve ser reabilitado e servir os habitantes da cidade, apoio este manifesto.
Há no entanto que fazer algo mais do que preservá-lo como simples mercado. Deixo isso aos especialistas. Mas posso sempre dizer que gostaria de o ver transformado num local misto, com alimento para o corpo e para o espírito. Porque não manter o mercado e criar galeria(s), uma pequena livraria, um pequeno espaço de restauração tradicional?
Fernando Lopes às 11:41 | link do post | comentar | ver comentários (4)
 

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