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casaChristinaFoto1.jpg

 

Talvez por estar a ficar entradote, recordo-me de algumas lojas e serviços que existiam na minha infância. Não sendo nostálgico, uma simples frase, publicidade, deixa, trazem-me à memória coisas de antanho e colocam-me um sorriso pateta na face. Falam na televisão de um serviço de entrega de pão ao domicílio e logo recordei a padeira que percorria Álvares Cabral com uma longa canastra em forma de piroga, deixando o pão aqui e ali num saquinhos de pano, quase todos eles com motivos regionais. Ainda hoje ocasionalmente faço compras na mercearia fina «O Pretinho do Japão», na Rua do Bonjardim, onde fui muitas vezes pela mão da avó. Recordo também que os avós encomendavam – e encomendar é o termo – os sapatos na «Sapataria Danilo». Quando miúdo já era um local para velhos, mas dizia-me o avô que os sapatos eram quase indestrutíveis Era só escolher o modelo, pois as medidas do pé estavam arquivadas na loja e os sapatos eram feitos à mão. Sorrio ao lembrar a «Casa Christina» e o café de diversas proveniências e em peso sempre igual, misturado, que era levado num cartucho de papel para fazermos um café de cafeteira e que tinha o melhor cheiro do mundo. Recordo todas estas coisas e tenho saudade de um tempo em que se consumia devagar, nos mesmos sítios, atendido por gente que nos conhecia. Parece ontem e tudo se passou há mais de 40 anos.

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«a Fábrica». Onde menos é mais.

por Fernando Lopes, 20 Mai 17

 

Fabrica1.jpgCopo de «Primavera», produzido in situ.

 

Nas minhas deambulações pelo centro da cidade passeio por uma das ruas que mais se transfigurou nos últimos anos, a da Picaria. Na era pré-Ikea era um bom local para se procurarem móveis baratos. Sobrevive apenas uma loja desses velhos tempos e toda a rua está ocupada por bares e restaurantes. Não tenho pachorra para multidões ou comportamentos de rebanho, pelo que tendo a fugir dos lugares da moda. Passou-se isso com o «Aduela», onde serviam umas magníficas tostas com pesto, invadido por hordas de candidatos a artista. O «Candelabro», no Largo de Mompilher, um alfarrabista dos meus tempos de infante hoje transformado em bar é um local agradável, mas já com excesso de gente. Também já por lá não anda a Mariana, uma jovem que servia canecos com a maior doçura do mundo.

 

Fabrica2.JPG Cubas, bancos, iluminação.

 

Fabrica3.jpgEsplanada para as traseiras da Rua do Almada.

 

 

Tinha visto esta cervejaria artesanal, de seu nome «a Fábrica», e fiquei com vontade de experimentar. Fi-lo hoje. É um local recuperado com bom gosto. Um corredor, mesas encostadas à parede, simples, quente, acolhedor. Passando por onde a cerveja é tirada, existe uma sala mais ampla e uma belíssima esplanada, que dá para as traseiras da Rua do Almada. Um belo local para um fim de tarde com os amigos a beber um copos, deitar conversa ao vento, petiscar. Experimentei duas cervejas, uma produzida no local, de seu nome «Primavera» e a «Super Bock 1927 Bavaria Weiss». A «Primavera» é extremamente suave, com um ligeiro toque de limão. Uma boa cerveja, a um preço mais que módico. A Super Bock tinha um amargor que me pareceu excessivo, muito inferior a uma cerveja alemã comum do mesmo tipo, a Erdinger. Não vos vou falar do fim de boca ou de outras mariquices, o meu palato não é tão sofisticado como o dos que distinguem num cunnilingus entre a a Maria e a Fernanda.

fabrica4.jpgOlhá bela loura.

fabrica5.jpg Pormenor de um candeeiro.

 

Fabrica6.jpgA fábrica propriamente dita.

Fabrica9.jpgA mão que dá de beber a almas sedentas.

  

Uma particularidade da «Fábrica» é que é lá que se produz a cerveja que bebemos. No piso inferior existe uma sala e a fábrica propriamente dita. É depois transportada para duas cubas de mil litros e daí para a barriguinha do consumidor. Sem engarrafamentos, sem sofisticação da treta, sem merdas. A lista das cervejas e dos trincantes é também ela diferente. Duas cervejas produzidas localmente, cinco Super Bocks praemium, pregos, hambúrgueres e linguiça. Local a visitar neste tempo que se aproxima, em particular a esplanada. Quem quer uma lista de cem cervejas com apenas três sabores de base e comida a armar ao carapau deve abster-se. Para os simplórios como eu, consumir sem moderação.

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Homens da minha cidade, homens de outro tempo.

por Fernando Lopes, 1 Nov 16

Nem tudo é frenético nestes dias solarengos soalheiros que passam. Ontem pude ir a pé para o trabalho. Na volta pediram-me para passar pela maior micro-drogaria da cidade do Porto. Na Avenida de França, em frente à paragem de autocarros, há uma gruta de Ali Babá. É um pequeníssimo espaço, não mais que três metros quadrados para atendimento. Mas o que tem lá dentro, senhores, é de pasmar. Todas as utilidades, insecticidas, produtos para a madeira, soda cáustica, o que se pode esperar e mais alguma de uma drogaria está lá dentro.

 

O senhor que atende terá sessenta e muitos, setenta, cabelo branco encaracolado e olhos azuis de miúdo traquina. Sorri sempre, trata todas as clientes por menina, há uma educação antiga sem servilismo, um ar de guardador de tesouros, num homem, que por muito velho que seja, será sempre um rapaz. Vendeu-me um pião e uma faniqueira por uns modestos dois euros. Devido à procura deste brinquedo extinto por alunos de educação visual e tecnológica, podia ter aumentado o preço. Não o fez, vende-o com o gosto de miúdo que se recorda dessas brincadeiras. Neste tempo de iPads, tem lousas de ardósia e uma série de outras coisas de antanho. Uma personagem que irradia simpatia, ele mesmo símbolo de um tempo que se nos escapa entre os dias.

 

Hoje de manhã, a pé numa volta ao quarteirão, encarei o homem das castanhas, encravado entre a rotunda e a avenida. Boina, barba rija, sentado à sombra cortando as castanhas. Pedi-lhe uma dúzia, notei-lhe os olhos castanhos vivos, a irradiar uma luz não se sabe vinda de onde. Também ele cortês, também ele de um outro tempo. Na minha cidade, até os homens idosos de profissões a desaparecer, são, no seu modo particular, luminosos.

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Turismo, turistas e a portolândia.

por Fernando Lopes, 22 Out 16

Acordei cedo. Como as minhas mulheres iam ao cabeleireiro decidi dar uma volta a pé. Esta expressão significa quase sempre um regresso ao meu útero urbano, Cedofeita. Assim foi. Gosto de parar na esplanada junto à subida do Mirante. É um sítio despretensioso, um café que não pretende ser mais do que é. Os sítios assim são cada vez mais raros, os novéis proprietários procuram dar um ar sofisticado até a uma padaria. Farto desta patine de pechisbeque procuro o básico, sem rodriguinhos ou tretas.  Mesmo ao lado fica um hostel, a rua está cheia deles. Face ao vai e vem de turistas, questiono o proprietário. Talvez o futuro esteja mesmo no turismo. Os hotéis e hostels vizinhos, que na época baixa do ano passado se quedavam por uma ocupação de 50%, esperam entre Outubro e Abril uma taxa de 75%. À noite, diz-me, quase só serve estrangeiros. Fala-me das pessoas que saíram da zona por causa do barulho nocturno, de apenas existirem estes vizinhos temporários. Entristece-me. Todas as minhas velhinhas morreram, cada vez mais a baixa é um playground de turistas, e uma cidade sem moradores é algo artificial. Chama-me saudosista, mas ainda aspiro a uma cidade onde habitantes e turistas consigam fazer parte da urbe, não esta que se está a criar onde apenas existem os habitantes esporádicos e os que lá estão para os servir.

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Amor na parede (II).

por Fernando Lopes, 12 Jun 16

caminhos.jpg Rua Egas Moniz, Porto

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Como uma mulher bonita.

por Fernando Lopes, 19 Mar 16

Passeio matinal pela baixa. Chegado aos Clérigos deparo com um grupo de sexagenárias espanholas perdidas entre mapas e GPS. Ofereço ajuda e indico o meio mais rápido para chegar ao local pretendido.

 

- Obrigado, foi muito amável.

- É um gosto. Nasci, cresci, provavelmente morrerei aqui. É a minha cidade. Como quem é casado com uma mulher muito bonita, dá-me prazer ajudar os outros a conhecê-la e admirá-la.

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Amor no passeio.

por Fernando Lopes, 14 Mar 16

FullSizeRender.jpg Um qualquer apaixonado deu-se ao trabalho de pintar inúmeros corações no cimento da Rua de Oliveira Monteiro. Ficou um feio chão mais alegre e colorido, este coração empedernido tocado por tão pueril demonstração de amor.

 

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Disse-o Agustina.

por Fernando Lopes, 22 Fev 16

Porto.jpgNa inevitável Cedofeita. Muito mais em #preenchervazios

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Na «Badalhoca».

por Fernando Lopes, 31 Jan 16

Porque não tenho outros filhos falta-me a referência. A minha é uma mistura explosiva de personalidades, tendo a sua, coisas em que é como eu e outras que são nitidamente da mãe. Ontem fomos dar uma volta ao fim da tarde para espairecer, uma vez que a gaiata de encontrava sobre stress com o seu primeiro torneio de vólei.

 

Da Avenida de França a Cedofeita são vinte a trinta minutos a pé, faz-se bem de mão dada com uma menina, a ver casas restauradas e cantar os últimos êxitos da pop.

 

- Vamos comer uma sandes à «Badalhoca» da baixa?

- Existe um sítio com esse nome? Que horror.

 

A mãe seria incapaz de entrar num local, afamado que fosse, por se chamar «Badalhoca». Foi o cabo dos trabalhos levá-la à Gusta da «Adega dos Caquinhos» em Guimarães, devido à fama – e proveito – de língua destravada da proprietária. Uma betinha.

 

Consegui que a criança entrasse na tasca e comesse com gosto um panado no pão. Única num estabelecimento repleto de adultos e espírito boémio. Eu, que sou um tipo do povo que se sente à vontade num restaurante chique ou numa tasca sebosa, quero proporcionar experiências alternativas à miúda. Tranquilizei-me porque vejo que tem muita da minha adaptabilidade.

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Este Porto que amo.

por Fernando Lopes, 28 Nov 15

12292799_1681960555415773_712941085_n.jpgEscada dos Guindais

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