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O estertor de Passos.

por Fernando Lopes, 16 Ago 17

As acusações de golpismo por parte da direita aquando da formação da «geringonça» sempre foram risíveis, pois é do conhecimento público que a ascensão de Passos ao poder foi ela mesmo produto de um golpe, tirando o tapete a Sócrates quando este tinha um acordo tácito com Merkel para o PEC IV. A chanceler alemã não queria mais um país sob resgate, e muito por mão de Passos e seus algozes este foi antecipado ou provocado. Sobre golpes e golpistas acho que estamos conversados.



Durante quatro anos vivemos com o mambo jambo que era preciso primeiro empobrecer, que os portugueses viviam acima das suas possibilidades, era indispensável baixar os custos do trabalho para sermos competitivos. Pelo meio, mandou-se uma geração inteira emigrar, as luminárias do regime debitavam textos na imprensa económica – agora falida – sobre a purificação pelo empobrecimento. Provou-se que estava tudo errado, como o próprio frontman dessa narrativa – Vítor Gaspar – veio já admitir.



Passos, que nada sabe de história, ficou preso nesse labirinto. Neste momento, com uma derrota garantida nas autárquicas de que apenas é desconhecida a extensão, seria de esperar que o líder do PSD enterrasse o machado falho do liberalismo e voltasse a uma certa ideologia conservadora de pendor social que sempre foi a matriz do PSD. Desengane-mo-nos, pois. No Pontal, Passos cola-se à extrema-direita, associando à demagogia feita com os incêndios uma pitada de xenofobia. Transforma o PSD num wannabe de Tea Party.



Confesso que me dá um certo gozo ver este desespero passista não fosse o medo de ver um partido conservador democrata transformado num excremento da sua própria ideologia. Desejo ardentemente que a deriva populista deste PSD não seja mais que um mau momento, uma nota de rodapé na história do partido, pois uma democracia não se faz sem um partido conservador forte, interventivo, respeitado.



P.S. - O Purgatório vai a banhos, regressando no início de Setembro. A todos um abraço e o desejo de um bom descanso, se possível.

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Não há camaradas paneleiros.

por Fernando Lopes, 21 Abr 17

Não sou defensor nem avesso à causa LBGT, porque, simplesmente, não faço juízos morais, não gosto de ser defensor de coisa nenhuma, menos ainda de empunhar bandeiras. Cada um vive a sua sexualidade como lhe apetece, nem me passa pela cabeça que fosse de outro modo. Não condeno ou apoio nenhuma preferência sexual, excepção feita àquelas que tipificam crimes contra menores. Mas gosto da postura Séc. XIX do PCP. Não temos provas que a Coreia do Norte seja uma ditadura, menos ainda que na Chechénia estejam em curso perseguições às orientações sexuais «diferentes». Deve ser bem mais simples viver num mundo a preto e branco.

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À mes amis français. (*)

por Fernando Lopes, 27 Jul 16

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Sejamos honestos, a oposição colocou as fichas todas no «quanto pior melhor». Fodeu-se. O BE já tinha feito o mesmo ao ser parte activa no derrube de um executivo PS. Também se fodeu. Nada disto iliba o governo, incapaz de captar investimento, criar emprego, actuando quase exclusivamente pelo lado da receita, atirando migalha aqui e ali aos portugueses já no osso. O Sr. Presidente do Conselho estará neste momento a padecer de cólica profunda. A não aplicação de sanções e a tragédia autárquica que se avizinha colocam-lhe o tacho em perigo. A imprensa económica, mais fiel que rafeiro ao modelo da troika, sofre uma pesada desilusão e pede-nos para não os deixar falir. No cu.

 

Desiludam-se os que acham que o palavroso Costa teve algo a ver com isto. Berlim perdoa agora para ganhar legitimidade para o castigo que se segue. Portugal não conta, a Espanha pouco vale. O filet mignon – e a aplicação de um galicismo não é coincidência – é a França. Pacientemente os boches preparam-se para conseguir pela via económica o que não conseguiram pela guerra, vergar a Europa. Há muito Pétain por aí, basta esperar pacientemente.  

 

(*) crónica económico-política de elevado conteúdo e linguagem ainda mais sofisticada. 

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Não temais, somos a «esquerda suave».

por Fernando Lopes, 9 Nov 15

Nos idos de 2010, em pleno escândalo WikiLeaks, é divulgado um telegrama em que Cavaco terá tranquilizado os norte-americanos, caracaterizando a nossa imprensa como «muito suave». Portugal é um país suave. Os Carlos Abreus Amorins desta vida, que vociferam indignados, babando, contra o assalto da esquerda ao poder como se de uma revolução se tratasse, podem ficar tranquilos e passear a sua obesidade mórbida pelos melhores restaurantes da capital. Não vão existir nacionalizações em massa – quando muito um passo atrás nas águas e TAP – o vosso dinheirinho estará a salvo no banco ou na Suíça, os famélicos da terra não se vão levantar como hordas de zombies para ocupar as vossas lojas e fabriquetas de baixos salários. A esquerda portuguesa é ela própria tão, mas tão, tão, suave, que se dá por satisfeita em validar um programa social-democrata. Não estamos a planear novos gulags, o Campo Pequeno continuará cheio de bois, cavalos e bosta, não de fascistas. Trocaremos a fúria revolucionária por um osso atirado ao povo com uma nadinha de carne, em vez de exibir apenas a brancura do cálcio.

 

Nada temais, somos a «esquerda suave».

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Descubra as diferenças.

por Fernando Lopes, 30 Out 15

Não discutimos Deus e a virtude. Não discutimos a pátria e a sua história. Não discutimos a autoridade e o seu prestígio. Não discutimos a família e a sua moral. Não discutimos a glória do trabalho e o seu dever.

 

António de Oliveira Salazar
 
 Portugal é membro de pleno direito da União Europeia e aderiu desde a primeira hora ao projeto da moeda única. Exige-se ao Governo que agora toma posse que respeite as regras europeias de disciplina orçamental aplicáveis aos países da Zona Euro e subscritos pelo Estado português, nomeadamente o Pacto de Estabilidade e Crescimento, os pacotes legislativos […], o Tratado Orçamental.
[…]De igual modo, devemos manter-nos fiéis aos compromissos que contribuem de forma decisiva para o prestígio de Portugal no mundo, com destaque para a nossa presença no espaço da lusofonia e nas organizações internacionais de defesa e segurança coletiva de que fazemos parte.
ANíbal cavaco silva
 

Quarenta e um anos depois continua a haver coisas que não se podem discutir. Ámen. 

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O que o ministro «dá».

por Fernando Lopes, 12 Mar 15

paulo_macedo.jpg

 

Os estudos de percepção dizem que a maior parte das pessoas valoriza o que o SNS lhes dá hoje. O resto é propaganda.

 

O estado não «dá» nada; redistribui, proporciona. Esta mania portuguesa de encarar o estado como uma entidade externa, vêmo-la até em ministerial discurso. O estado somos nós, ex, actuais e futuros contribuintes. Através de impostos, taxas sobre tudo e mais alguma coisa, colaboramos para o SNS. Não «damos» um salário ao sr. ministro, pagamos-lhe para administrar a coisa pública o melhor que puder e souber. Mais do que um lapsus linguae a expressão «o estado dá» exprime toda uma mentalidade portuguesa a erradicar se queremos ser um povo com sentido ético e solidário.

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Não sei, não vi, não recebi, só assinei.

por Fernando Lopes, 7 Jan 15

marques mendes.jpgFonte: observador.pt

Não sou contra os partidos, tenho no entanto enorme dificuldade em aceitar os crápulas que os enxameiam. Fazer parte de um partido, preferencialmente desde a juventude, tornou-se condição sine qua non para ascensão meteórica de medíocres. Olha-se à volta e só se vê deserto; de ideologia, princípios, caráter. Enquanto o sistema não for capaz de expulsar as sanguessugas oportunistas que nele se instalaram, a sua credibilidade para gente de bem é absolutamente nula. Depois, há uns que se destacam por serem particularmente invertebrados, dizendo tudo e o seu contrário. Entre eles, brilha Marques Mendes.

 

Com um programa de «comentário» este personagem menor – e não me estou a referir à altura – ganhou estatuto por ser o chibo de serviço, sempre pronto a bufar publicamente e ao sabor das conveniências do seu partido, informação confidencial sobre decisões ministeriais ou usar fugas de informação selectivas sobre o debatido no Conselho de Estado. Uma espécie de «mulher de soalheiro» da política, que escuta aqui, diz ali, intriga acolá, disso faz vida e é  premiado com um programa de televisão.

 

O caso do SEF é particularmente interessante, já que expôs a ridículo este oráculo de pacotilha. Sócio de uma empresa "JMF - Projects & Business", envolvida no caso dos «vistos gold», Marques Mendes diz que "Pelo menos desde 2011, ainda antes da criação de vistos 'gold', que esta sociedade na prática não tem atividade, no meu caso desde 2011 que não fui convocado para qualquer reunião, não fui a nenhuma reunião, não tomei nenhuma decisão, não auferi um único euro". Sabemos bem para que servem estas sociedades de «consultoria», de Marques Mendes a Passos.

 

Só ligou a António Figueiredo, ex-presidente do Instituto de Registo e Notariado, a «saber como vai o andamento de um processo». Um eufemismo para «mete aí uma cunha e coloca esse processo à frente dos outros». Todos temos noção disso menos o fleumático Mendes, que ainda tem a lata de repetir à saciedade que «quem não deve, não teme».

 

A enxúndia da democracia tem programa de TV, assento no Conselho de Estado, e nada teme. Tudo isto é normal, estamos em Portugal.

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Não peço muito.

por Fernando Lopes, 22 Nov 14

Não peço muito. A frase, ouvida entre a morte do Botas e a desbotada Primavera do Marcello. Poderia exprimir uma humildade ou frugalidade sentidas, na verdade é um manifesto à resignação. Aquando dos desejos para 2014, um dos mais recorrentes era «manter o emprego». Três anos de austeridade, desemprego, humilhação, ajudam a quebrar uma já frágil auto-estima colectiva. A gente já não sonha, não se indigna, já só quer trabalhar, ter comida na mesa, ir ao restaurante uma vez por mês ou num aniversário. Quem podia fugiu, restaram os incapazes e os que os exploram, ridicularizam e humilham numa base diária. Mea culpa, mea maxima culpa. Restaram abutres, sobrevoando a carniça em círculos cada vez mais apertados, e nós, os animais assustados que empurramos os despojos para os bicos dos necrófagos. Restou uma imprensa económica que abraçou a austeridade, flagelou um povo simples e humilde endividado maioritariamente pela compra de casa própria, e continuou subserviente a lamber o rabo aos poderosos. Restou a revolta de meia-dúzia de cretinos como eu, que com uma arma na mão hesitariam entre «limpar» a assembleia da república ou acabar com a sua miséria dando um tiro nos cornos. Mea culpa, mea maxima culpa.

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Cutucar os russos com vara curta.

por Fernando Lopes, 12 Nov 14

putin.jpgImagem roubada do blogue «Tempo Contado»

Admiro sempre as diatribes anti-russas que ciclicamente enchem o peito de alguns e as páginas dos jornais ocidentais. Goste-se ou não, o longo reinado de Putin trouxe melhorias significativas ao padrão de vida russo, basta ver o gráfico acima. Os que sonham com uma cavalgada pela planície russa desconhecem a história que castigou Napoleão e Hitler, a capacidade de resistência decisiva nas guerras do século XX. Tendem a ignorar que o leste da Europa tem uma enorme dependência energética deste semi-continente. Recusam-se a sair do passado, tendo ainda e sempre os russos como «inimigo convencional». Melhor virar a página, notar que mudamos, que o mundo mudou, baixar do reino da fantasia para o da realpolitik.

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Costa foi às exéquias do BE.

por Fernando Lopes, 15 Out 14

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Não me entusiasma, até porque da sua boca pouco mais ouvi que banalidades. As eleições do PS foram de personas e não de ideias, perdeu o «líder da triste figura». No entanto, ninguém pode acusar o bom do Costa de inabilidade política, daí que o seu primeiro acto público depois da imperial foi ter comparecido no congresso do «Livre».

 

Está a piscar o olho à esquerda da esquerda que não se limita a protestar, que quer «meter as mãos na massa» e intervir politicamente num governo. O BE está morto, assassinado pelo seu ex-líder, pela recusa em ser mais que um partido de protesto. Exactamente três pessoas acreditam no futuro do BE: Catarina Martins, João Semedo e aquele moço careca, matemático, que perdoem-me, parece uma cópia de Seguro. O homem emana carisma que até atrapalha.

 

A política é a arte do possível, para conseguir uma pequena vitória são necessárias inúmeras cedências. É assim também na vida, coisa que a malta bloquista teima em não compreender. Sem ter mestrado em futurologia, vejo o Livre a esmagar o Bloco nas próximas eleições.

 

Porque sabem essa coisa tão simples, nada é de borla, para dar um passo à frente, às vezes é necessário recuar dois. Esse espírito de compromisso, capacidade de cedência e negociação parecem ser a sua grande vantagem. Um certo eleitorado de esquerda está cansado do pensamento que em nome da ideologia, a nada cede. Estou entre eles, prefiro alguém mesmo em posições subalternas a puxar à esquerda, que seja a consciência crítica do PS. Costa entendeu isso, muitos eleitores como eu também, o Bloco só vai atingir que errou quando o piano de cauda chamado eleições lhe cair em cima da cabeça.

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