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Depois do chicote, a cenoura.

por Fernando Lopes, 16 Out 13

Querida Maria Luís, Ministra das Finanças:


Em primeiro lugar deixe-me dizer-lhe quanto aprecio o ar clean, loiro e europeu com que se apresenta e discorre sobre um OE que modera os ímpetos consumistas do bom povo português, essa troupe de gastadores compulsivos. Mais, gostei particularmente da echarpe vermelha (ou devo dizer encarnada), com que ontem se exibiu. Digna e a fazer relembrar o Pai Natal ao contrário que a sra. Ministra é.


De todas as novidades que apresentou ontem, enterneci-me especialmente com o “sorteio fiscal”, uma espécie de euromilhões dos chibos. Uma vez que a ameaça de multa aos portugueses que não pedem factura não surtiu os efeitos desejados, e até um ex-membro do governo mandou os fiscais “tomarem no cu”, vem V.Exa. assentar o chicote e mostrar a cenoura.

 

Tive várias ideias vintage, como agora se diz, sobre este sorteio que gostaria de partilhar com V.Exa.

 

Quando era criança íamos à Feira Popular no Palácio de Cristal da minha cidade. Já então desregrado e gastador, o pai deixava-me atirar nas barracas de tiro, tentando cortar as serpentinas que seguravam o tão desejado prémio. Ele era verdadeiras loucuras como maços de tabaco, canivetes suíços e ursinhos de peluche. Havia também umas senhas que davam direito a bolinhas saltitonas que nos agradavam sobremaneira. Obviamente, guardei o melhor para o fim. Lembra-se dos chocolates de sorteio? Numa pequena caixa, pagávamos para fazer um furo, e caia uma bola colorida. Conforme a cor ganhávamos chocolates que oscilavam entre o mini e o XXXL. Penso que são sugestões que aceitará como a considerar para premiar os que nas suas horas vagas, resolvam encarnar inspectores das Finanças, solicitando facturas a torto e a direito.

 

Não vou ser vulgar como o ex-secretário de estado da Cultura e recomendar-lhe actividades lúdicas com o fundo da sua coluna vertebral. Com ela, fará V.Exa. o que muito bem entender.

 

Permito-me no entanto comunicar que não irei participar neste circo terceiro-mundista e continuarei olimpicamente a ignorar as facturas que me puserem à frente. No tempo corrente não pedir factura é um activo cívico e até uma forma benigna de desobediência civil.

 

Sou quem sabe, este contribuinte que muito a estima,


Fernando Lopes

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