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Tenaz de amor.

por Fernando Lopes, 25 Out 17

Um velho amigo, aquando da juventude, tinha um fetiche por raparigas do campo. Embora criado na cidade, podia chegar a uma zona rural andando 15 minutos de carro. A sua paixão por aquele tipo específico de raparigas tinha explicações absolutamente únicas. Não imaginas o que é fazer amor debaixo de uma árvore ou em cima de uma meda de feno, é algo muito mais natural, dizia. Obviamente todos gozávamos com ele e com a sua paixão por moças campestres e roliças, que nós dizíamos serem possuidoras de «coxa agrícola». Vocês não entendem nada, quando as penetras elas apertam-te entre as coxas. Nem te consegues mexer, é como se estivesses preso numa tenaz de amor. Hoje, não sei porquê, lembrei-me dele e da sua «tenaz de amor».

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Quando se passa de marido a parente.

por Fernando Lopes, 22 Out 17

A confissão foi de uma médica, casada há trinta e cinco anos: Sabes, não sei se como homem compreendes isso, mas quando se está casado há tantos anos como eu, já não se olha para o marido apenas como homem, passa já para a categoria de parente.

 

À época pareceu-me uma confissão de desistência, como se não houvesse lugar para amor, sexo, luxúria, quando se está casado há décadas, e tudo se resumisse a uma vida em comum, uma construção conjunta de dois companheiros. Hoje tenho a ideia que as mulheres são tão ou mais vorazes que os homens no que à variedade de parceiros concerne. É satisfação suficiente que a nossa companheira de décadas nos deseje sexualmente, não estou certo que o inverso seja verdade.

 

Se me parece mais ao menos consensual que uma relação se vai tornando mais de companheirismo e menos de desejo pelos terríveis mecanismos da idade, tenho para mim que se as prioridades femininas não fossem tão diferentes das nossas seríamos descartados a um ritmo de fazer Zsa Zsa Gabor parecer uma noviça.

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As mulheres e os pormenores.

por Fernando Lopes, 12 Out 17

A maneira como homens e mulheres observam o mundo é, em muitos aspectos, substancialmente diferente, mas uma das coisas que mais me surpreende é quando elas falam de homens. Às vezes caem-me nos ouvidos em conversas absolutamente deliciosas como hoje aconteceu. Quatro mulheres jovens falavam sobre alguns seus conhecidos. Referiram coisas para mim tão espantosas como «tem umas mãos bonitas», «gosto do andar dele», «tem um nariz giro» e o clássico «olhos bonitos». Como homem, se fosse jovem, ficaria preocupado com o nível de detalhe com que observam. Nenhum macho estaria demasiado preocupado com as mãos da eventual parceira a não ser que fossem sapudas e peludas como as de um gorila; desde que uma rapariga não ande aos pulinhos ou a tropeçar nos tacões, o modo como se deslocam é-nos relativamente indiferente – mas não ponham os pés à frente um do outro como os modelos de passerelle – o nariz é algo que pode chamar a atenção se for demasiado grande, adunco, ou tiver pêlos de fora, caso contrário é apenas um nariz. Com os olhos já é uma história completamente diversa. Trambalazanas como só nós, sermos observados assim ao microscópio só nos desvaloriza.

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Ah, faneca.

por Fernando Lopes, 25 Out 16

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Desapareceram expressões populares que adorava. Ouvi hoje uma que designava uma mulher magrinha com tudo no sítio, «faneca». Era usada como piropo, mas nunca que nunca de forma insultuosa. Constatava-se a elegância da rapariga alvo da piada, nada mais. A faneca foi, ao nosso pobre modo, antecessora da top-model ou da modelo de lingerie. A Irina Shayk é uma faneca, a Sara Sampaio também. Desconheço a origem da expressão, apenas posso imaginar. A faneca é um peixe fininho, com muitas espinhas, mas saboroso. É um peixe naturalmente elegante, que brilha sem ter de se armar aos cágados. O companheiro de luta que comigo caminhava, ao ver um outdoor da Intimissimi, deixou fugir a velha expressão. Fez-me sorrir e lembrar algumas fanecas da minha juventude.

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Carochinha do Séc. XXI.

por Fernando Lopes, 8 Ago 16

Li num blogue feminino brasileiro a conversa da carochinha contemporânea. Constatava a jovem moça que tinha sido criada em igualdade com os homens, que prezava a sua autonomia, que saía quando lhe apetecia, com quem queria, tinha uma vida profissional de sucesso, carreira académica sem mácula, que via os homens como iguais. Tudo isto seria normal se não terminasse com algo do género «ninguém quer casar comigo porque sou independente e liberada». Não estando habilitado a falar por homens mais novos, constato a contradição de discurso entre a mulher livre e independente, que em simultâneo não abdica do jogo tradicional de papéis. O mundo mudou, a sociedade mudou, também os homens são mais independentes. Qualquer jovem macho é autónomo na sua vida profissional, sexual, doméstica. Muitos vivem vidas que se caracterizam pela prevalência do individual sobre o familiar. Não precisam, não sentem necessidade de uma família tradicional, de filhos. O mundo transformou-se numa procura de satisfação imediata, o investimento numa relação e posteriormente numa família é uma aposta de longo prazo que não motiva a maioria. Uma família significa abdicar do «eu» para pensar no «nós», e esse conceito de colectivo é cada vez mais frágil. Um tempo de individualismo gera pessoas individualistas. É pueril constatar que a sociedade mudou, os papéis de género também, e, no entanto, aspirar a um modelo de família tradicional.

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A arte de não se levar a sério.

por Fernando Lopes, 27 Jun 16

Há um blogger que diz «Não Entendo As Mulheres», eu, quanto mais as entendo menos as percebo. Se, como fiz num comentário abaixo, refiro que as mulheres portuguesas são mais retraídas e conservadoras em relação a sexo, logo ficam zangadas. São no entanto as próprias as primeiras a sentirem-se desconfortáveis perante pessoas do sexo feminino com uma escolha de parceiros menos criteriosa. Não sou juiz, estou-me nas tintas para a forma como cada uma das senhoras gere a sua vida sexual. Não é segredo para ninguém que sou estranhamente feminino nesse aspecto, fodendo porque estou apaixonado, não fodendo para me apaixonar. Há milhares de tons de cinzento, cada um de nos transporta consigo a sua mundividência, nada do que escrevo tem importância. São observações, pensamentos falados alto com elevadas probabilidades de estarem errados.

 

Nestes anos muita coisa mudou, há uma atitude mais igualitária em tudo na nossa sociedade, comportamentos sexuais incluídos. Cada um(a) faz o que entende, com quem entende, como entende. Obviamente procuro atitudes, visões, sensibilidades iguais à minha, já dizia o Carlos Tê «não se ama alguém que não ouve a mesma canção».

 

Nada disto implica superioridade moral, nem minha nem de quem como eu pensa e age. Nada, mesmo nada do que aqui escrevo, deve ser tomado como exemplo do pensamento masculino, dada a atipicidade da minha atitude perante estas questões como pelo facto de o padrão ser não existirem padrões.

 

Sinceramente, «who gives a fuck about what Fernando thinks?» Por amor de deus não me levem a sério, que eu também não.

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Femininas manias.

por Fernando Lopes, 24 Mai 16

Para a maioria – e sublinho, maioria – das mulheres, nós homens temos a obrigação de adivinhar os seus desejos. Nunca são claras no que pretendem, mantendo tudo numa névoa sebastiânica. É nossa obrigação adivinhar o local em que desejam jantar, o presente que querem no aniversário, o museu a conhecer, o livro a ler, onde pretendem passar férias.

 

Quando erramos redondamente, acusam-nos de não ter entendido as «dicas», ouvido as pistas.

 

Se fossemos muito bons a seguir pistas, adivinhar palavras soltas, seríamos todos criminologistas, C.S.I.s, cães pisteiros. Não é por mal, mas as subtilezas femininas as mais das vezes escapam-nos completamente.  Somos patetas? Sem dúvida, mas agradecemos encarecidamente às senhoras que não nos façam adivinhar.

 

Existem mulheres que sabem o que querem, ao que vão, e dizem-no. As minhas amigas são quase todas assim, pouco dadas a jogos de subtileza, mistério, adivinhação. Transparentes, claras, frontais. E é por isso que são minhas amigas, têm a capacidade de me dar um abraço ou de me mandar para o car..lho. Combinam os jogos de futebol a que querem que assistamos juntos, os concertos que temos de ver, aquele livro que têm mesmo de ler. Isto torna as relações tão mais fáceis.

 

Assim, do alto da minha provecta idade, deixo um conselho: não sendo óbvias, sejam claras. Digam que preferem o filme A ao B, um relógio de presente em vez do colar que corremos seca e meca para encontrar, que preferem as férias nas Caraíbas em vez da Islândia. Nós, uns simplórios, só precisamos que nos indiquem um caminho. Como vossos escravos, ficaremos contentes por vos seguir, desde que saibamos exactamente o que pretendem.

 

Até na vida íntima esta frontalidade facilita. Quantas de vós verbalizaram que gostavam de um homem sem andarem às voltas como os cães que perseguem as caudas? Acreditem, a clareza feminina é algo que por tão escasso se transformou num bem altamente valorizado.

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Presas, que de facto, o não são.

por Fernando Lopes, 4 Mai 16

Algo que me irrita nas mulheres portuguesas é verem-se sistematicamente como presas num mundo de predadores. Não nego que existam homens que vivem para o prazer da conquista, esfalfam-se para seduzir usando armas poucos subtis ou éticas. Daí ao assédio vai um pequeno passo, concedo isso.

 

No mundo dos adultos que algumas se recusam a habitar, existe sempre a palavra NÃO. Quem tem dificuldade em conjugar este advérbio dificilmente fará algo na vida.

 

Apesar de décadas a caminharmos para um tratamento igualitário, de mulheres cada vez mais presentes em todos os campos da vida, da política às empresas, passando pela prevalência na academia ou medicina, este modo de «virgem ultrajada» teima em permanecer como um atavismo de muitas, sobretudo no campo afectivo.  

 

Gosto de mulheres – e de homens – que vão à luta, que insistem, batalham, ganham o seu lugar nos negócios e na vida não fazendo o falso jogo da fragilidade. São as mulheres habitualmente muitas mais sólidas, resistentes, consistentes, que os patetas que ostentam um tripé entre as pernas.

 

Serve o desabafo para relembrar às senhoras que há homens que também gostam de ser cortejados, seduzidos, e acima de tudo de serem tratados com igualdade e frontalidade. Na vida, no amor, no trabalho, a vitimização nunca deu grandes resultados. Por isso, minhas senhoras, «Às armas».

 

São muito mais respeitadas e valorizadas as que se veem como iguais que as que insistem no papel de vítimas.

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Mulheres problemáticas.

por Fernando Lopes, 16 Fev 16

Há um amigo de quem gosto muito. Está frágil. Precisa de uma solidão para juntar à sua. Nada disto teria a menor importância não fosse a sua terrível tendência para mulheres problemáticas. Emocionalmente instáveis, com crises, o meu amigo já se habituou a esse funambulismo amoroso que lhe calha em sorte.

 

Hoje contou-me com se está a envolver num novo caso que tarde ou cedo lhe trará mais dissabores que alegrias. Com a rudeza que me caracteriza disse-lhe exactamente o que pensava: põe-te a pau, deram-te uma pá e estás a cavar sem sequer ponderar que podes fazer um buraco tão fundo que dele não consigas sair.

 

Deu-me a resposta mais desarmante e sincera que poderia ouvir: faço-lhe bem e ao fazê-lo estou a fazer bem a mim mesmo.

 

Há que amar um gajo assim.

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O que (alguns) homens querem.

por Fernando Lopes, 12 Fev 16

Convenço-me que somos para as mulheres um mistério quase tão grande quanto elas o são para nós. Vem-se-me esta ideia pelo comentário de uma leitora que pensa que uma mulher que luta com afinco e paixão por um homem o atemoriza. Não posso falar pelos outros, acho-o generoso e estimulante.

 

Por simplificação de raciocínio e para gáudio das meninas dividamos o sexo masculino em dois grandes grupos: o cheio de si e o inseguro. O cheio de si acha-se bonito, inteligente, engraçado, uma bomba na cama. As mulheres são um complemento do seu enorme ego, agradam-lhe as que reúnam em doses iguais beleza e estupidez. São um ornamento com uso sexual, um sinal exterior da sua alfa masculinidade.

 

Depois há os outros em que me incluo, inseguros, desajeitados, um bocado parvos, sem desenvoltura na arte da sedução. Sendo tímidos e trapalhões desejam sobretudo quem os ame e acarinhe. Uma bela mulher é sempre uma bela mulher, no entanto valorizamos mais a cabeça que o rabo, a generosidade que a beleza. Precisamos de uma mulher que nos estimule intelectualmente e esse estímulo está directamente ligado ao sexo. Curto e grosso: não nos apaixonamos nem fodemos mulheres burras.

 

O que mais desejamos nesta meia-idade é alguém que nos cuide da alma e das suas cicatrizes, e isso só uma mulher inteligente pode fazer. A perfeição física, os dotes de fada do lar, são qualidades que procuramos bem menos que essa capacidade de amar, cuidar, entregar-se incondicionalmente. Um colo para repousar, uma boa cabeça para discussão interessante são bem mais importantes. Os cinquentões inseguros conquistam-se com a cabeça, não com um abanar de ancas.

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  • alexandra g.

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    Tu és de pouco alimento, a despesa suporta-se bem....

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